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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Boas cenas, belas músicas

O David Lynch, para mim, é mestre em transformar situações graciosas, repentinamente, em medonhas. Como ultimamente tenho revisto/visto alguns dos filmes desse diretor, nada melhor do que ressuscitar as postagens que levam o título ‘Boas cenas, belas músicas’ com duas cenas dele. Há mais de um ano que não posto nada relativo a isso, e, veja a coincidência, a última vez que o fiz, foi justamente com um filme do Lynch – Cidade dos Sonhos – que nem lembrava ter sido a última desse tipo de postagem. Apenas uma observação: Apesar de muitas vezes, e eu digo, muitas mesmo, a construção do diretor parecer e ser sem ordem, o que dificulta o entendimento do que está acontecendo, não dá para tirar os olhos das suas películas, incrivelmente, o espectador não perde o seu interesse. Os seus filmes são hipnóticos! Até porque levantar questões, abrir lacunas e criar enigmas e suspense também faz parte da arte cinematográfica.

A primeira cena que me chama bastante atenção na filmografia do Lynch é a que se passa em ‘Veludo Azul’. Ela retrata, ironicamente, o modo de viver norte-americano. É a autocrítica de um cidadão que sempre que possível mostra para o mundo quão patética e superficial é aquela sociedade. O que literalmente o diretor quer indagar na cena a seguir é: O que se esconde por detrás de um lindo gramado verde? E ele não apenas sugere como dá de forma alegórica uma resposta. E o melhor de tudo, a cena mesmo sendo caótica, torna-se bela! A música é a Blue Velvet cantada pelo Bobby Vinton.


Já a outra cena ocorre em ‘Coração Selvagem’. Os dois principais personagens têm duas manias/interesses singulares, enquanto a Lula adora ‘O Mágico de Oz’, Sailor é fã de Elvis Presley – daí a cena a seguir. Eu só não vou dizer a razão pela qual ele canta essa música para a Lula. Apenas um parêntese, para não deixar passar em branco, o Lynch nesse mesmo filme continua com a sua vertente crítica, e em uma das cenas deixa claro o seu descontentamento com o tipo de notícias a que somos bombardeados diariamente pelos meios de comunicação. Mas voltando ao espírito da publicação, ainda cito, além da música tema da cena – Love me Tender - Be-Bop a Lula, Wicked Game e Baby Please Don't Go, que também ajudam a deixar o longa melhor.

Não é possível incorporar o vídeo no blog. Para vê-lo no youtube, clique aqui.

Para ler uma pequena matéria que saiu na Revista da Cultura em setembro de 2008 sobre o diretor, clique aqui.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Boas cenas, belas músicas


Não há nada para dizer que a própria cena já não diga. Essa é a representação máxima do poder que o Cinema tem sobre os espectadores. Por que mesmo sabendo se tratar de uma ficção nos emocionamos? Estamos sendo "manipulados", a priori, temos consciência disso, mas é comum nos deixar levar pelas "mãos invisíveis" do diretor. Essa é a magia que só a sétima arte consegue produzir!

Cena do filme "Cidade dos Sonhos" de 2001, dirigido por David Lynch.
Música "Crying", escrita por Roy Orbison e Joe Melson e interpretada por Rebekah Del Rio.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Boas cenas, belas músicas

Foto 1 - Bette Davis como Baby Jane Hudson
Eu não canso de repetir, Bette Davis foi, e ainda é, o maior nome do cinema mundial. Além do meu fanatismo por ela, o que me impede de ser isento, suas perfomances falam por si próprias. E um dos vários exemplos do seu domínio sobre o interpretar e o se expressar está presente no longa What ever happened to Baby Jane? (1962). O primeiro vídeo, logo abaixo, serve apenas para apresentar a Baby Jane para vocês.

De uma figura grotesca, Miss Davis criou uma personagem tocante e convincente. As cenas foram excepcionalmente interpretadas e dirigidas. O filme sustentou um clima de pesadelo cru, sem sentimentalismos, que se adequava perfeitamente a atmosfera de Hollywood. Em um ambiente onde a competição, a inveja, o ciúme e o ressentimento eram reais, moram duas irmãs que há muito viveram no mundo do show business. Baby Jane Hudson (Bette Davis) é a irmã que vive da esperança de ser lembrada pelos fãs, tendo há muito deixado de ser uma super star. Enquanto isso, Blanche Hudson (Joan Crawford) que sofrera um acidente que a deixou paraplégica ainda é reconhecida como uma grande atriz de cinema. Tudo isso vai tornando cada vez mais o convívio entre elas bastante complicado, ao ponto de Baby Jane perder o senso do real, e passar a se comportar como uma boneca (remetendo as bonecas Baby Jane que eram vendidas quando a atriz ainda fazia sucesso). Dá para perceber que a gênese dos problemas psicológicos de Jane são causados porque todas as suas referências positivas estão no passado, quando era criança, e fazia sucesso. Entretanto, o resultado da velhice e do anonimato é esse que pode ser visto logo a seguir (abaixo pode ser visto o vídeo homenageado nesta postagem). Com uma excelente interpretação, veja como uma grande estrela (Bette Davis) se comporta diante das câmeras, e com uma boa música vos apresento Baby Jane Hudson cantando I'VE WRITTEN A LETTER TO DADDY. Por isso, essa é a nossa sétima, Boas cenas, belas músicas.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Boas cenas, belas músicas

Foto 1 - Cena do ataque com os helicópteros onde a trilha sonora é A Cavalgada das Valquírias

Chegou a vez de homenagear, nesta série do blog, um grande clássico do cinema. Aqui, a união do elemento musical e da composição visual fazem dessa cena uma das mais belas e inesquecíveis em se tratando de filmes de guerra. O filme em questão é Apocalypse Now (1979) do produtor de cinema Francis Ford Coppola. A película ambienta-se na Guerra do Vietnã e trata basicamente das vicissitudes do conflito. Ou seja, o que dizer ou fazer quando assassinos acusam assassinos? Este ao meu ver é o pricipal dilema apresentado pela trama. Nesse longa, de forma brilhante, o diretor consegue transitar cinematograficamente de situações de extrema calmaria para momentos de extremo caos. "É um ópera para os olhos". E falando em ópera, chegamos ao ponto que queremos. Na cena que pode ser vista logo abaixo, Coppola usa como trilha a Cavalgada das Valquírias de autoria do alemão Richard Wagner. O alinhamento dos helicópteros, o avançar milimetricamente relacionado com o mover das ondas, o ataque. Tudo isso está em perfeita harmonia com a composição que a música requer sendo ao mesmo tempo, fúria e leveza. E é por tudo isso que essa é a nossa sexta Boas cenas, belas músicas.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Boas cenas, belas músicas

A cena a seguir, pertence a um filme que trata de duas questões principais: 1) discriminação racial e 2) abuso sexual. Tem no elenco, Whoopi Goldberg, Danny Glover e Oprah Winfrey. Sendo todos eles dirigidos por Steven Spielberg. O longa do qual estou falando é A Cor Púrpura de 1985. Celie (Whoopi Goldberg) quando jovem, era vítima de estupros sucessivos proporcionados pelo próprio pai. Logo ela gera duas crianças que rapidamente são separadas dela. Sem poder mais ter filhos, ela é dada a um outro homem que a trata como "esposa", objeto e escrava. Com tudo isso, Celie torna-se cada vez mais, uma mulher introspectiva, que não teve o direito de estudar, muito menos o de falar o que pensa. Tem o seu direito de se comunicar com a filha suprimido já que as cartas que recebe são omitidas dela. É um filme comovente e de superação. Como é dito no trailer, quem ver o filme nunca se esquece da cor púrpura. No Oscar de 1986, o filme recebeu 11 indicações, mas não conseguiu levar nenhum prêmio.

A música da cena a seguir é cantada por Margaret Avery, na película, Shug Avery. A canção é uma homenagem da Shug à Celie. É um dos momentos marcantes do longa, além de ser uma bela composição, mostra o ambiente blues do início do século passado no sul dos Estados Unidos. Por tudo isso, ela merece ser a minha indicação à série Boas cenas, belas músicas da semana. O nome da canção é Miss Celie's Blues, e o vídeo da cena pode ser conferido logo abaixo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Boas cenas, belas músicas

Retomo a nossa série, Boas cenas, belas músicas, mas dessa vez, para homenagear o ator Patrick Swayze. As cenas que vocês verão logo a seguir, já estavam programadas para participar dessa série, mas não agora. Escrevo o post, não muito contente, dessa vez, para prestar homenagem ao ator Patrick Swayze que veio a falecer nesta segunda-feira (14) aos 57 anos. Acredito que todos soubessem da sua luta contra um câncer no pâncreas que o tinha debilitado bastante. No início, pensava sofrer de indigestão crônica, entretanto, após perceber que o mal-estar não retrocedia, procurou seu médico que após uma biopsia, constatou a existencia de um cancêr. Por isso, excepcionalmente desta vez, vou postar dois vídeos, referentes a dois filmes, onde o elemento música e cena se completam.

Mas, vamos falar dos trabalhos dele. Swayze se tornou conhecido em 1987 quando estrelou o musical "Dirty dancing" no cinema. Em 1990, o ator se consagrou como protagonista de "Ghost - Do outro lado da vida". No filme, em que contracenava com Demi Moore, ele interpretava um homem asssassinado que tentava se comunicar com sua noiva através de uma médium (Whoopi Goldberg). Um ano depois, ele foi eleito o homem mais sexy do mundo segundo a revista "People". Os dois filmes rendeream a Swayze indicações ao Globo de Ouro.

A seguir duas cenas que muito provavelmente vocês conhecem. A primeira é do filme de 1987, o estilo é festa, alegria. É a última cena da película de nome Dirty dancing, com a música ((I've Had) The Time of My Life) que rendeu ao filme o Oscar de melhor canção original em 1988. Já a segunda, todos devem estar "cansados" de ver na Sessão da Tarde. O longa é Ghost - Do outro lado da vida, aquele mesmo, que mostra que o amor consegue transpôr até a própria vida e que tem a canção Unchained Melody como tema. Obs.: No vídeo tentem abstrair a tradução chata em italiano, essa música deve ter feito um sucesso tremendo na Itália, porque só encontrei vídeo dublados para o italiano. No mais, revivam estas belas passagens da sétima arte, neste post especial, da sessão Boas cenas, belas músicas.

Cena 1 - Dirty dancing

Clique aqui, para ver o vídeo diretamente no youtube. Não é possível incluí-lo no blog.

Cena 2 - Ghost - Do outro lado da vida

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Boas cenas, belas músicas

Qual é a primeira coisa que vem a mente de vocês ao ouvir a canção, As time goes by? Na minha, vem três coisas, sem precisar fazer muito esforço. São elas, o filme Casablanca (1942), Ingrid Bergman e Frank Sinatra. Mesmo vários outros artistas tendo regravado a canção.

As time goes by é a canção tema do longa Casablanca. O filme está ambientado numa cidade de mesmo nome da película, no norte da África, e se passa durante a Segunda Guerra Mundial. Casablanca torna-se ponto de passagem para aqueles que estão fugindo da guerra. Além de rota de fuga, torna-se também, ponto de reencontro para Richard Blane (Humphrey Bogart) e Ilsa Lund (Ingrid Bergman) após um relacionamento relâmpago que tiveram em Paris. E adivinhem, não é difícil, qual era a música tema do casal? Nada mais, nada menos que As time goes by, ver letra aqui.

Em pensar que Casablanca era considerado na época um longa secundário, seus produtores enfrentaram vários problemas financeiros, sendo os imprevistos solucionados com muita criatividade. A verdade é que algumas produções são filmes que fazem sucesso momentâneo e entram para o anonimato, outros, por sua vez, tornam-se clássicos inesquecíveis da sétima arte. Faça sua escolha. Você prefere ver um filme de ação que só tem barulho como, "Velozes e furiosos", ou um ótimo trabalho da década de 1940? Seja pelos personagens e suas interpretações, pelos diálogos inesquecíveis, pelo romantismo e não sentimentalismo piegas e maestria de direção, sem dúdiva alguma, eu escolho ver pela centésima vez, Casablanca.

Mas falando agora da nossa cena escolhida, uma das mais lembradas do cinema, vejam abaixo a junção de cena e música que escolhi. Nela, a canção tema do filme é interpretada pelo fiel escudeiro do Richard Blane, o Sam. Sitam a delicadeza e a beleza da Ingrid Bergman! A seguir, a minha quinta, "Bela cena, boa música".


No mais, o filme recebeu 8 (oito) indicações ao Oscar. Levou 3 (três), Melhor filme, Melhor diretor e Melhor roteiro. Além de ter sido indicada nas categorias de: Melhor Ator (Bogart), Melhor ator coadjuvante, Melhor fotografia, Melhor edição e Melhor trilha sonora para comédia/drama. Abaixo, ainda é possível ver um vídeo raro, onde Frank Sinatra canta ao vivo para a Ingrid Bergman, a canção As time goes by.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Boas cenas, belas músicas

“O Mágico de Oz” já estava na minha lista para participar dessa série de postagens, entretanto, não seria o da vez, pelo menos, não agora. Contudo, como no último sábado o filme completou 70 anos desde sua estréia nos EUA, resolvi antecipar a sua presença.

Não estou aqui para falar especificamente do filme, mas não irei perder a oportunidade. Acho que 99 entre 100 pessoas devem gostar desse longa. Eu vou ser a voz destoante desse grupo. Talvez (muito provavelmente) esteja analisando a película com os meus olhos contemporâneos, mas isso não é desculpa. O mérito de bons filmes é ser atemporal. E exemplo disso, e no mesmo gênero, musical, cito, “Alice no país das maravilhas”, considerado não menos clássico, e também, não menos antigo, e que em minha opinião tem muito mais coisas a ensinar do que “O Mágico de Oz”.

É bem verdade, que o filme trouxe revoluções cinematográficas consigo. Ele foi, por exemplo, o primeiro a usar a técnica de coloração das películas (técnica technicolor) usada quando Dorothy chega ao mundo encantado de Oz. Normalmente, quando não gosto de um filme, procuro vê-lo mais de uma vez, porque acredito que o problema seja a minha interpretação, e não o trabalho do diretor. No caso, de que estamos tratando aqui, assisti quando muito pequeno, e mais uma vez recentemente. E continuo com a mesma opinião. No que concerne ao enredo, acho a história muito fraca, muito lugar comum. Talvez, o melhor, e mais divertido dele, seja sincronizá-lo com o disco do Pink Floyd - "Dark Side Of The Moon". Por outro lado, há os que veem a história norte-americana do século XIX sendo contada no livro que deu origem ao filme. Para quem se interessar por essa faceta do livro ou do filme, há várias coisas na internet a respeito disso.

Entretanto, duas coisas são válidas. Os personagens são realmente inesquecíveis, não suas atuações, ou suas falas, mas suas fantasias. De fato, sempre vou me lembrar da “Bruxa má do oeste”, do leão covarde, do espantalho e do homem de lata. Já Dorothy, peço perdão, mas que garotinha mais chata! Ela apenas se salva pela interpretação da canção, que é disso que deveria tratar desde o início essa postagem. “Over the Rainbow” é mesmo um clássico do cinema, e eu não posso negar. E a versão de Judy Garland (Dorothy Gale) é mesmo uma das melhores. O filme ganhou dois Oscars, o de Melhor Trilha Sonora e o de Melhor Canção Original. Por que será? Por esses motivos, “Over the Rainbow” na voz de Judy Garland (Dorothy Gale) merece estar nesta seção, e ser mais uma “Boa cena, bela música” da série.


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Boas cenas, belas músicas

Normalmente, eu costumo escrever essa coluna nos dias de terça-feira, entretanto, ontem foi um dia bastante corrido, e por isso, não deu para fazer antes. Mas vamos ao que importa. Essa é a terceira postagem da série, como disse no primeiro post desse blog, antes de ter meu próprio espaço para expôr minhas idéias, escrevia no mão no teto e chão no pé, e lá, é possível encontrar os outros dois textos desta série, para vê-los, clique nos links a seguir (parte I, parte II).

A cena do filme a seguir pertence a Quentin Tarantino e ao filme - "Pulp Fiction - Tempo de violência". Esta foi a película que alavancou a carreira do diretor, e ressucitou, a de John Travolta e deu um novo impulso na de Samuel L. Jackson e Uma Thurman. Além disso, o filme ganhou o Oscar de melhor roteiro original em 1995. O interresante nesse longa é como o diretor compõe o enredo. Pelo fato de não levar em consideração a ordem cronológica a risca, faz com que todos os atores e atrizes sejam protagonistas.

Na cena a seguir, vemos um monólogo de John Travolta sobre a questão moral de dar em cima ou não da mulher do chefe, enquanto, que Uma Thurman canta a bela música, "Girl, You'll Be a Woman Soon" de Neil Diamond e interpretada pela banda estadunidense Urge Overkill. Após uma noite drogando-se, Mia, interpretado por Uma Thurman, continua sua saga e não satisfeita utiliza novamente drogas e o fim disso tudo é possível ver no vídeo abaixo.



A primeira tomada já é muito boa, simples, mas boa. Só o ato dela apertar o play já dá uma bela fotografia de cinema. Depois disso, ela canta, dança e interpreta a música, passando de um lado para o outro de uma coluna, o que também é uma solução bem simples, mas também bem bela. Com um som legal e que entrou para história, essa é uma cena inesquecível por não possuir excessos de efeitos especiais, está tudo dentro dos limites. Por tudo isso, essa é a nossa terceira "Boa cena, bela música" da série.