quinta-feira, 3 de março de 2011

Milk (2008)

Foto 1 - Sean Penn como Milk

Milk mais do que um filme biográfico é um exemplo do fazer política e reivindicar direitos. A provável intenção do Gus Van Sant não era polemizar sobre a vida pessoal do protagonista, mas sim, discutir o papel de líder e as repercussões de seu ativismo para o meio gay norte-americano. Entretanto, é óbvio que figuras do seu meio íntimo sejam retratas, e que algumas passagens do seu cotidiano, não como político, faça-se presente no longa. Ora, ele construiu seu nome com o apoio de colegas, logo, essas pessoas são essenciais na trama.

O diretor não usa uma linguagem alternativa e experimental, mas tampouco segue a linha convencional. Ele na verdade mescla essas duas estéticas, e o resultado é um filme de linguagem tradicional com elementos experimentais e arrojados. Além disso, ele inclui noções da linguagem documental. Essa estética híbrida possibilita uma versatilidade e um dinamismo na condução da história. A proposta de Van Sant funciona perfeitamente, o que vemos é a importância da militância gay e a vida política do protagonista. É claro que Sean Penn é um dos fatores que fazem de Milk um grande trabalho. Penn não é uma reprodução de Harvey Milk, o ator consegue mergulhar no personagem, compreendendo suas atitudes, sentimentos, gestos, para ai poder reinventá-lo. Não tem como não prestar atenção no Milk de Penn quando ele diz: “My name is Harvey Milk and I want to recruit you.”

Li algumas críticas que falavam que o filme não consegue ser arrebatador. Bom, se as pessoas não conseguem ver na organização política nenhuma forma de explosão de emoções, se ninguém enxerga no desejo de mudança, no anseio por direitos, alguma forma de expressão genuína e avassaladora, eu realmente acredito que elas esperavam por uma película que contasse as experiências sexuais do protagonista.

O filme tenta mostrar aquilo que a grande maioria das pessoas ignorantes não consegue ver: os homossexuais são iguais a todos, tem os mesmos direitos e não devem ser tratados de forma distinta. A sexualidade de uma pessoa, assim como sua cor de pele, seu credo, sua condição social, sua região, seu sexo, não faz dela melhor ou pior. Mostrar isso é a função do filme em que se insere Milk, e isto é que faz da película e do personagem grande. Ao fim e ao cabo, este é um filme com uma temática específica - movimento gay, mas que fala a qualquer minoria, ele tem uma função mais geral. Afinal de contas, estamos falando de direitos inalienáveis e igualdade.
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Milk (Milk - A Voz da Igualdade), Estados Unidos - 2008. Dirigido por Gus Van Sant. Com: Sean Penn, James Franco. 128 minutos. Gênero: Biografia, Drama.

Nota: 9.5

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Panorama pré-Oscar 2011

A temporada de premiações de 2011 está para se encerrar com a entrega da tão almejada estatueta do Oscar no próximo dia 27 de fevereiro. E como todo prêmio que se preze, expectativas e nomes de possíveis vencedores são especulados e comentados nos círculos de amizade e convívio. Para além da torcida, uma forma inteligente de indicar possíveis vencedores é através da análise da trajetória dos filmes em premiações que precedem o Academy Awards. Como todos devem estar cansados de saber, os prêmios entregues na pré-temporada do Oscar, servem de baliza para se prever aquilo que ocorrerá na entrega da estatueta mais cobiçada da sétima arte. Importantes prêmios são dados no pré-Oscar, alguns com maior relevância, outros com menos. Os longas, diretores e atores vencedores dos seus respectivos sindicatos aumentam a sua chance de sair com o prêmio da AMPAS. Isso porque a maioria dos votantes dos sindicatos votam no Academy Awards, e por isso, há um alto índice de semelhança dos resultados de ambas as premiações.

Na tabela abaixo, foram elencados os vencedores dos prêmios das seguintes entidades: 1) SAG - Screen Actors Guild; 2) DGA - Directors Guild of America; 3) PGA - Producers Guild of America; 4) WGA - Writers Guild of America; 5) Golden Globe; 6) BAFTA - The British Academy of Film and Television Arts; e 7) Critics' Choice Movie. A tabulação dos dados pode ser vista a seguir:

Clique na imagem para vê-la em tamanho maior

Então, se realmente há uma equivalência desses resultados com o que vai acontecer no dia 27 de fevereiro no Teatro Kodak, pode-se dizer que:

1. Na categoria de Melhor Filme há uma disputa entre A Rede Social e O Discurso do Rei, onde o último leva uma grande vantagem por ter vencido o PGA;
2. Na categoria de Melhor Ator, Colin Firth vem levando todos os prêmios na categoria em que compete. Alguém ainda tem dúvida que o Oscar será dele?
3. Na categoria de Melhor Ator Coadjuvante não há mistérios, o nome do ano é Christian Bale que tem recebido todos os prêmios em solo americano.
4. Na categoria de Melhor Atriz sem hesitar vai dar Natalie Portman.
5. Na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, muito provavelmente, a Melissa Leo levará.
6. Na categoria de Melhor Direção há uma briga entre o Tom Hooper e o David Fincher. Mesmo o último tendo levado três dos quatro prêmios mencionados, o primeiro ganhou o mais importante deles, o DGA. Por isso, eu aposto no Hooper.
7. Na categoria de Melhor Roteiro Original, parece haver uma disputa entre A Origem e O Discurso do Rei. Mas como A Origem levou o WGA, acredito que vença o Oscar.
8. Na categoria de Melhor Roteiro Adaptado, o vencedor deve ser mesmo A Rede Social.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Black Swan (2010)

Foto 1 - Natalie Portman como Nina em 'Cisne Negro'

Quais são as implicações do stress e da cobrança do dia-a-dia? Qual o resultado da busca pela perfeição? Até onde interpretar um papel pode trazer consequências para um artista? Moldar-se ou se transformar naquilo que se espera de você é positivo? Algumas respostas para essas questões podem ser encontradas em ‘Cisne Negro’. Uma jovem bailarina busca o papel mais almejado no mundo do ballet – o de rainha dos cisnes. No entanto, apenas perfeição e técnica não são suficientes, é preciso entrega, sedução, ousadia. Natalie Portman interpreta Nina, uma jovem meiga, frágil, brilhante e com talento, mas ao mesmo tempo insegura. E é justamente essa sua última característica que dificulta o seu êxito completo na sua iniciante carreira. Ao lado de uma mãe sufocante – temente que a filha tenha o seu mesmo destino – e, de visões variadas a jovem Nina consegue o papel tão sonhado.

Dirigido por Darren Aronofsky - o mesmo de Pi (1998) e Réquiem para um sonho (2000) – ‘Cisne Negro’ consegue surpreender, assustar e atordoar o espectador com muita arte e sedução. Tratar da complexa mente humana em todas as nuances - da ambição que se transforma em loucura – parece ser uma obsessão do diretor. É claro, há a antiga escala separada pelo mal e pelo bem, no entanto, a transição destas fases não é dada em etapas estanques, mas em ondas que afogam a atriz cada vez mais em um ‘sonho real’. Nina tem um desafio: mostrar que está acima de uma suposta fragilidade que a impediria de interpretar simultaneamente o cisne branco (alegoria da inocência e singeleza) e o cisne negro (símbolo da astúcia, lascívia e malícia).

E é nesse momento que preciso falar da Natalie Portman. Que interpretação intensa! Ela transmite tão bem o seu pesadelo, que em determinados momentos ele também parece ser nosso. A obsessão de Nina é construída em cima de duas colegas de profissão. A saber, a veterana Beth (Winona Ryder), estrela forçada a abandonar a equipe por conta da idade, e a novata Lily (Mila Kunis). Enquanto a primeira ilustra uma referência do passado e do futuro decadente, a segunda personifica o concorrente interno de Nina no atual momento. “Cisne Negro” tem suas bases fincadas sob a ambiguidade e daí vem o seu maior atrativo. E diga-se, muito bem executado pela atriz principal e pelo estilo visual do longa. E nesse caso, merece menção todos os responsáveis pela produção – incluindo o elenco, o Aronofsky, o Libatique e o Mansell. A sinestesia é possível graças a opção pelos cortes ligeiros, movimentos vertiginosos de câmera e close-ups que promovem uma harmonia entre o que se vê, o que se ouve e o que se sente na tela. Por tudo isso, vale a pena conferir ‘Cisne Negro’.

Para acessar o site oficial do filme, clique aqui.

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Black Swan (Cisne Negro), Estados Unidos - 2010. Dirigido por Darren Aronofsky. Com: Natalie Portman, Vincent Cassel, Mila Kunis, Winona Ryder, Barbara Hershey. 108 minutos. Gênero: Drama, Suspense.


Nota: 9,5

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Rápidas impressões sobre o SAG Awards


E ontem foi dia do Screen Actors Guild Awards, e eu só tenho duas coisas a dizer sobre a noite. A primeira é que gostei bastante dos vencedores nas categorias principais, e a segunda, é que agora A Rede Social terá um concorrente de peso no Oscar - a saber - The King's Speech, e isso é bom!


The King's Speech - Melhor Elenco



Colin Firth
- Melhor Ator




Natalie Portman - Melhor Atriz



Christian Bale - Melhor Ator Coadjuvante



Melissa Leo - Melhor Atriz Coadjuvante


Para ver a lista completa dos indicados e dos vencedores em todas as categorias, clique aqui.

E o Blog de Ouro 'goes to'...

Quem entrar no site da SBBC (Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos) irá encontrar uma nova imagem no cabeçalho do blog. Neste último domingo foram anunciados os vencedores do ‘Blog de Ouro’, prêmio que movimenta todos os membros da SBBC, e que se encontra na sua 4ª edição. O objetivo da premiação é elencar os filmes, os atores, em suma, o melhor do cinema nacional e internacional que tenha estreado no Brasil no ano anterior ao prêmio, nesse caso, 2010. Como membro da Sociedade, votei nas duas fases. A primeira fase consiste na indicação de 5 candidatos ao prêmio. Posteriormente, após verificar os votos de todos os membros, é formada uma lista com 5 nomes de onde sairá o vencedor do ‘Blog de Ouro’ em 20 categorias. Abaixo é possível ver um quadro com as categorias, os meus votos e o vencedor por categoria do prêmio.

Para ver a imagem maior, basta clicar em cima dela.