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domingo, 4 de outubro de 2009

Sobre a democracia na América Latina

Figura 1 - Estados onde os Presidentes conseguiram implantar o 2º mandato

Mudando um pouco de assunto aqui no blog, resolvi escrever sobre o caso ocorrido em Honduras, mas não sobre o fato em si, e sim sobre o que importa: O que é democracia na América Latina? Não tenho resposta fechada para a pergunta, mas posso levantar uma série de questões que podem ser pertinentes para o debate sobre o tema.

Há muito se tem percebido o entusiasmo dos governantes latino-americanos em tentar a reeleição ou aumentar o número de anos do mandato presidencial. Entretanto, para as duas situações, o caminho é a alteração constitucional através de emendas. No fundo dessa questão, está um debate sobre o poder político que os Executivos exercem nas recentes democracias dessa região. O mapa acima ajudará na visualização dos Estados que ampliaram essa prerrogativa do Executivo. As Nações em azul são as que nos interessam. Perceba que dos 20 países que englobam a América Latina, 9 deles tiveram suas constituições alteradas quando o assunto foi reeleição presidencial. Esse fenômeno teve seu auge nos anos de 1990. Nomeadamente, a seguir, e do sul ao norte da região, temos os nomes dos Estados e os respectivos empreendedores da emenda da reeleição, na Argentina (Carlos Saúl Menem), no Brasil (Fernando Henrique Cardoso), na Bolívia (Evo Morales), no Peru (Alberto Fujimori), no Equador (Rafael Correa), na Colômbia (Álvaro Uribe), na Venezuela (Hugo Chávez), e mais recentemente, na Nicarágua (Daniel Ortega), e em Honduras (Manuel Zelaya).

Esses Estados tem pouca ou nenhuma história democrática, e se enquadram na terceira onda de democratização, muito debatida pelos teóricos da transição democrática. Historicamente, as Nações dessa região, foram marcadas por líderes políticos que tinham como estratégia o personalismo e a preferência pelo controle da máquina estatal. Daí a proibição da reeleição, a fim de coibir os excessos de poder. A questão principal dessa discussão é: Será que a democracia nesses Estados-Nação está de fato consolidada? E outra, que tipo de democracia é essa?

Uma coisa é verdadeira, um passado patrimonialista não desaparece repentinamente, e para isso, são necessárias reformas. Ou seja, normas e valores que orientam os atores sociais a adotar certas identidades ou a desenvolver determinados interesses políticos não desaparecem de um momento para o outro. Dessa forma, padrões de corrupção e impunidade permanecem em sociedades como resquícios do sistema anterior. Sobre isso, muitos acreditavam que a solução para superar tal estado de coisas, seria proceder com a transição democrática, como se apenas a institucionalização de novos agentes políticos, fosse capaz de instaurar um sistema mais responsivo. Entretanto, é preciso notar que democracia significa a incorporação de valores igualitários nas “práticas cotidianas”. Democracia é um processo permanente e nunca inteiramente acabado de concretização da soberania popular. É verdade que a transição é necessária em um primeiro momento, mas é no diálogo entre o Estado, as instituições políticas e a sociedade que está o caminho para a ação democrática.

Assim, o caso hondurenho, mas não apenas ele, chama a atenção para: 1) Democracia não é apenas eleições livres e competitivas; 2) Democracia requer mais que voto. Tem como pressuposto a fiscalização e a responsabilização dos agentes públicos; 3) A realidade latino americana só é possível de ser apreendida através de um conhecimento prévio da sua história, da sua cultura política e do relacionamento atual entre Estado, sociedade e Instituições; 4) O princípio básico a ser seguido é que democracia rima com estabilidade constitucional que significa respeito as leis e regras do jogo político; por fim, 5) O que explica a preferência dos governantes latino-americanos pela democracia? O que significa democracia em seus vocabulários? E quais são as dificuldades institucionais de suas Nações? Essas são questões para se pensar.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Dá o cartão vermelho para ele

Eu não consegui agüentar. Ia apenas escrever amanhã sobre o fato ocorrido entre Sarney e Suplicy, ontem, no Senado Federal. Entretanto, depois de ter tomado ciência dos acontecimentos de hoje, resolvi escrever logo. Não resisti!

Nosso Senado é, realmente, uma graça. Tem de tudo! Tem os que fazem o estilo dissimulado, que mente a torto e a direito, e fazem cara de inocentes e injustiçados; tem os loucos que quando você pensa que vai tomar uma atitude firme, canta Blowing in the wind, mas quando você não dar nada por ele, e pensa que a pizza já foi servida, ele enfrenta a crise, dá cartão vermelho e volta novamente o holofote aos problemas da nossa Câmara alta; e tem os religiosos, que se utilizam de passagens bíblicas para tentar justificar os crimes dos outros, coisa do tipo, atire a primeira pedra, quem nunca se beneficiou de um ato secreto.

No mais, nota 10 a Suplicy, e 10 ao Heráclito Fortes que colocou de forma certa a parcela de culpa do presidente da República nessa história. Tudo bem, ele é da oposição, mas isso não o impede de ser coerente. Só não ver quem não quer, que o Presidente se fez valer da sua influência para que a inércia se fizesse valer no plenário do Senado e na Comissão de Ética. O Lula não sabia, mas com isso, ele deu uma aula de física mecânica. O princípio enunciado por ele, caracterizando para a política nacional, foi o de inércia legislativa. Ou seja, o caso Sarney foi bombardeado por um conjunto de forças de resultante nula. Neste caso, não há variação de status, a velocidade continua constante, e Sarney, na presidência do Senado. Galileu e Newton estão em festa no céu! Parece que no Brasil para se conseguir a tal governabilidade tudo se justifica. Dessa forma, voltamos ao sistema maquiavélico de governaça. Todos os meios de se preservar o poder são justos. Visto que os fins justificam os meios. Os federalistas ficariam abismados em Brasília, lá não há poder, controlando poder. Muito pelo contrário, a intromissão de um Poder em outro é feita descaradamente, e serve para conservar os interesses individuais. Enfim, vejam os vídeos a seguir e tirem suas próprias conclusões.

Dia 24/08/09


Dia 25/08/09