terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Philomena (2013)

Foto 1 - Judi Dench como Philomena

Nessas últimas dez premiações do Oscar, em pelo menos seis delas, havia um filme britânico*  no pálio. Foram eles: A Rainha (2006)**, Desejo e Reparação (2007)***, Quem Quer Ser um Milionário (2008),  Educação (2009), O Discurso do Rei (2010) e Os Miseráveis (2012). Neste ano, o feito se repete, dessa vez, com Philomena (2013). Ou seja, essa é uma tendência bastante comum, inclusive, alguns desses títulos ganharam a estatueta de melhor filme. E mais do que isso, normalmente, eles são interessantes, e fogem do padrão da indústria americana. Esse é o caso do longa protagonizado pela Judi Dench e motivo deste post.

Se uma palavra pudesse resumir a ótima performance de Dench seria sutileza. Ela é uma senhora (Philomena Lee) que teve uma educação traumática e que viu momentos importantes da sua vida serem subtraídos. No entanto, não se tornou áspera, nem nutriu ódio. Alguns poderiam classificá-la como simplória, mas eu diria que ela possui a vivacidade, leveza e tranquilidade – que fará a diferença durante o filme – própria de quem já viveu, suportou e guardou um segredo por cinquenta anos.

Diferentemente da tecnicidade dos tempos recentes mostrada em Avatar (2009) e enfatizada em Gravidade (2013), Philomena (2013) ressalta a importância dos ‘filmes artesanais’. Ou seja, películas que baseadas em uma boa história, direção, atuação e fotografia, rende momentos singulares ao espectador.  Com um desenrolar interessante, ele não nos faz cair em um ‘melodrama sentimentalóide’, o que não significa ausência de emoção. Aliás, isso não falta. Minha sugestão: esteja aberto e sem amarras para ela.

*Não foram levados em consideração, para esta contagem, aqueles onde os britânicos não protagonizaram a produção. Como por ex. nos casos de: Gravidade (2013), 12 Anos de Escravidão (2013), Frost/Nixon (2008), 127 Horas (2010) e A Origem (2010). 
**Com parceria, mas sendo os britânicos os principais.
***Com parceria, mas sendo os britânicos os principais.
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Philomena (Philomena), Reino Unido/EUA/França, 2013. Dirigido por Stephen Frears. Com: Judi Dench, Steve Coogan. 98 minutos. Gênero: Drama.


Nota: 8.0 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Blue Jasmine (2013)

Foto 1 - Cate Blanchett como Jasmine em Blue Jasmine


O que falar de um filme leve, bem dirigido, envolvente e com excelentes atuações – principalmente, daquela que deveria brilhar mesmo? Pois bem, Blue Jasmine é tudo isso. Jasmine (Cate Blanchett) é uma socialite casada com Hal (Alec Baldwin) um fanfarrão-enrolador. A partir de complicações financeiras e amorosas, Jasmine se verá obrigada a morar com sua irmã – que tem modos e gostos discutíveis – Ginger (Sally Hawkins). A verdade é que o longa não possui nenhuma questão filosófica, transcendental ou nunca discutida. O fato é que Woody Allen tem se especializado nesse segmento de filmes – desde Match Point ou Vicky Cristina Barcelona, pelo menos. Desde que entrei numa sala de cinema comercial, para ver uma de suas criações, e a vi lotada – como quando assisti Meia-Noite em Paris – comecei a pensar assim. E olhe que o longa que se passava em Paris era de bem mais difícil compreensão do que Blue Jasmine. Mas enfim, quem também disse que toda película precisa ser ‘cabeça’? Ela precisa entreter, e nisso, Allen é um gênio primoroso – ou tem sido desde então. Ainda mais, quando conta com a participação da Cate Blanchett – chegou ao ponto que eu queria. Posso dizer que ela está apaixonante, incrível, linda, perfeita, neurótica? Blanchett segura a trama de ponta a ponta, todas as nuances de uma personagem em colapso mental, apoiada, diga-se de passagem, por um talentoso elenco secundário – os que já citei mais o Peter Sarsgaard. Minha crítica foi escrita em apenas um parágrafo, como se tivesse sido feita com um único suspiro. O único que sobrou após ver uma Cate Blanchett magistral, se dependesse de mim, o Oscar já estaria em sua sala de estar.
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Blue Jasmine (Blue Jasmine), Estados Unidos, 2013. Dirigido por Woody Allen. Com: Cate Blanchett, Alec Baldwin, Sally Hawkins, Peter Sarsgaard. 98 minutos. Gênero: Comédia, Drama.

Nota: 9.0 

domingo, 12 de janeiro de 2014

12 Years a Slave (2013)

Foto 1 - Chiwetel Ejiofor como Solomon em 12 Anos de Escravidão

Se na temporada passada, em Lincoln, nos foi mostrada a batalha do então presidente americano pela promulgação da 13ª emenda, em 2013, novamente, um tema histórico focando na condição do negro surge. 12 Anos de Escravidão conta a saga real de Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), negro nascido livre que é transformado em escravo. No entanto, o novo enfoque está em como isso acontece. Solomon vive em Nova Iorque com sua família, e ostenta uma boa qualidade de vida, juntamente, com uma capacidade invejável de articular ideias e persuadir, contudo, uma viagem à Washington, D.C., mudará sua vida.

Tirando esse aspecto novo, o restante do longa é cheio de lugares comuns que todos nós já conhecemos, principalmente, por sermos brasileiros e também termos um passado escravocrata. Entretanto, se aqui os negros produziram, dentre outras, a riquíssima manifestação cultural que chamamos samba, lá, o fruto do trabalho pesado, das chicotadas, dos maus tratos, enfim, das péssimas condições de vida, deram origem ao blues. Estilo esse que seria importantíssimo para o desenvolvimento do jazz e do rock and roll, por exemplo. Mostrar essa nuance é um ponto positivo do roteiro.

Apesar de nos fazer pensar sobre a ‘criatividade’ humana para burlar leis, acredito que 12 Anos de Escravidão não seja o melhor filme do ano passado. E que também não possui o melhor elenco da temporada – visto que ele foi indicado ao SAG nessa categoria. Chiwetel Ejiofor apesar de não atrapalhar o desenrolar da trama, também não se destaca. Sua performance pode ser classificada como morna, mesmo que o seu personagem exigisse maiores arroubos dramáticos. Ainda não vi a atuação dos outros atores cotados ao Oscar, mas diante mão, ele não me empolgou. Por outro lado, a Lupita Nyong'o que interpreta a Patsey e que sofre os abusos do seu senhor e da esposa dele, me chamou a atenção, olho nela! Por fim, como eu acredito que algumas coisas sempre precisem ser discutidas e mostradas, eu recomendo o filme, mas saiba que você não terá grandes surpresas.
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12 Years a Slave (12 Anos de Escravidão), Estados Unidos, 2013. Dirigido por Steve McQueen (II). Com: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Lupita Nyong'o, Paul Dano, Brad Pitt. 133 minutos. Gênero: Biografia, Drama, Histórico.
Nota: 7.5 

sábado, 4 de janeiro de 2014

Gravity (2013)

Foto 1 - Sandra Bullock em Gravidade

Ryan Stone (Sandra Bullock) é a estrela do filme Gravidade. Ela interpreta uma astronauta que juntamente com Matt Kowalsky (George Clooney) trabalham no conserto do telescópio Hubble. Tudo vai bem, até que estilhaços de um equipamento russo passam a colidir com outros objetos e a causar uma série de estragos, explosões e mortes. Daí em diante, o longa centra-se na tentativa de sobrevivência da Dra. Ryan.

Não vi a trama em 3D, nem em IMAX e, provavelmente, com estes recursos deve-se ter sensações diferentes daquelas que experimentei. Não sou um técnico, mas sem dúvida, a película deve ter trazido novas tecnologias de captação de imagens, efeitos especiais e tem uma excelente fotografia, não há como negar isso. No entanto, a técnica em si nunca me encheu os olhos – basta ler a minha crítica sobre Avatar.

Se por um lado, meu conhecimento é rasteiro no aspecto da técnica, por outro, sei apreciar bem um bom argumento, trama e diálogos. E nesse campo, o filme deixa, e muito, a desejar. O filme Gravidade é tão raso que só consigo escrever um parágrafo de cinco linhas sobre seu enredo. E, diga-se de passagem, apenas de forma descritiva, visto que ele não possui um propósito ou questão. Na minha inocência, pensei que ele trouxesse algum mote à la Solaris ou 2001, ledo sonho e engano. Mas mesmo raso nesse sentido, ele ainda poderia ser um bom suspense, mas nem isso. Situações esperadas são as únicas coisas que os roteiristas conseguem nos entregar.

Para mim, é um filme demasiadamente valorizado. Sandra Bullock – que provavelmente será indicada ao Oscar de Melhor Atriz, não sei como – tem apenas uma expressão facial o filme todo, a de desespero, que inclusive lembra muito a ‘emoção’ transmitida pela Leigh Anne Touhy de Um Sonho Possível. Em suma, a contar o burburinho positivo de várias pessoas, os deuses devem estar realmente loucos. Que filme algum se preocupe com essa gravidade que não atrai nada.
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Gravity (Gravidade), Estados Unidos, 2013. Dirigido por Alfonso Cuarón. Com: Sandra Bullock e George Clooney. 90 minutos. Gênero: Drama, Ficção Científica, Suspense. 
Nota: 6.0

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

August: Osage County (2013)

Foto 1 - Meryl Streep e Julia Roberts em Álbum de Família

Uma família percebe o seu grau de desunião depois da morte do seu patriarca. Aparentemente, uma história banal, pois não é o primeiro filme a se utilizar desse enredo, depois, porque poderia ser a casa de qualquer um. A não ser pelo fato dela ser habitada por Meryl Streep (Violet Weston/Vi) e Julia Roberts (Barbara Weston). Streep interpreta uma mãe complexa, ao mesmo tempo, irônica e dominadora, cômica e autoritária, frágil e controladora. Carrega consigo uma infância problemática, segredos e aquilo que há de mais sujo e vulgar no relacionamento com seu marido, irmã e filhas. Por outro lado, Roberts passa por uma situação familiar complicada. Enfrenta uma separação simbólica e uma filha adolescente que não possui bons exemplos caseiros.

Em suma, é um lar habitado por “mulheres à beira de um ataque de nervos”, e isso, porque nem mencionei as histórias de vida dos outros personagens que acabam de dar o tempero nesse molho emocional. O longa é repleto de diálogos tensos, desafiadores e de indiretas. Apenas em uma única tomada – a da refeição pós-enterro, por exemplo, Vi(bora), consegue perturbar mentalmente todos à mesa. Com sua aguçada percepção, ela capta as entrelinhas das falas dos seus interlocutores e consegue se munir de fatos que, com certeza, logo em seguida serão utilizados contra quem quer que seja. À primeira vista, é um filme bem pesado, pois conta os dramas e esmiúça os podres de uma típica família – norte-americana –, entretanto, é possível dar muitas e boas gargalhas durante seu desenrolar. A propósito, não achei que a Meryl passou do ponto, tom ou seja lá o que for. Você já discutiu com a sua mãe por razões bem mais banais que aquelas tratadas no filme e sabe como ela reagiu, não sabe? Então você concorda comigo.

Sou suspeito para falar, visto que sempre acho de bom grado ver a Streep, ainda mais, quando ela é acompanhada várias vezes pelo som do Eric Clapton. Não sei se vale um Oscar, mas com certeza, mais uma indicação, a sua décima oitava. Também não sei como, pois achei que nunca escreveria isso, mas a Julia Roberts cumpre muito bem com o papel de primogênita. É a típica filha preferida dos pais, aquela que tem o poder de tomar as rédeas nos momentos difíceis, que será ouvida, sendo as outras irmãs apenas meras observadoras. No Brasil, a película recebeu o nome de “Álbum de Família”, mas “Casos de Família” – programa produzido e exibido pelo SBT – também lhe cairia muito bem. Atire a primeira pedra aquele que não conseguir se colocar em alguma situação do longa, ou identificar algum parente que se assemelhe aos personagens. Este foi o melhor programa que eu poderia ter feito nesse penúltimo dia do ano.
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August: Osage County (Álbum de Família), Estados Unidos, 2013. Dirigido por John Wells. Com: Meryl Streep, Julia Roberts, Chris Cooper, Margo Martindale, Ewan McGregor, Abigail Breslin, Juliette Lewis, Sam Shepard. 121 minutos. Gênero: Comédia, Drama.
Nota: 8.5

sexta-feira, 23 de março de 2012

Elizabeth Taylor tribute by Paul Newman

Para marcar 1 ano da morte dessa grande atriz.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

The Bridges of Madison County (1995)

Foto 1 - Meryl Streep e Clint Eastwood em As Pontes de Madison

“Os velhos sonhos eram bons sonhos. Não se realizaram, mas estou feliz por tê-los tido.” Essas duas frases – retiradas do filme – podem resumir a história contada em As Pontes de Madison. Durante quatro dias, Francesca, uma italiana, interpretada por Meryl Streep, tem um romance com um fotógrafo – Robert Kincaid (Clint Eastwood). Francesca é uma típica dona de casa. Ela vive em função dos seus dois filhos e marido, razão pela qual também largou o seu trabalho. Enquanto faz tudo por estas pessoas, como aprendeu que deveria, pouco recebe em troca. Ela é uma mulher sonhadora e apaixonada pela vida, mas ficou confinada a ter um dia-a-dia pacato e se doou em prol da família. Ela era feliz? Possivelmente, não. Na verdade, a vida que levava não era aquela com a qual sonhou. Então, por que não largar tudo e começar uma nova? Essa é uma pergunta fácil de ser formulada e difícil de ser respondida. De fato, para o contexto social em que vivia, esse não era um caminho simples para ser tomado.

Inesperadamente, nestes quatro dias, Francesca se envolve com este homem que traz à tona todos os desejos que ela guardou por mais de vinte anos. Ela viu em Robert a chance de realizar tudo aquilo que sempre almejou. Conhecer pessoas, ter novas vivências, viajar e descobrir um mundo que só conhecia através de relatos e de leituras. Para os olhares moralistas, esta é uma história de traição. No entanto, para os menos hipócritas, é um relato sobre descobrimento e auto-estima. Contra toda a história de amor vivida, em menos de uma semana, uma mulher resolve abrir mão de sua suposta felicidade para continuar na sua vida de detalhes. Com filhos que mal falam com ela e que não respeitam seu espaço (vide a cena que a filha tira o rádio da sintonia colocada pela mãe). Este é um bom filme para pensarmos sobre nossas próprias vidas e nosso relacionamento com nossos pais.

Além disso, há uma estupenda atuação do casal Streep e Eastwood. No entanto, não é possível dizer o mesmo do casal que representa os filhos da Francesca. Os dois atores principais estão em total sintonia e dão uma performance daquelas inesquecíveis. Estão, com certeza, na lista dos melhores casais já vistos na história do cinema. Meryl Streep com toda ternura e vivacidade, mostrando ao mesmo tempo uma mulher sonhadora e fiel à sua família. Por outro lado, o Clint Eastwood, que também dirige a película, mostra um homem viajado e conhecedor de outras culturas, que descobre a mulher com quem gostaria de passar o resto dos seus dias. Sendo um pouco menos utópico, de fato, não se sabe até quando esse romance se sustentaria. A mudança é algo muito difícil, ainda mais, quando envolve várias outras pessoas, como seria neste caso. Todavia, como mostrar coisas belas e nos fazer imaginar é um dos objetivos da sétima arte, o desfecho do longa é satisfatório e o mais provável de acontecer. Lembro de ter visto, pela primeira vez o longa, num final de semana, à noite, quando tinha por volta dos 12 anos, desde então me emociono cada vez que o vejo. Na época, nem sabia da grandeza dos seus atores, porém, aquelas atuações e história ficaram gravadas na minha memória.
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The Bridges of Madison County (As Pontes de Madison), Estados Unidos, 1995. Dirigido por Clint Eastwood. Com: Clint Eastwood, Meryl Streep. 135 minutos. Gênero: Drama, Romance.

Nota: 8.5

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Apenas Meryl Streep...

Foto 1 - Streep no Oscar de 2012

O mundo cinéfilo acordará mais feliz nesta segunda-feira. Após 29 anos e 12 tentativas, Meryl Streep conseguiu a sua terceira estatueta do Oscar. Não sei se coincidência, mas ao vencer na mesma categoria pela Escolha de Sofia, a atriz também vestia dourado. Misticismo a parte, o importante foi presenciar esse momento histórico, e que nem uma criança, não se conter de emoção.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Panorama pré-Oscar 2012

Todos os anos, o período que antecede a entrega do Oscar meche com os amantes do cinema e a mídia especializada. Em 2012, a temporada de premiações será encerrada no dia 26 de fevereiro com mais um Academy Awards. Como todo prêmio que se preze, expectativas e nomes de possíveis vencedores são lançados e comentados nos círculos de amizade e convívio. Para além da torcida, uma forma inteligente de indicar possíveis vencedores é através da análise da trajetória dos filmes em premiações que precedem o Oscar. Os prêmios entregues no pré-Academy Awards, servem de baliza para se prever aquilo que ocorrerá na entrega da estatueta mais cobiçada da sétima arte. Importantes prêmios já foram dados desde janeiro, alguns com maior relevância, outros com menos. Os longas, diretores e atores vencedores dos seus respectivos sindicatos aumentam a sua chance de sair com o prêmio da AMPAS. Isso porque a maioria dos votantes dos sindicatos votam no Academy Awards, e, por isso, há um alto índice de semelhança dos resultados dessas premiações.

Nas tabelas abaixo, foram elencados os vencedores dos prêmios das seguintes entidades: 1) SAG - Screen Actors Guild; 2) DGA - Directors Guild of America; 3) PGA - Producers Guild of America; 4) WGA - Writers Guild of America; 5) Golden Globe; 6) BAFTA - The British Academy of Film and Television Arts; e 7) Critics' Choice Movie. A tabulação dos dados pode ser vista a seguir (clicando nas tabelas é possível vê-las ampliadas):


1. Na categoria de Melhor Filme o vencedor deve mesmo ser O Artista que tem levado uma série de importantes prêmios. A vitória de Os Descendentes no Globo de Ouro, a esta altura do campeonato, não parece ser tão relevante. No entanto, é bom ficar atento ao filme Histórias Cruzadas que levou o SAG e o Critics' Choice pelo melhor elenco, e que ganhou a simpatia do público americano.

2. Na categoria de Melhor Ator apesar do George Clooney ter vencido dois prêmios - dentre eles, o Critics' Choice - provavelmente, não impedirá o Jean Dujardin de levar o Oscar, afinal de contas, ele foi o vencedor do SAG.

3. Como nos dois anos anteriores, a categoria de Melhor Ator Coadjuvante tem sido uma barbada. Não há dúvidas que o vitorioso será o Christopher Plummer.

4. Na categoria de Melhor Atriz temos novamente o dilema Meryl Streep. Até o momento, a Viola Davis tem bastante vantagem por ter vencido os dois mais importantes prêmios em solo americano nesta categoria. No entanto, algo me faz pensar na vitória da Meryl Streep, diferentemente daquilo que eu dizia em 2010.



5. Na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, da mesma forma que nos dois últimos anos, todos já sabem quem será a vencedora. Com absoluta certeza, ouviremos The Oscar goes to... Octavia Spencer.

6. Na categoria de Melhor Direção o vitorioso deverá ser o francês Michel Hazanavicius. Ele que levou o importante prêmio do Directors Guild of America não deverá sair de mãos abanando do Kodak Theatre.

7. Na categoria de Melhor Roteiro Original, apesar do Woody Allen ser avesso a premiações do tipo Oscar, o seu filme Meia-noite em Paris deverá se sagrar vencedor do próximo Academy Awards.

8. Na categoria de Melhor Roteiro Adaptado, mesmo com o aparente embrolho, e a estatueta sendo disputada por três filmes, o vencedor deverá ser Os Descendentes (apesar da minha antipatia pelo longa).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

The Iron Lady (2011)

Foto 1 - Meryl Streep como Margaret Thatcher

Acho que as pessoas que andam falando mal de ‘A dama de ferro’ estavam na verdade querendo um documentário. Um daqueles que tratasse detalhadamente sobre a deflagração da Guerra das Malvinas e do modelo neoliberal implementado pelo governo Thatcher. Mesmo esses sendo temas importantíssimos da agenda política dos anos de 1980, tal como a queda do muro de Berlin, eles não são o foco da película. Da mesma maneira, que quem não conhece um pouco sobre sistemas de governo e sistemas eleitorais, também não conseguirá entender como foi que ela chegou ao poder sendo a líder do partido conservador. E por isso o roteiro deveria incluir uma aula de ciência política para suprir essa falta de informação? Não! Na verdade, o filme é maior do que essas coisas. Há um aspecto mais relevante para mim. É a ênfase constante, mesmo que não de maneira enfática, na ambição e no desejo dela de fazer algo em um mundo dominado apenas por homens. Pode-se discordar dos seus feitos, legado e maneira de agir, mas não há como negar a relevância que teve uma mulher ocupar o cargo de primeiro-ministro e, ainda mais, pelo partido conservador britânico. Nesse aspecto, ela foi tão ou mais progressista do que uma Simone de Beauvoir.

Talvez tenha faltado um pouco ao filme, não propriamente uma contextualização histórica, a que foi feita me deixou satisfeito. Quem sabe uma melhor abordagem dos bastidores do poder. Isso foi feito, mas de maneira superficial. Ela que sofria de um duplo preconceito, primeiro por ser mulher e, segundo, por ter se originado de uma família não muito abastada. Assim, o seu enfrentamento diário e sistemático para firmar posição nesse ambiente fosse mais instigante e rendesse uma película mais interessante. Tratar mais desses aspectos e menos do seu relacionamento com o marido morto, nas suas crises de ‘loucura’, renderia um trabalho de melhor nível. Afinal de contas, todos nós estamos sujeitos a envelhecer e, quiçá, passar pelos mesmos devaneios, no entanto, fincar o nome na história é para poucos e, isso sim é admirável e merece discussão!

Outro argumento que anda circulando nas críticas é que se a Streep não estivesse no filme, ele seria pior do que já é, como também, o fato de que alguns atores estão subaproveitados. Ora, o longa é sobre a Thatcher, queria-se o quê? Que o seu marido se sobressaísse na trama? Palmas para a diretora e os produtores que escolheram a Meryl Streep e deram a ela, se não o melhor papel em termos próprios, mas o melhor que ela interpretou nos últimos dez anos. Precisa, convincente, humana e incisiva (quando necessário), impecável. Sou um dos que advoga pela repercussão da Viola Davis, mas a Streep em termos de papel e atuação de atriz principal leva bastante vantagem. Parece que o filme foi feito sob encomenda para ela brilhar, e ela o faz. Dentre todas as oportunidades que a Streep teve de levar o Oscar nesses últimos dez anos, se ela não o levar esse ano, será o caso de maior injustiça já feito na história da premiação contra ela. Tirando o lado de fã (aliás, a análise feita é bastante racional), em todos os aspectos ela está surpreendente, seja com a ajuda da boa maquiagem para interpretar a ex-primeira-ministra no avançar da idade, seja ela na sua batalha diária no Parlamento. Que mulher, que atriz, que atuação!
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The Iron Lady (A Dama de Ferro), Reino Unido, 2011. Dirigido por Phyllida Lloyd. Com: Meryl Streep, Jim Broadbent. 105 minutos. Gênero: Biográfico, Drama.

Nota: 7.5

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

The Girl with the Dragon Tattoo (2011)

Foto 1 - Rooney Mara e Daniel Craig

Devo admitir que The Girl with the Dragon Tattoo não seria um filme que me faria sair de casa para ir ao cinema. No entanto, apesar dessa minha indisposição, acabei vendo o filme e, contra as minhas expectativas, até que ele me surpreendeu. E o início do filme já é muito bom com a versão que eles utilizam de Immigrant Song do Led Zeppelin. Só acho que os serial killers dos filmes deveriam se reinventar, ainda mais, quando se trata do mesmo diretor. Ter suas mortes inspiradas por passagens bíblicas (ou algo que o valha) não tem mais graça, desde Seven, inclusive, do mesmo diretor de Millennium.

Todos os atores estão muito bem, a propósito, o Christopher Plummer aparece bem melhor nesse longa quando comparado ao seu premiado papel em Beginners. Com personagens fortes e bem interpretados unido aos mistérios e segredos de família, Fincher consegue produzir uma trama tensa e inquietante. Além disso, há uma miscelânea de temas tocados que são para todos os gostos. Desde violência (no sentido mais amplo que houver) contra mulheres, ao nazismo, assassinato e um quê de jornalismo investigativo. Cenas impactantes tomam conta da película e, o diretor não faz questão de escondê-las.

Apesar da história não cansar em nenhum momento, acredito que ela poderia ser reduzida. O diretor poderia muito bem ter focado na investigação dos crimes e, esquecido a vida pregressa do Mikael Blomkvist (Daniel Craig), bem como o que a Lisbeth Salander (Rooney Mara) faz depois de desvendar o crime. Aliás, a tentativa de prender o expectador com a transformação dela na mocinha que se apaixona pelo galã-garanhão não está com nada. Tenho certeza que todos a preferiam do jeito enigmático, sarcástico e vingativo que nos é apresentado no início. Diferentemente, do L'Homme qui Aimait les Femmes (O Homem que amava as mulheres), do Truffaut, não se ver um conquistador que conta os seus inúmeros casos e paixões, mas vê-se o desvendar de um mistério familiar que envolve mulheres torturadas e violentadas.
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The Girl with the Dragon Tattoo (Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres), Alemanha/Estados Unidos/Reino Unido/Suécia, 2011. Dirigido por David Fincher. Com: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård. 158 minutos. Gênero: Policial, Suspense.

Nota: 7.5

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

We Need to Talk About Kevin (2011)

Foto 1 - Tilda Swinton e os vários Kevins

Não sei precisamente qual o argumento defendido por ‘Precisamos falar sobre o Kevin’. Na verdade, talvez até tenha entendido a linha de raciocínio do roteiro, o problema é que discordo completamente dele. Aparentemente, ele quer reforçar a tese de que as pessoas já nascem predestinadas a algo. Que existe um ‘instinto assassino’ inerente ao ser humano e, incontrolavelmente forte, em alguns indivíduos. Pois bem, não acredito nem em coisas predestinadas, nem em instintos. Tenho convicção que da mesma forma que escolhemos uma religião, um partido político, um time de futebol, etc, somos levados socialmente, pelo pertencimento a determinados grupos sociais a assumir certas preferências e não outras. Não se trata de uma necessidade biológica, não há um gene que predetermine esse comportamento, tal qual há naqueles com diabetes e sua deficiência em quebrar a molécula de glicose, ou entre os daltônicos e seu problema em distinguir o verde do vermelho.

Por outro lado, em que mundo vivia a família e, especificamente, a mãe do Kevin? Será que ela nunca ouviu falar em terapia, em psicólogos? Talvez o longa sirva para chamar atenção no tocante a responsabilidade dos pais sobre as futuras atitudes dos filhos. Muitas vezes, durante o filme, eu fiquei em conflito, em certos momentos, achava que a mãe tinha culpa, em outros, pensava, coitada dessa pobre mulher. A verdade é que o filho a manipulava e conseguia ser roteirista, ator principal e diretor de todos os momentos naquela família. Aparenta conservadorismo, mas sem respeito a determinadas regras, não há como pessoas coexistirem. Quando se vive em um ambiente mais harmônico, essas regras são menos enfatizadas, no entanto, na situação vivida no filme, elas precisam ser permanentemente reiteradas e reforçadas.

Tilda Swinton está perfeitamente incrível e simetricamente desempolgante. É aquele tipo de papel onde a atriz controla a personagem nos mínimos detalhes, mostra-se totalmente imersa na história, mas não consegue ser avassaladora e arrebatadora. De fato, ela me convence e eu consigo entender o deserto que sua vida se transforma a partir do desenrolar da trama. Vejo uma comunidade que nunca mais irá aceitá-la e, a repercussão disso no seu cotidiano. Nunca mais, o estigma e o vermelho tão presente durante toda a película irá desaparecer da sua memória e da sua existência. A Swinton consegue, muito bem, nos transmitir todos essas nuances, mas não nos entusiasma. Em suma, é um bom filme, com boas atuações e que merece ser visto, apesar do seu desfecho pouco convincente.
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We Need to Talk About Kevin (Precisamos Falar Sobre o Kevin), Estados Unidos/Reino Unido, 2011. Dirigido por Lynne Ramsay. Com: Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller. 112 minutos. Gênero: Drama, Suspense.

Nota: 7.5

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

"To dream big and dream fierce"

Foto 1 - Viola Davis com o seu The Actor

Muitos esperavam por um resultado diferente, ontem, durante a entrega do The Actor na categoria de melhor atriz/cinema - inclusive, eu. No entanto, como previa na postagem sobre o filme Histórias Cruzadas (The Help), que a disputa nas premiações de 2012, estaria entre a Viola Davis e a Meryl Streep, e não entre a Streep e a Glenn Close. Difícil é imaginar, agora, como será o Oscar. Das 17 edições do SAG Awards, apenas em 5 situações, a vencedora do sindicato dos atores não levou a estatueta do Oscar. Parece que a Streep terá que esperar por uma nova oportunidade. Digo isso baseado no fato de que: se ela não levou o Oscar quando concorria com a Sandra Bullock, como ela conseguirá arrancar de uma candidata bem mais forte e qualificada, que atuou em um filme amplamente aceito pelos americanos? Lembrando que a Bullock levou ambos os prêmios. Contudo, voltando para a Viola Davis, não se pode negar que foi merecido. E digo mais, foi um dos melhores momentos da noite (pena que no vídeo, não é mostrado o momento em que ela ouve o seu nome sendo anunciado), juntamente, com a vitória da Octavia Spencer, e do filme "The Help" em melhor elenco. E como a Viola Davis disse em seu discurso (que pode ser visto abaixo) devemos: “[...] to dream big and dream fierce.”


sábado, 21 de janeiro de 2012

The Help (2011)

Foto 1 - Octavia Spencer, Viola Davis e Emma Stone

Recentemente, um fenômeno passou a acontecer no cinema americano. Em 2009, foi lançado nos Estados Unidos, Precious: Based on the Novel Push by Sapphire, filme que chamou a atenção pelo enredo, e pelas atuações das suas principais atrizes, tendo a coadjuvante ganhado todos os prêmios da temporada. São filmes que contam as histórias dos milhares de negros que vivem no País, e que ainda carregam marcas históricas de anos de exploração e discriminação. Ano passado, foi lançado no mercado estadunidense o filme – The Help – que no Brasil recebeu o nome de Histórias Cruzadas, e que tem estado presente nas principais premiações desse ano.

Diferentemente de Precious que conta a história da degradante condição de vida de uma garota negra nos Estados Unidos pós-Luther King, e pós luta pelos direitos civis e políticos, The Help passa-se ainda no estado do Mississipi extremamente segregacionista e dominado pela Klu Klux Klan. Apesar desse não ser um tema novo na cinematografia daquele país, vide um clássico como Mississipi em Chamas, a perspectiva para se tratar a questão o é. A partir do ponto de vista das empregadas domésticas nos é revelada as condições subumanas de tratamento, onde não existe Estado de Direito algum para a população negra. Aliás, o mais constrangedor, é que as próprias práticas nem podem ser consideradas ilegais, pois elas são tuteladas pelo próprio Estado. Diferentemente do Brasil onde o preconceito é latente, nos EUA, especificamente nos estados sulistas, ele era institucionalizado e legitimado pelos agentes públicos.

Além disso, nele está claramente representado, aquilo que os sociólogos costumam chamar de reprodução social*. Por gerações e gerações, são negadas as oportunidades à população negra sistematicamente. E por isso, o ciclo vicioso permanece constante e ativo. A nova geração acaba tendo o mesmo destino dos seus antepassados que viveram no país nos séculos 18 e 19. Assim, as funções menos remuneradas, e que normalmente requerem maior esforço físico são destinadas a esse grupo social. No entanto, o irônico é entender como ao mesmo tempo eles são considerados brutos, sujos e incivilizados são responsáveis pelos filhos dos brancos em uma etapa da vida onde as crianças estariam suscetíveis a aprender todos esses supostos maus hábitos.

Diante de todo esse cenário, uma jovem, recém formada, voltando da universidade se depara com uma realidade que não lhe atrai. Com outros valores, chega à cidade e vai à busca de um emprego, algo considerado bastante estranho para o grupo social do qual participava. Aliás, ir à universidade já era algo incomum para as jovens como ela. Tentando ser útil, e não apenas se acomodar no cargo de escritora de uma coluna estupidamente banal, ela tem a ideia de escrever um livro contando pelo ângulo das empregadas domésticas, as suas relações com as famílias brancas. Apesar de não ocorrer em todos os casos, o quadro dominante era o pior possível. Era em suma, a segregação racial sendo ensinada nos próprios lares, na frente das crianças. Crianças que enquanto jovens adoravam suas babás, mas que quando cresciam, tornavam-se os novos tiranos.

O último aspecto que quero destacar é a atuação da Viola Davis. Atriz que venho observando desde filmes como Dúvida, Syriana, Longe do Paraíso, está brilhante no papel de Aibileen. Babá que sofreu na pele – isso fica até redundante – as marcas do racismo, com a perda de um filho. Ela chega a estar tão convincente, que mesmo não sendo a atriz principal do longa, foi indicada ao Globo de Ouro, SAG, e, provavelmente, Oscar, nessa categoria. Ainda não vi a Meryl Streep em A Dama de Ferro, mas uma coisa eu sei, que se há uma disputa, ela não é entre a Glenn Close e a Streep, mas entre a Viola Davis e a Streep. Por fim, porém, não menos importante, está a surpreendente Octavia Spencer, no papel de Minny Jackson. Ao mesmo tempo durona e divertida, apesar de todo seu sofrimento, consegue nos arrancar boas gargalhadas. Certamente, ela será a vencedora de todos os prêmios pré-Oscar, e com certeza ouviremos o The Oscar goes to... Octavia Spencer. Em suma, diante do péssimo ano com relação a cinema, eis que surge um daqueles que eu posso dizer imperdível.

*Reprodução social não significa apenas a repetição da cultura atualmente existente, mas também na repetição, na conservação, da própria estrutura social e do sistema de status e papéis sociais existente. Assim, a reprodução social é um modo de manter as desigualdades sociais, econômicas, políticas, etc.
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The Help (Histórias Cruzadas), Emirados Árabes/Estados Unidos/Índia, 2011. Dirigido por Tate Taylor. Com: Viola Davis, Octavia Spencer, Mary Steenburgen, Emma Stone. 146 minutos. Gênero: Drama.

Nota: 9.0

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Forrest Gump (1994)

Foto 1 - Tom Hanks como Forrest Gump

A história política e cultural de um país, durante mais ou menos três décadas, é contada e vivenciada por um personagem. Esse personagem é Forrest Gump. Ingênuo, bobão, pouco ambicioso, talvez sejam adjetivos que possam defini-lo, mas uma coisa é certa, sua experiência, seus momentos, os lugares que conheceu, pouquíssimos tiveram a chance de apreciar ou experimentar. Ele que tinha como lema que “a vida é como uma caixa de chocolate, você nunca sabe o que vai encontrar”.

Alguns temas são tocados no longa, tais como os frequentes atentados aos presidentes dos Estados Unidos, a questão da segregação racial e do grupo Ku Klux Klan, a Guerra do Vietnã, o movimento hippie, os panteras negras, a era disco, o caso Watergate, a luta americana contra o Comunismo. Também artistas e marcas mundialmente conhecidas como o Elvis Presley, a Joan Baez, o John Lennon e a Apple são lembradas. Enfim, de forma leve e pouco engajada, os roteiristas conseguem deixar um recado, por exemplo, ao se referir a KKK é dito que é preciso lembrar que às vezes nós fazemos coisas sem nenhum sentido.

O roteiro tinha tudo para ser monótono, visto que seu alicerce está na descrição dos fatos com o ator principal sentado em um ponto de ônibus. No entanto, todos os fatos que vivenciou, e onde em alguns foi determinante, evitam a mesmice e as mais de duas horas passam voando! Outro aspecto, é que esse é o filme que deve ter a melhor seleção de músicas de todos os tempos. Realmente, ouvir várias músicas bacanas ao longo da película me fez sentir bem.

Forrest mostra que o menos é mais. A vida do protagonista nunca foi um parque de diversões. Com um QI abaixo da média, sempre foi discriminado, mas em variados graus teve o apoio de quatro pessoas: sua mãe, Jenny, Bubba e do Coronel Ten. Na verdade, o filme é um jogo com os próprios espectadores. Nossos valores são constantemente questionados sem que percebamos. A forma como vemos e encaramos a vida é contrastada com a do protagonista – que segundo nossa concepção possui certa incapacidade mental. Forrest Gump – O Contador de Histórias, mostra que estamos sujeitos a situações imprevistas, por vezes curiosas, mas que são nelas que encontramos pessoas especiais. Tal como o Almodóvar gosta de fazer, é a vida entrelaçando várias biografias, de uma maneira admirável e sem explicações.
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Forrest Gump (Forrest Gump - O Contador de Histórias), Estados Unidos, 1994. Dirigido por Robert Zemeckis. Com: Tom Hanks, Sally Field, Robin Wright, Gary Sinise, Haley Joel Osment. 142 minutos. Gênero: Comédia, Drama.

LinkNota: 10.0

sábado, 26 de novembro de 2011

Cazá, cazá, cazá!!!

O vídeo já diz tudo! Vamos, vamos, meu Leão, agora na 1ª divisão!!!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Trailer do filme 'The Iron Lady'

Vendo o trailer, deu uma vontade imensa de ver o filme imediatamente!


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei (2008)

Foto 1 - Wilson Simonal

A emergência e o declínio de uma estrela é disso que trata Ninguém sabe o duro que dei. No entanto, nas entrelinhas, é tocado no tema do racismo – fenômeno tão característico da sociedade brasileira –, e na sua vida desregrada, de uma pessoa que ascendeu de uma classe popular para ter vários fãs, carros, mulheres e uma cobertura em Ipanema. Certa vez o Addison DeWitt - personagem do George Sanders em All About Eve – disse para Eve que: Era chegada a hora dela se desfazer um pouco da sua humanidade. Que todos eram vaidosos, e não fazer nenhum alarde era tão falso quanto o fazer em excesso. Se você estende o argumento para alguém que acredita dominar públicos e estar acima de tudo e todos, você consegue entender a personalidade artística do Simonal.

O seu declínio, aliado a supostas perseguições de várias ordens (políticas, raciais, artística), foi ajudada e muito por suas próprias atitudes. Artista brasileiro com inúmeros shows durante o seu apogeu, contabilizando quase um por dia no final dos anos de 1960, que cantou com a Elis Regina e a Sarah Vaughan – esta última, considerada por muitos, junto com a Billie Holiday e a Ella Fitzgerald, integrante da ‘santíssima trindade’ do jazz – teve os seus últimos dias relegado ao anonimato. Numa época de forte confronto ideológico, onde visões reducionistas da realidade era moda – e que por incrível que pareça continua na cabeça tacanha de alguns – dividia os artistas engajados, dos alienados, e mais que isso, os associavam à ditadura.

Não acredito que o não engajamento o tenha feito cair no esquecimento, vários outros não seguiram por esse caminho e nem por isso foram levados ao ostracismo, o caso mais exemplar que me vem à cabeça é o da Rita Lee – que pouco estava se interessando pelo momento político do País, e mais queria saber das drogas. Cada um com as suas opções. Acho na verdade que o principal problema do Simonal foi achar que estava acima do bem e do mal, e ter dado pronunciamentos dizendo ser ‘amigo’ do regime militar. Além disso, a entrevista com o suposto contador que teria desviado seu dinheiro, se verdade, é chocante, e o final do Simonal justificável. Nesse sentido, ele mesmo potencializou toda raiva, inveja (ou como queiram chamar) das pessoas que estavam predispostas ao ver na ruína.

Com inegável talento, mas pouco disciplinado na condução da sua vida artística, Simonal torna-se um exemplo dos resultados de uma vida sem planejamento e pior, do fato de se achar intocável, um deus - 'malandragem' tem limite. Acabou os seus últimos dias tentando se justificar, sem conseguir ter êxito. Morreu ainda jovem (62 anos), esquecido, e com certeza, bastante debilitado por conta de problemas no fígado, reflexo de suas angústias e de escolhas tomadas no passado.

Quem se interessar pelo documentário pode vê-lo na íntegra a seguir:

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Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei, Brasil, 2008. Dirigido por Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal. Com: Chico Anysio, Tony Tornado, Sérgio Cabral, Simoninha, Bárbara Heliodora, Luís Carlos Miele, Nelson Motta, Ziraldo. 84 minutos. Gênero: Documentário.

Nota: 10.0

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

The Letter (1940)

Foto 1 - Bette Davis implacável como Leslie Crosbie em 'A Carta'

A partir dos interesses envolvidos, a história de um assassinato, pode ter muitas versões. No entanto, a existência de uma carta altera todo o desenrolar dos fatos, e aponta para um único caminho, o da verdade. ‘A Carta’ é a terceira parceria do diretor William Wyler com a atriz Bette Davis. Nele, a atriz interpreta a Leslie Crosbie, uma mulher que desde a primeira cena mostra-se calculista e autocentrada – sendo esse estereótipo reforçado pelo hábito da personagem de fazer clochê. Além disso, a primeira cena já é bastante impactante e pouco convencional para um filme produzido em 1940 pelo fato de ser realizada por uma mulher. Estou me referindo ao momento da morte do Jeff Hammond e aos momentos que seguem, onde ela conta o que ocorreu ao marido e a outros personagens.

A partir daí inicia-se um procedimento legal que caminha para que a ré seja inocentada, pois ela teria cometido o assassinato em legítima defesa. Até que um evento inesperado acontece. Junto ao corpo havia uma carta da Leslie que contradizia o álibi de que há muito ela não mantinha contato com o Jeff. Inclusive, a cena em que a Leslie é colocada contra a parede pelo seu advogado é ótima. É aquele tipo de situação em que se dá corda para a pessoa se enforcar e onde a pessoa mente descaradamente, até o momento que a verdade surge, e o mentiroso fica procurando um buraco para se esconder.

Entre chantagens, compra de provas e envolvimento direto do advogado nesses crimes, Leslie consegue ser inocentada. Mesmo conseguindo o perdão de todos, inclusive do marido, ela mesma não consegue esquecer a motivação do crime. Bette Davis tem uma ótima atuação, sempre precisa e bastante controlada em seus gestos e nas suas falas. Ela consegue fazer muito bem esses papéis que normalmente não tem a simpatia do público. Não é nada que se compare à Regina Giddens de The Little Foxes, mas Leslie Crosbie em menor dose também é manipuladora, simulada, egocêntrica e egoísta.

O longa não chega a entrar no hall dos memoráveis, mas está cheio de bons momentos da Bette Davis. Com ele, ela conseguiu sua quinta indicação ao Oscar, figurando na lista de melhor atriz pelo terceiro ano consecutivo. Com um forte caráter de thriller, Bette Davis conseguiu mostrar seu total domínio sob os papéis que executava. Não falta nada, sua postura, seus gestos e inflexões são tão precisas quanto deve ser o ato de matar alguém sem deixar rastros. Há exatos 22 anos, a atriz que foi considerada a ‘The First Lady of Film’ nos deixava, e essa é a forma que o chá de poejo tem de homenageá-la.
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The Letter (A Carta), Estados Unidos, 1940. Dirigido por William Wyler. Com: Bette Davis, James Stephenson, Herbert Marshall. 95 minutos. Gênero: Drama.

Nota: 8.0

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Hearts and Minds (1974)

Foto 1 - Cena clássica que vem a memória quando se fala da Guerra do Vietnã. A criança nua, no centro da imagem, é Phan Thi Kim Phuc que fugia do seu povoado que acabara de ser bombardeado por Napalm.

A Guerra do Vietnã é um tema recorrente na filmografia norte-americana. Ela está presente em filmes direcionados apenas ao assunto, como é o caso de Platoon (1986), Nascido para Matar (1987), Apocalypse Now (1979) – de onde não sai da minha cabeça aquela cena com a Cavalgada das Valquírias -, ou longas que tocam no acontecimento histórico, como Hair (1979) e Forrest Gump (1994), apenas para citar alguns. No entanto, este post é dedicado a ‘Corações e Mentes’, um documentário premiado com o Oscar de 1975.

Mais uma vez, a sociedade ‘guardiã’ da democracia é mostrada manchada por seus atos irresponsáveis e criminosos. Na dinâmica da Guerra Fria, os EUA passam a intervir no Vietnã com medo de que a ‘teoria do dominó’ se concretizasse. Essa teoria imaginava que o sudeste asiático estava enfileirado tal como peças de um dominó, e que se apenas uma peça cedesse ao comunismo, todas as outras seriam abaladas. Diante da eminente vitória do líder comunista Ho Chi Minh, via pleito eleitoral em 1956, o governo do presidente Eisenhower deu respaldo a um governo ditatorial, mas com pretensões capitalistas no Vietnã do Sul, ante um governo comunista no Norte.

É incrível como o documentário consegue captar o grau de alienação da população estadunidense. Em uma dada entrevista, alguns não conseguem nem ao menos indicar qual dos dois ‘vietnãs’ é o de tendência comunista ou capitalista. Na verdade, a lógica de dominação das mentes pela ideologia da grandiosidade americana é uma constante na película. Alguns nem mesmo sabem o porquê de ir à guerra, apenas vão porque foram ensinados a ir. Mães que se orgulham de ter um filho morto na guerra quando na verdade não há motivo para tanto, já que a verdadeira razão de orgulho já não existe mais. Estima-se que pelo lado americano foram 58 mil baixas, sem contar o número de mutilados, e pelo lado vietnamita, o valor é impreciso, mas fica entre os aterradores 1 e 3 milhões.

Outro elemento impressionante é o discurso de superioridade dos combatentes e da população dos Estados Unidos, onde o adversário era tratado como inferior, primitivo e irracional. E ainda havia os que diziam não se importar com o que ocorria no país asiático, pois o seu estilo de vida não tinha sido afetado e que aquilo não o atingia. Bem, o que essas pessoas diriam após o 11 de setembro?! Além disso, fica candente o afastamento dos combatentes que por realizarem um trabalho totalmente afastado do resultado final, nem imaginavam as consequências dos seus feitos, até serem deparados com a realidade. Vale salientar, que os mais modernos e cruéis meios de destruição, para a época, foram utilizados pelo exército americano, tais como, as bombas de napalm e fósforo branco, além de armas químicas como o agente laranja.

‘Corações e Mentes’ é um excelente documentário que mostra desde a introdução da ideologia americana (leia-se ideologia como crença incutida e tida como única e, por isso, verdadeira), principalmente, pelos discursos feitos pelo George Coker, ex-prisioneiro de guerra, passando pela apatia e desconhecimento da população, até o cinismo dos presidentes americanos que governaram o país durante a guerra. Além disso, mostra a perspectiva e o ponto de vista dos vietnamitas, coisa rara em produções americanas, mostrando inclusive, com cenas fortes, o pesadelo que eles viveram, mas sempre resistindo e no final, saindo vencedores. É um pedaço da história que sempre precisa ser revisitado e ver o documentário é uma experiência que vale a pena.
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Hearts and Minds (Corações e Mentes), Estados Unidos, 1974. Dirigido por Peter Davis. Com: J. William Fulbright, Georges Bidault, Clark Clifford, George Coker. 112 minutos. Gênero: Documentário/Histórico.

Nota: 10.0