Foto 1 - Bette Davis implacável como Leslie Crosbie em 'A Carta'
A partir dos interesses envolvidos, a história de um assassinato, pode ter muitas versões. No entanto, a existência de uma carta altera todo o desenrolar dos fatos, e aponta para um único caminho, o da verdade. ‘A Carta’ é a terceira parceria do diretor William Wyler com a atriz Bette Davis. Nele, a atriz interpreta a Leslie Crosbie, uma mulher que desde a primeira cena mostra-se calculista e autocentrada – sendo esse estereótipo reforçado pelo hábito da personagem de fazer clochê. Além disso, a primeira cena já é bastante impactante e pouco convencional para um filme produzido em 1940 pelo fato de ser realizada por uma mulher. Estou me referindo ao momento da morte do Jeff Hammond e aos momentos que seguem, onde ela conta o que ocorreu ao marido e a outros personagens.
A partir daí inicia-se um procedimento legal que caminha para que a ré seja inocentada, pois ela teria cometido o assassinato em legítima defesa. Até que um evento inesperado acontece. Junto ao corpo havia uma carta da Leslie que contradizia o álibi de que há muito ela não mantinha contato com o Jeff. Inclusive, a cena em que a Leslie é colocada contra a parede pelo seu advogado é ótima. É aquele tipo de situação em que se dá corda para a pessoa se enforcar e onde a pessoa mente descaradamente, até o momento que a verdade surge, e o mentiroso fica procurando um buraco para se esconder.
Entre chantagens, compra de provas e envolvimento direto do advogado nesses crimes, Leslie consegue ser inocentada. Mesmo conseguindo o perdão de todos, inclusive do marido, ela mesma não consegue esquecer a motivação do crime. Bette Davis tem uma ótima atuação, sempre precisa e bastante controlada em seus gestos e nas suas falas. Ela consegue fazer muito bem esses papéis que normalmente não tem a simpatia do público. Não é nada que se compare à Regina Giddens de The Little Foxes, mas Leslie Crosbie em menor dose também é manipuladora, simulada, egocêntrica e egoísta.
O longa não chega a entrar no hall dos memoráveis, mas está cheio de bons momentos da Bette Davis. Com ele, ela conseguiu sua quinta indicação ao Oscar, figurando na lista de melhor atriz pelo terceiro ano consecutivo. Com um forte caráter de thriller, Bette Davis conseguiu mostrar seu total domínio sob os papéis que executava. Não falta nada, sua postura, seus gestos e inflexões são tão precisas quanto deve ser o ato de matar alguém sem deixar rastros. Há exatos 22 anos, a atriz que foi considerada a ‘The First Lady of Film’ nos deixava, e essa é a forma que o chá de poejo tem de homenageá-la. -------------------------------------------------------------------------------------------------
The Letter (A Carta), Estados Unidos, 1940. Dirigido por William Wyler. Com: Bette Davis, James Stephenson, Herbert Marshall. 95 minutos. Gênero: Drama.
Eu não canso de repetir, Bette Davis foi, e ainda é, o maior nome do cinema mundial. Além do meu fanatismo por ela, o que me impede de ser isento, suas perfomances falam por si próprias. E um dos vários exemplos do seu domínio sobre o interpretar e o se expressar está presente no longa What ever happened to Baby Jane? (1962). O primeiro vídeo, logo abaixo, serve apenas para apresentar a Baby Jane para vocês.
De uma figura grotesca, Miss Davis criou uma personagem tocante e convincente. As cenas foram excepcionalmente interpretadas e dirigidas. O filme sustentou um clima de pesadelo cru, sem sentimentalismos, que se adequava perfeitamente a atmosfera de Hollywood. Em um ambiente onde a competição, a inveja, o ciúme e o ressentimento eram reais, moram duas irmãs que há muito viveram no mundo do show business. Baby Jane Hudson (Bette Davis) é a irmã que vive da esperança de ser lembrada pelos fãs, tendo há muito deixado de ser uma super star. Enquanto isso, Blanche Hudson (Joan Crawford) que sofrera um acidente que a deixou paraplégica ainda é reconhecida como uma grande atriz de cinema. Tudo isso vai tornando cada vez mais o convívio entre elas bastante complicado, ao ponto de Baby Jane perder o senso do real, e passar a se comportar como uma boneca (remetendo as bonecas Baby Jane que eram vendidas quando a atriz ainda fazia sucesso). Dá para perceber que a gênese dos problemas psicológicos de Jane são causados porque todas as suas referências positivas estão no passado, quando era criança, e fazia sucesso. Entretanto, o resultado da velhice e do anonimato é esse que pode ser visto logo a seguir (abaixo pode ser visto o vídeo homenageado nesta postagem). Com uma excelente interpretação, veja como uma grande estrela (Bette Davis) se comporta diante das câmeras, e com uma boa música vos apresento Baby Jane Hudson cantando I'VE WRITTEN A LETTER TO DADDY. Por isso, essa é a nossa sétima, Boas cenas, belas músicas.
Bette Davis como todo grande astro não se reduziu a influenciar no âmbito apenas do Cinema. Seu modo de ser criou admiradores na música, e em todas as áreas da vida social. Vários artistas fizeram referência a essa dama do cinema mundial.
Bob Dylan admirava em Bette o modo como colocava suas mãos nos bolsos de trás das suas roupas enquanto interpretava, na música Desolation Row (And puts her hands in her back pockets Bette Davis style). O The Kinks, na música Celluloid Heroes, fala que devemos ficar de pé diante de Bette Davis porque ela teve uma vida solitária (But stand close by Bette Davis because hers was such a lonely life). Já Kim Carnes canta a beleza da expressividade dos olhos de Bette, em Bette Davis Eyes. E Madonna se junta a esse coro na música Vogue, dizendo a Bette Davis que nós a amamos.
Curiosidade. Descobri qual drink Bette Davis adorava. No vídeo abaixo vocês vão saber qual é, e como se faz ele.
Abaixo é possível ver um vídeo que a Meryl Streep fez homenageando Bette Davis. Ela conta que ter a oportunidade de ver Bette foi tornar um sonho em verdade. Para ela, Bette foi a maior atriz de todos os tempos. Fala sobre a briga de Bette com os estúdios por conta dos péssimos scripts que lhe eram dados para interpretar. Isso era prova da sua determinação. Quando recebeu a carta de Bette quase morreu, ela foi a sua inspiração. Por conta dos filmes clássicos de Bette Davis, Meryl Streep tornou-se quem ela é.
Com este último post encerro nossa semana comemorativa. Durante toda esta semana, passeamos pela vida, pelos filmes marcantes da sua carreira, pela repercussão da sua morte e do seu nome no meio artístico. A conclusão, é que a forma como ela encarou a vida foi admirável. E por isso foi e é inesquecível.
Foto 1 - Bette repelindo os fotógrafos em sua viagem a Londres
Abaixo, vídeo exibido no dia 06 de outubro de 2009, lembrando os 20 anos da morte de Bette, no Em cima da hora da Globo news. A breve reportagem tem algumas imprecisões, mas o importante é que ela foi lembrada.
Clicando aqui, pode-se ver como a morte de Bette Davis foi anunciada há 20 anos atrás no Jornal Nacional. Mais uma vez, há uma série de imperfeições nas notícias relatadas. Por exemplo, dizer que o filme Jezebel (1938) se passava no Texas, quando na verdade passa-se no estado da Louisiana, na cidade de New Orleans. Depois diz que o último filme da estrela foi As baleias de outono, quando na verdade a tradução é, As baleias de agosto (1987), que mesmo assim, ainda não foi sua última película.
Já a repercussão da notícia na BBC News há 20 anos atrás foi assim:
Na ITN a notícia foi dada assim:
Já na Headline News pertencente a CNN:
Nos jornais e revistas pelo mundo ela também foi lembrada. No Brasil, tanto na Veja quanto no Jornal do Brasil.
Foto 2 - Notícia da morte de Bette no Jornal do Brasil
Foto 3 - Notícia da morte de Bette e sua carreira (com imprecisões) na revista Veja. Clicando na imagem é possível vê-la em tamanho maior.
Clicando aqui é possível ler matéria publicada no The New York Times (Bette Davis, a Queen of Hollywood, Dies at 81), e clicando aqui, matéria publicada no Le Monde (La mort de Bette Davis L'actrice américaine est décédée vendredi à l'âge de quatre-vingt-un ans, dans un hôpital parisien).
BETTE DAVIS: SEUS ÚLTIMOS SUCESSOS E ÚLTIMOS ANOS DE VIDA
Foto 1 - Bette Davis com o então marido Gary Merrill e os filhos
Após sair da Warner Bros., aos 42 anos de idade, Bette ficou só pela primeira vez e com uma filha de dois anos. Na mesma época, divorciou-se do seu terceiro marido. Exatamente neste período propuseram a ela a personagem Margo Channing. O filme foi All About Eve e o ano 1950. Depois das filmagens Bette "fugiu" para o México com o ator Gary Merrill que viveu o diretor Bill Sampson no longa. Lá, eles adotaram duas crianças, mas depois de 10 anos juntos, seu quarto casamento também chegava ao fim.
Foto 2 - Cena do filme All About Eve (1950), Anne Baxter (Eve) e Bette Davis (Margo Channing)
Na véspera das filmagens de All About Eve, Edmundo Goulding, que dirigiu Bette em Dark Victory, telefonou para Mankiewicz e disse: “Ficou maluco, rapaz? Como pode contratar essa mulher? Ela o destruirá. Vai transformá-lo em pó bem fino e soprá-lo para longe. Você é um escritor, rapaz. Ela chegará ao set com uma resma de papel e com um lápis. Em seguida, reescreverá tudo. Então ela, e não você, dirigirá o filme. Anote bem minhas palavras.”
Mankiewicz conta que no primeiro dia de filmagem não tirou da cabeça as palavras de Goulding. Ele ajustou as antenas para captar possíveis avisos de tempestade. A Srta. Davis chegou ao set completamente vestida e maquiada, pelo menos, quinze minutos antes da hora marcada. Acendeu um cigarro e abriu o script – não, conforme notei imediatamente, na página da cena que filmaríamos naquela manhã. Seu desempenho foi perfeito. Cada sílaba foi perfeita. Não houve hesitação em busca de palavras. Ela assumira totalmente as falas – como Margo Channing. Eis o sonho de qualquer diretor: a atriz preparada.
Paralelamente ao seu novo casamento que, de forma surpreendente, a encheu de otimismo, Bette teve um triunfo no sucesso internacional de All About Eve. Sua interpretação de Margo Channing, a um só tempo extravagante, absurda, trágica e espirituosa, valeu-lhe os mais rasgados elogios que recebeu em muitos anos. Seu desempenho brilhantemente constante era o resultado de anos de refinamento técnico; acima de tudo, o desenvolvimento de uma vivência perspicaz e sábia, lapidada pela experiência. Margo Channing e All About Eve representaram o clímax da carreira de Bette Davis. É DE ABISMAR QUE ELA NÃO TENHA RECEBIDO O OSCAR PELO TRABALHO. Mas foi consolada pelo Prêmio do Círculo de Cinema de Nova York, pelo Prêmio dos Críticos de São Francisco, pelo Prêmio do Festival de Cannes como melhor atriz e pela nona indicação ao Oscar. Abaixo, pode-se ver uma das cenas clássicas do filme, quando Margo Channig diz: Fasten your seatbelts, it's going to be a bumpy night!
No dia da entrega do Prêmio Oscar todos aguardavam por uma notícia espetacular. Quando as palavras “E a vencedora do prêmio de melhor atriz é...” vieram pelo rádio, Bette levantou-se de um salto. Quando escutou a conclusão “Judy Holliday”, sentou-se bruscamente. Ela também concorria com Gloria Swanson por sua performance em Crepúsculo dos Deuses (1950), outro clássico e outra interpretação brilhante, e com Anne Baxter que fez o papel de Eve em All About Eve. Muito estranho o Oscar não ter ido para Bette ou Glória Swanson. Mais uma “brincadeira” do júri da Academia. Após ouvir o resultado, desempenhou diante de todos que estavam com ela o maior papel da sua vida, mentindo com consumada valentia: “Isso é ótimo! Ganhou uma novata! Eu não poderia estar mais satisfeita!” Ninguém acreditou nela, como também não acredito, e interpreto sua reação como possuindo um fortíssimo teor irônico.
Foto 3 - Bette Davis, ou melhor, Margaret Elliot passeando embriagada com Oscar
Depois do sucesso estrondoso de All About Eve os sinais de declínio eram visíveis. Nada mais ocorreu em sua carreira tirando fracassos melodramáticos e papéis secundários em filmes sem importância. Para os críticos um desses deprimentes exemplos é The Star (1953) que mostra a história de uma atriz decadente, reduzida a vender lingerie, discutir com a família e dirigir embriagada através de Beverly Hills, cenário do seu passado de glória. Isso foi um prato cheio para os críticos. Um convite para as críticas que afirmavam que ela era um fracasso por demais evidente. Escreviam coisas do tipo, “As orquídeas... os casacos de pele... as jóias... tudo que pertencia à estrela se foi... e nada restou... senão a mulher!” Qualquer semelhança com Crepúsculo dos Deuses (1950) acredito ser proposital. A única coisa boa, é que seu desempenho rendeu sua décima indicação ao Oscar de melhor atriz.
Foto 4 - Cartaz do filme The Catered Affair (1956)
Em 1956, The Catered Affair, foi mais um prova de fogo dada a atriz. Ela vivia a transição da juventude para a maturidade. O papel de mãe abandona qualquer característica romântica de papéis interpretados anteriormente. Adeus a mocinha romântica. Sua performance nesse filme continua sendo uma das suas realizações culminantes. Ela conseguiu controlar todos os seus maneirismos e problemas a fim de produzir um desempenho rigoroso e magnificamente realista. Nesse ínterim, doenças, problemas familiares e a morte da sua mãe Ruthie, tudo isso acontecendo numa época de pouca satisfação profissional. Trabalhava por muito menos dinheiro, e em filmes arriscados e de baixo orçamento.
Foto 5 - Glenn Ford e Bette Davis (nos extremos) numa cena do filme Pocketful of Miracles (1961)
Em 1961, aceita fazer Pocketful of Miracles, dirigido por Frank Capra, onde vivia Apple Annie. Glenn Ford que já trabalhara com Bette em A Stolen Life (1946) deu uma infeliz entrevista dizendo que o papel interpretado por Bette em Pocketful of Miracles a resgataria da obscuridade, e que ele colaboraria com isso. Bette leu a entrevista de Glenn e ficou furiosa como o diabo, conta Capra. Berrou para ele: “Quem esse filho da puta pensa que é para dizer que me ajudou a retornar! Eu nunca deveria ter voltado a Hollywood! Odeio vocês todos! E Apple Annie, acima de tudo! Aquele merdinha não me ajudaria a sair de um esgoto! Eu deveria estar doida quando voltei!” Não é preciso dizer que depois disso o clima nas filmagens ficou bastante pesado.
Foto 6 - Ruthie, mãe de Bette, e Bette
Nos últimos dias das filmagens de Pocketful of Miracles, Bette foi surpreendida pela morte súbita de Ruthie. Nos últimos anos, Ruthie afastara-se um pouco da vida da filha, mas a influência dominante da mãe na carreira dela persistia e jamais seria esquecida. Basicamente, o livro escrito por Bette, The Lonely Life trata da sua extraordinária mãe.
Foto 7 - Bette Davis, Jack Warner e Joan Crawford antes do início das filmagens de What ever happened to Baby Jane? (1962)
Em 1962, somos premiados com o filme, What ever happened to Baby Jane? O mesmo, a devolve ao estrelato e lhe custou a sua décima primeira indicação ao Oscar. O longa é a história de duas ex-atrizes infantis que residiam em Hollywood no começo da velhice. É estrelado por Bette Davis e Joan Crawford. Isso produziu um efeito impactante, um pacote eletrizante, carregado de energia e foi altamente sensacional. Para Robert Aldrich, o diretor do longa, Joan e Bette não tiveram brigas em Baby Jane. Comportaram-se com absoluta perfeição. Jamais deixaram escapar uma palavra abrasiva. Não tentaram roubar as cenas uma da outra.
Foto 8 - Robert Aldrich e Bette Davis discutindo cena do filme What ever happened to Baby Jane? (1962). Ensaio da cena em que Baby Jane "espanca" sua irmã Blanche. Atenção para a concentração de Bette.
O resultado foi que os desempenhos de Bette e Joan foram admiráveis sob todos os aspectos. Em vez de simples figuras grotescas, criaram personagens tocantes e convincentes. As cenas foram excepcionalmente interpretadas e dirigidas. O filme sustentou um clima de pesadelo cru, sem sentimentalismos, que se adequava perfeitamente a atmosfera de Hollywood. Lembrando que o filme foi gravado para a Warner Bros. o antigo estúdio de Bette. A seguir, Baby Jane (Bette Davis) cantando a música I've written a letter to daddy. Simplesmente, imperdível!
Curiosidade sobre Bette e Joan. Joan Crawford, bem como o seu rosto grande e imponente, usava pesados e ligeiramente ameaçadores agasalhos de pele. Tinha um ar intimidador que desafiava fortemente tanto amizade quanto inimizade. Crawford também nutria há anos um desejo secreto por Bette. A mais sofredora das estrelas do cinema adorava a maior atriz, tanto sexual como profissionalmente. Assim que chegou à Warner Brothers nos anos de 1940, passou a enviar perfumes, flores e cartas implorando que Bette fosse jantar com ela. Bette não gostava dessas gentilezas da colega e devolvia todos os presentes, agradecendo a consideração dela.
Provavelmete no intuito de promover o filme, Bette escreveu nos classificados de um jornal de Hollywood o seguinte anuncio:
Foto 9 - Anúncio publicado no The Hollywood Reporter em 1962
ARTISTA PROCURA EMPREGO. Americana, divorciada, mãe de três filhos (10, 11 e 15 anos). Trinta anos de experiência como atriz de cinema. Ainda em condições de movimentar-se e mais afável do que dizem os rumores. Procura emprego fixo em Hollywood. (Fartou-se da Broadway.) Respostas para: Bette Davis a/c Martin Baum, G.A.C. DÁ REFERÊNCIAS.
A opinião geral em Hollywood foi que isto significava que Bette estava arruinada. Mas não era muito bem isso. Felizmente, as excelentes críticas tanto para Baby Jane quanto para o livro The Lonely Life, seu livro de memórias, seguido pelo enorme sucesso comercial de Baby Jane, tornaram sem sentido os comentários negativos dos inimigos de Bette.
Tentando repetir o sucesso do filme What ever happened to Baby Jane?, Aldrich dirigiu Hush... hush, sweet Charlotte (1964) tentando juntar novamente Bette e Joan. Mas isso não foi possível e quem acabou ao seu lado foi sua amiga, Olivia DeHavilland e Joseph Cotten. É claro que o filme não chega nem aos pés do seu antecessor, mas tem boas participações dos experientes atores. Abaixo duas boas cenas do longa. Em ambos, pode-se ver estampado no rosto de Bette Davis (Charlotte) os sintomas da loucura, e no de Olivia DeHavilland (Miriam) o ódio que sente pela prima.
A verdade é que após seus últimos sucessos no começo dos anos de 1960, ela não logrou êxito em nenhum outro projeto no cinema... Tentou várias vezes voltar ao teatro, mas sentia-se nervosa e pouco confiante. Entretanto, havia formado um público que independentemente do que fizesse a seguia e a aplaudia chegando a causar inveja no restante do elenco. A plateia chegava ao êxtase quando a via interpretar!
Foto 10 - Bette Davis como Mrs. Taggart em The Anniversary (1968)
Um filme que ainda não vi, mas que sinto vontade de assistir é The Anniversary (1968). Ele conta a história de uma mãe terrível, grosseira, possessiva e maníaca. Nesse papel, Bette usa uma venda no olho esquerdo o que acentua seu caráter extravagante e excêntrico, mas que ela detestava ter que usar. Detalhe, a cor da venda varia de acordo com a cor da roupa. Só a cena em que Bette desce a escada é imperdível, ela é o exemplo de que nem todas as mães vão para o céu. Ver trailer a seguir.
Foto 11 - Bette Davis como Bette Davis
Até seu último ano de vida ela trabalhou. Seus dois últimos longas, que preciso ver, são: The Whales of August de 1987 e Wicked Stepmother de 1989. Já nos últimos anos de vida, dizia: “Gosto de trabalhar. Acho que por isso continuo viva. De vez em quando tem um papel e digo: Quem dera tivesse uns 40 anos a menos para poder fazê-lo. Foi incrível que uma tímida garota de Boston tivesse uma vida assim.”
Bette ainda conservou seu senso de humor. Ao completar 70 anos recebeu os amigos com o rosto pintado de preto empunhando um banjo. Em 1977, recebeu o prêmio por realização em vida atribuído pelo American Film Institute. Em 1989, após ser homenageada na Espanha em um festival, teve problemas de saúde. Debilitada para enfrentar uma longa viagem até os Estados Unidos, viajou até a França. Pouco tempo depois, no dia 06 de outubro de 1989 viera a falecer.
Foto 12 - Lápide de Bette Davis onde pode ser lido o seu epitáfio: She did it the hard way. Clicando na foto, pode-se ver a foto maior.
Seu epitáfio é o seguinte: “She did it the hard way”. Sem dúvida, isso resume a história de vida dela. Ela percorreu o caminho que escolheu para sua vida de maneira dolorosa e difícil. A vida não lhe foi fácil e o sucesso nem sempre bateu à sua porta. Durante toda essa semana, resumi a difícil trajetória dessa grande estrela do cinema americano, que em pouco tempo, se tornou para muitos, e para mim, na primeira dama da sétima arte. Sua saída do seio de uma família puritana do estado de Massachusetts, sua entrada para cursos de teatro, as recusas. Ao seu lado, sua mãe divorciada, que muitas vezes de maneira compulsiva e instintiva seria capaz de matar e morrer para que a filha chegasse ao estrelato. Aliado a isso, uma irmã que sofria de transtornos mentais, e precisava de cuidados especiais. Tudo isso, os esforços da mãe, a saúde frágil da irmã, as recusas e o difícil caminho para entrar no teatro inicialmente, aumentavam sua ânsia de aperfeiçoamento e sua persistência atrás do sucesso. Vencedora duas vezes do Oscar, o maior prêmio da Academia Americana de Cinematografia, ostenta 11 indicações, sendo uma delas, sem estar nos boletins de voto. Durante muito tempo foi a recordista em indicações, hoje, superada por Katharine Hepburn com 12 indicações e Meryl Streep com 15 indicações ao prêmio.
Bette nunca possuiu a beleza de outras atrizes, mas sempre foi dona de um talento nato e em constante aperfeiçoamento. Tornou-se detentora de um vasto repertório com grandes interpretações e grandes papéis ao longo da carreira. Desde mocinhas dominadoras e maniqueístas a mulheres maduras e em crise, com ênfase para os seus dois últimos sucessos, All About Eve (1950) e What ever happened to Baby Jane? (1962). Observação, em um desses dois últimos deveria ter levado o Oscar de melhor atriz. Ela foi a prova viva de que perseverança e busca noite e dia por um objetivo faz você alcançá-lo. Entretanto, essa procura incessante teve um preço. No seu caso, no final dos anos de 1940, já era reconhecidamente a maior atriz do cinema mundial, mas esse posto alcançado precisava ser mantido. E foi, só que ao custo de não gozar de uma vida particular tranquila. Sempre em relacionamentos turbulentos, e tendo sempre que arcar com elevados custos de vida seja seu ou de seus familiares, não parava um minuto de trabalhar. E isso se refletia na sua saúde bastante frágil. Em um mundo de resultados como era o da indústria cinematográfica de Hollywood houve épocas em que chegou a fazer cinco filmes seguidos em apenas um ano, tudo isso sem férias ou descanso. Também criou muitas inimizades, a título de grande rainha do cinema, mandava e desmandava nas produções. Certos diretores e atores a odiavam, pois com ela, não havia moleza, era uma grande profissional. Mesmo aparentemente sendo muito séria possuía um humor sagaz bastante aguçado, além de um coração prestativo para aqueles que se demonstravam interessados em progredir. Fez amigos, mas sua lista de inimigos não era pequena.
Foi uma mulher batalhadora que cuidou bem do seu espaço, inteligente e forte. Lutou por seus direitos e arrematou uma multidão de fãs, dentre eles, esse que vos fala. Segundo ela mesma, “Foi incrível, que uma tímida garota de Boston, tivesse uma vida assim.” E eu agradeço por ela ter vivido, e por ela ter se entregado tão sagazmente à arte de interpretar. Há 20 anos que ela nos deixou, mas para os apreciadores do bom cinema, a impressão é que ela está viva, acessível através de seus filmes que nunca deixarão de ser exibidos na televisão, nas coleções de DVD ou nas biografias escritas ao seu respeito. E esse culto em torno do nome de um artista é reservado apenas àqueles que aqui pisaram e conseguiram deixar sua marca. E que marca ela nos deixou!
Todos os textos dessa série especial foram baseados no documentário, Bette Davis: A Basically Benevolent Volcano (1983) e no seguinte livro biográfico: HIGHAM, Charles, 1931-; MATTA, Luiz Horacio da.. Bette Davis. Rio de Janeiro: F. Alves, 1983, ((Coleção Presença)).
IMPORTANTE: Grande parte das imagens que constam nesse especial foram coletadas do google imagens. Por favor, se alguém achar que a imagem foi tirada do seu blog, entre em contato que eu dou os créditos, ou ponho até o logo do tal blog na foto.
No fim de semana, encerrando essa semana comemorativa, pretendo postar alguns vídeos coletados da internet, onde se pode observar como seu nome, ainda hoje em dia, repercute.
No final dos anos de 1930, Bette Davis encontrava-se no auge de sua carreira. Ainda assim, sua vida era desprovida de encanto, cheia de doenças, exaustão e depressão. Com dois Oscar ao seu favor, um número enorme de críticas elogiosas que a proclamavam a maior atriz do cinema, incontáveis artigos em revistas de cinema, a adoração de incontáveis fãs, era uma mulher cujo brilhantismo e agressividade a impediam de conseguir completa satisfação em seus relacionamentos.
Bette, durante um período de 1941, assumiu a prestigiosa posição de presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. De início foi empolgante, mas depois percebeu o seu erro. Ela não dispunha de tempo para cuidar dos assuntos da Academia. Tinha várias preocupações com o novo filme, além de enfrentar problemas de saúde. Ela entrou em confronto com os membros diretivos quanto a questões de orientação e se surpreendeu ao encontrar um clima bastante conservador e retrógrado nos altos escalões. Pediu demissão após os conflitos, e aparentemente parecia derrotada, mas após sua saída, suas sugestões foram estritamente acatadas.
Foto 1 - Bette no filme Now, Voyager (1942)
Em 1942, interpretou Charlotte Vale em Now, Voyager, uma mulher tímida e reprimida por uma mãe autoritária. Esta mesma mulher, após um tratamento psicológico torna-se autoconfiante e determinada, passando de uma mulher estranhamente feia para outra charmosamente bela. O estilo da produção é muito similar com Casablanca também rodado nesse mesmo ano. Chamo o filme de Bette da filmagem menos famosa de Casablanca que também foi produzida pela Warner Bros.. Este último se passa no Marrocos, já Now, Voyager tem algumas cenas do Rio de Janeiro. Por sinal, Bette dá uma ponta de guia turística da cidade maravilhosa. Não há dúvida de que foi um bom filme – ele foi bem feito, bem acabado, um trabalho de profissionais, peritos no assunto.
Hoje em dia, Now, Voyager é um clássico, uma obra-prima de sentimentalismo. O filme proporcionou nos tempos difíceis de guerra que uma mulher feia e reprimida pudesse através de tratamento psicológico e de um amante chegar a um estado sublime. Na bela cena final, podemos ouvir Bette dizer ao seu amante, “Por que pedir a lua? Temos as estrelas!” ("Oh, Jerry, don't let's ask for the moon... we have the stars"), isso é um apelo a tornar o público simpático ao longa e com pouca vontade de sair da sala de exibição. Ou seja, por que ser a esposa se era possível ser amante? Na vida, há sempre uma segunda escolha para tudo. A seguir, pode-se ver a cena a qual me refiro.
Todos os formidáveis recursos da época foram empregados na película, a música pulsante de Max Steiner, com ricas e doces melodias, mas acima de tudo, o desempenho dela, da Miss Davis. Bette possui uma energia, um ímpeto e um encanto que diálogo nenhum é capaz de derrotar. Parecendo acreditar no enredo, a estrela quase nos obriga a aceitá-lo. A palavra de ordem de Bette sempre foi superação, a cada filme melhorava. Até esse momento, Now, Voyager foi seu longa de maior sucesso. As garotas que se identificavam com ela (Charlotte Vale) passaram a enviar cartas ao monte para a estrela, e isso, rendeu a ela sua sétima indicação ao Oscar, sendo o record (igualado, mas não superado) de cinco indicações seguidas, no período de 1938 – 1942.
Curiosidade, isso eu não sabia. Bette era extremamente supersticiosa. Ninguém podia assoviar nem usar meias verdes em seu camarim. Se alguém derramava sal, ela precisava jogar sal por cima do ombro imediatamente. Vivia batendo em madeira. Nunca passava sob uma escada ou abria um guarda-chuva dentro de casa.
Foto 2 - A amiga e atriz Olivia de Havilland definindo Bette como um vulcão benévolo em constante erupção.
Em 1937, contracenou pela primeira vez com Olivia de Havilland que viria a se tornar uma grande amiga, o filme, It's Love I'm After. Trabalhariam juntas ainda em, The Private Lives of Elizabeth and Essex (1939), In This Our Life (1942), Thank Your Lucky Stars (1943) e Hush... Hush, Sweet Charlotte (1964). A seguir, pode-se ver o carinho que ambas sentiam por sua amizade anos depois.
O verão de 1942 foi o melhor período da vida de Bette – talvez a única época em que tenha conseguido satisfação e felicidade, tanto em nível pessoal quanto profissional. Neste período, ela tinha 34 anos, um casamento feliz com um homem a quem respeitava, conseguira um maravilhoso sucesso de bilheteria, estava envolvida no projeto da Cantina Hollywood, a saúde melhorava e estava com um temperamento bastante sereno. Mas toda essa boa fase logo viria a mudar. A Cantina Hollywood foi um projeto na época da guerra a fim de entreter os militares que nunca haviam tido contato com as estrelas do cinema. Bette em uma atitude patriótica também realizou propagandas (comerciais) que buscavam o apoio e solidariedade do povo norte-americano com a causa.
Em 1943, estrelou em Old Acquaintance, ao lado de um antigo desafeto, Miriam Hopkins. O filme tornou-se um grande sucesso junto ao público. Bette teve a competição ideal no conflito de personalidades que deu ao longa a atração de uma luta de egos. Todas as pessoas ligadas à indústria cinematográfica não deixaram de vê-lo. Sabia-se tanto a respeito das filmagens que se tornou um dos filmes mais comentados do ano. Sobre a cena que se pode ver abaixo, no dia de sua gravação foi difícil encontrar espaço no estúdio. Todos esperavam ansiosos pela cena. Mas Miriam sabia que era o ápice do filme para Bette, entretanto, esse ápice dependia dela. E é claro que ela não colaborou. E houveram várias tomadas. Miriam não lutava contra Bette, e fez corpo mole, literalmente. O que era impossível, já que Bette tinha que a sacudir e jogar no sofá. Mas mesmo assim, a cena ficou boa, e melhor ainda, é ver Miriam esperneando depois. A cena pode ser vista logo abaixo.
Foto 3 - Bette como Fanny Trellis emMr. Skeffington (1944)
A oitava indicação de Bette ao Oscar veio em 1944 após interpretar Fanny Trellis, em Mr. Skeffington. Entretanto, a indicação não veio sem críticas. Bosley Crowther, o todo poderoso crítico de cinema do New York Times direcionou um ataque contra o filme, condenando-o assim como toda a interpretação de Bette. Ele julgou o caráter de Fanny insuportável e o desempenho de Bette excessivamente pedante. Em minha opinião então, isso significa que Bette acertou mais uma vez. Fanny era uma bela mulher que sempre chamou a atenção dos outros, fútil e em certos pontos desprezível, sempre foi rodeada de admiradores. Nunca consolidou nenhum relacionamento, nem mesmo com a sua filha. Por isso, nada mais normal que ela fosse e que Bette a interpretasse com pedantismo.
Foto 4 - Oscar de Bette por sua atuação em Jezebel (1938)
Bette diz que “Sempre me pareceu uma honra e gostei de receber prêmios. Sempre tive sorte com os prêmios. Gosto de mantê-los lustrados e exibidos em um lugar destacado. Os chamo de meu “sangue, suor e lágrimas” já que, sem dúvidas, é isso.” Realmente, lendo sua biografia, entendi porque chamava seus prêmios de seu “sangue, suor e lágrimas”.
Em 1946, o relacionamento de Bette com Jack Warner começava a declinar. O fato era que seus filmes já não rendiam os exorbitantes lucros de outrora. Além disso, uma nova indústria, mas implacável, era menos indulgente quanto ao comportamento das antigas estrelas.
Foto 5 - Bette no set de gravação de Beyond the Forest (1949)
Beyond the Forest (1949) foi uma experiência frustrante. Cansada da produção, Bette pediu várias vezes sua saída do filme. Mas Jack Warner não lhe dava atenção. Mas ela diz, “Se após várias demonstrações do que queria na carreira, e após 18 anos no estúdio, tinha que discutir sobre algo que não gostava era a hora de ir embora". Tinha um contrato por mais 10 anos, mas não hesitou, ligou para o Sr. Warner às 03:00 hs e pediu a rescisão do contrato, em troca, ficaria até o fim das gravações do filme. Ele aceitou.
Segundo muitos, Beyond the Forest, foi o início de uma nítida mudança em sua abordagem de interpretação, uma espécie de exagero de todos os elementos que a distinguiam como atriz. Esse filme provocou a ira dos críticos e consequentemente as piores críticas da sua carreira. “Se Bette Davis tivesse querido arruinar a sua carreira não podia ter escolhido jeito melhor.” Ou, “Bette Davis chegou num ponto da sua carreira na qual é melhor dar uma pausa e colocar na balança futuros projetos e sucessos passados.”
A realidade era evidente. Os filmes de Bette eram, no momento, mais dispendiosos de fazer que os das outras estrelas. Além disso, eles não vinham fazendo sucesso de bilheteria. E isso, era tudo o que importava em Hollywood. Ao pedir rescisão de contrato, foi dispensada sem qualquer hesitação. Bette protagonizou grandes sucessos na Warner, mais de 50 filmes e uma galeria incrível de importantes personagens, mas seu ciclo havia chegado ao fim. O novo período da vida de Bette Davis iniciava-se, e esse é o tema do nosso próximo post.
BETTE DAVIS, WILLIAM WYLER E SEU SEGUNDO PRÊMIO OSCAR
Foto 1 - Bette Davis e William Wyler
Hoje, vou destacar a participação do diretor Wyler na vida de Bette. Seus três filmes juntos e seu relacionamento amoroso com ele. Para isso, irei evidenciar os três longas estrelados pela atriz onde ele foi o diretor. Por que isso? Segundo a própria Bette, “Sem William Wyler minha carreira não teria sido tão fantástica.” Para ela, foi o primeiro diretor que realmente a dirigiu. Na época, era um diretor de 30 anos, exigente, temperamental, talentoso e as vezes cruel.
Foto 2 - Bette como Julie em Jezebel (1938) na cena do baile do Olímpio, onde choca a sociedade sulista por ir de frente a convenção da cor do vestido para as jovens solteiras
William Wyler dirigiu Bette em Jezebel (1938), The Letter (1940) e The Little Foxes (1941). Com esses filmes, Bette conseguiu mais três indicações ao Oscar, levando uma estatueta para casa. Em Jezebel (1938), Bette se firmou como um estrela de primeiríssima grandeza. A fanática direção de Wyler surtiu resultado: a performance dela foi espantosamente brilhante, tornando a petulância e impetuosidade de Julie Marsden (papel que interpreta) compreensíveis e simpáticas. Bette foi muito elogiada e ganhou seu segundo Oscar no ano seguinte por conta do seu desempenho.
Foto 3 - Spencer Tracy e Bette Davis recebendo o Oscar no 11º Prêmio da Academia em 1938
Wyler ensinou Bette a moderar o seu estilo ao construir passagens suaves entre as cenas mais exacerbadas, bem como adaptar-se ao estilo mais estático e sutil de Henry Fonda. A paixão de Wyler pela repetição várias vezes da mesma cena, tão odiada pelos executivos do estúdio, mostrou-se eficaz com Bette. Seu estado mental angustiado poderia destruir seu desempenho, mas Wyler lhe ensinou, com grande paciência e habilidade, a usar as pressões que estava sofrendo para dar ênfase a sua interpretação. A seguir pode-se ver a atriz recebendo seu segundo prêmio da Academia.
Jezebel é um filme bastante parecido com E o vento levou... (1939) não por ser uma super produção, mas pelo seu enredo, seus tipos particulares. Na verdade, Bette foi uma forte candidata a interpretar o papel de Scarlett O’Hara. E cá pra nós, teria Bette desempenhado bem o papel da sulina impetuosa? É claro que sim, e a própria Davis esteve convencida de que teria triunfado neste papel. Muito embora a Vivien Leigh fosse excelente, tornou-se monótona e sua interpretação pouco satisfatória na segunda etapa do longa. Sem dúvida, Bette teria sido capaz de trazer maiores recursos de pensamento e emoção ao desenvolvimento da película. Entretanto, a temática do livro e de sua adaptação para o cinema, gira em torno do desejo sexual que Rhett Butler (Clark Gable) cultiva em torno de Scarlett O’Hara e a estratégia de O’Hara em negar qualquer tipo de relacionamento. Em outras palavras, Scarlett seria uma provocação como também um prêmio físico pelo qual muitos homens estariam dispostos a lutar. Assim, a despeito de todo o seu talento e atração, Bette Davis jamais poderia corresponder a essa descrição. E esse, foi o motivo por ela não estrelar na produção de E o vento levou..., que sem pestanejar, seria mais um grande momento em sua carreira.
Foto 4 - Bette como Leslie Crosbie em The Letter (1940) após matar o seu amante
Em The Letter (1940), vive Leslie Crosbie, uma assassina que de maneira alguma tenta ganhar a simpatia do público, o que seria impensável para muitas atrizes da época de Bette. Por mais que tenha elementos melodramáticos, o binômio, atuação de Bette e direção de Wyler, o elevou a um dos melhores desempenhos da atriz. No filme, ela se mostrou fria e implacável, o que lhe rendeu sua quinta indicação ao Oscar. Uma curiosidade. Há muito tempo, desde de Dark Victory, Bette tinha um relacionamento amoroso com Wyler. Nele, ela encontrou um ego ainda maior que o seu, e o seu caso amoroso entrou em colapso com o diretor. Um dia, após uma jornada estressante no estúdio, chegou em casa e viu uma carta de Wyler. Mas como estava muito furiosa com ele depois da última discussão não se deu o trabalho de abrir a correspondência. Uma semana depois, resolveu lê-la. Largou-a e começou a chorar. A carta dizia que se ela não concordasse imediatamente com o seu pedido de casamento, se casaria com outra mulher na quarta-feira seguinte. Bette leu a carta, justamente, na quarta-feira, e assim que a leu, ouviu no rádio que William Wyler e Margaret Tallichet se haviam casado naquela mesma manhã. Por conta disso, não compareceu durante alguns dias ao trabalho, e se recusou em receber qualquer pessoa. Percebeu que não abrir a carta foi um dos maiores erros da sua vida. Agora o gozado, é que pouco tempo depois disso, teve que filmar o filme que se chamou The Letter (A Carta – 1940), comentado acima, e que teve a direção de Willian Wyler. A seguir, pode-se ver o carinho e respeito compartilhado por ambos em um programa que homenageava Bette.
No filme The Little Foxes (1941) após várias brigas com Wyler, por conta da sua interpretação fria e ríspida em várias cenas, Bette cedeu as súplicas do diretor, e passou em algumas cenas a interpretar com um riso amargo, um enorme humor cruel. Aqui vive Regina Giddens, uma mulher sem escrúpulos, manipuladora, simulada, egocêntrica e egoísta. No mais, o filme mostrou-se uma obra importante. Visto hoje em dia, percebemos que o desempenho de Bette é atual. Ao remover todo o sentimento e suavidade de seu personagem, revela-se extremamente a frente do seu tempo. Neste caso, o calor e encanto desejados por Wyler seriam inadequados neste contexto. A história da película é a simbolização da cobiça americana através do viés feminino que distanciou o desejo de sexo em muitas mulheres deste país. As críticas sobre o filme foram diversas, mas não há dúvida que ela ganhou em estatura ao assumir a responsabilidade em fazer o filme. A película atualmente parece mais aceitável do que na época do seu lançamento onde o que reinava eram enredos românticos e sentimentais. O que importa é que por sua atuação neste longa, recebeu sua sexta indicação ao Oscar, sendo a sua quarta de maneira seguida. A seguir, pode-se ver a cena máxima do filme.
Na próxima sessão, trataremos dos outros filmes da atriz na Warner Bros. em sua fase final neste estúdio.
OS PRIMEIROS ANOS NA WARNER BROTHERS E O SEU PRIMEIRO OSCAR
Foto 1 - Bette Davis no filme Bad Sister
Bad Sister (1931), foi o primeiro filme da sua carreira, e foi produzido pela Universal Studios. Entretanto, na época do lançamento da película, no começo de abril de 1931, o New York Times publicou a seguinte crítica: “A interpretação da Srta. Davis no papel de Laura é lúgubre demais e tende a destruir a simpatia que a plateia deveria sentir pela jovem.” Bette sabia disso, e como dito, não estava feliz com sua vida em Hollywood, nem com o elenco do longa. Por exemplo, em relação ao ator Humprey Bogart, que contracenava com ela, considerava-o mal-educado, mal-humorado, beberrão e tremendamente chato.
Bette Davis passou 18 anos na Warner Bros., e estrelou filmes de curto prazo e de baixo orçamento.
Cabin in the Cotton (1932), já na Warner Bros., interpretava uma garota sulista, linda, independente e manipuladora. Nesta película, deu sinais dos tipos de papéis que poderia fazer e onde se destacaria. Uma curiosidade desse filme é que foi dirigido pelo Michael Curtiz, “um húngaro brutal e selvagem que tratava todo mundo, inclusive Bette, por “seu vagabundo”. Nesse filme, em especial, a chamou de “imprestável filha da puta assexuada” e a obrigou a interpretar uma cena de amor diante das câmeras. O que Bette nunca falou é que com essa estratégia o diretor conseguiu que ela desempenhasse sua melhor performance do início da década de 1930. Segundo a crítica, com Madge, a tonta, egoísta, oxigenada e bela sulina, Bette criou um personagem completo, a um só tempo impiedoso, atrevido e patético. Veja o vídeo abaixo, e conheçam um pouco da Madge. Atenção para os segundos finais, onde ela diz que beijaria o rapaz, caso não tivesse lavado o cabelo.
Sobre as mulheres que interpretava falava sorrindo: “Sempre me perguntei por que gostava tanto de representar essas mulheres. São mais sedutoras do ponto de vista artístico. Além disso, você se diverte muito as representando. Conforme foi colecionado papéis desse porte foi se perguntando se elas não estariam em seu interior. Para essa pergunta, ela diz que nunca conseguiu encontrar uma resposta.”
Em Fashions of 1934 (1934) ela está irreconhecivelmente atraente. Sobre isso ela fala. “Era uma imitação perfeita da Srta. Garbo. Ridículo. Não fiz isso novamente. Estava ridícula. Não parecia com o que eu era. Você tem que ser fiel a você mesma. Eu era uma atriz, não uma garota glamourosa.”
Foto 2 - Bette tocando harpa em Fashions of 1934
Of Human Bondage (1934) foi produzido pela RKO e ela interpretou uma garçonete, chamada Mildred, extremamente amarga e cruel, que zombava do aleijado, e jovem estudante de medicina, vivido por Leslie Howard. Que vale salientar não queria Bette no filme por considerá-la “uma ninguém”. Esse filme rendeu a primeira indicação de Bette ao Oscar. Na verdade, ela não foi indicada, e por conta dela, as regras do prêmio foram alteradas. A partir de então era possível votar numa atriz não relacionada na cédula de votação. Sobre o longa, eu achei extremamente cansativo e sem graça, claro que não é culpa da Miss Davis, ela está ótima para variar, mas do próprio enredo. Mas após completar um pouco mais de uma hora de filme, temos o ponto alto dele, com Bette sendo a protagonista da cena que vocês podem ver a seguir.
Em Dangerous (1935) interpretou uma alcoólatra e é nesse filme que seu selo característico fica mais visível. Casada na época com o seu primeiro marido, mas não satisfeita profissionalmente em uma de suas falas diz: “Uma atriz frustrada lê para um público reduzido.” A despeito de todas as suas falhas, Dangerous trouxe a Bette muita satisfação, e lhe valeu críticas bem favoráveis. Mesmo os críticos se mostrando severos quanto à natureza manufaturada da produção e seus diálogos e situações novelescas, elogiaram com justiça e entusiasmo, a profundidade e amplitude emocionais da interpretação principal. Após isso, não restou dúvidas que Bette seria uma das principais concorrentes ao Prêmio da Academia, em fevereiro de 1936. Dito e feito, por sua atuação em Dangerous recebeu seu primeiro Oscar. A propósito do filme, Bette revelou que o desprezava e não ficou envaidecida por ganhar o prêmio tendo em vista o seu desempenho no longa, em contrapartida, sabia que tinha chegado no topo e que agora precisaria lutar mais ainda para manter a posição conquistada. Uma curiosidade, uma das histórias que dão origem ao nome do Prêmio da Academia vem de Bette. Segundo ela, após recebê-lo, percebeu uma semelhança entre ele e o seu primeiro marido. Abaixo pode-se vê-la na entrega do Oscar de 1936.
Após 31 filmes e duas indicações ao Oscar, tendo levado um, ainda estava infeliz com seus papéis, o que a tornava insatisfeita. Assinou contrato com a Warner por mais cinco anos, isso representou segurança financeira, mas não poder de decisão. Ela resume a situação assim, “Roteiros ruins, diretores ruins.” Ela sabia que se continuasse com maus roteiros e diretores não alcançaria os seus objetivos.
No ano de 1936, resolveu ir embora da Warner e começar sua própria greve. O estúdio cortou o seu salário, a suspendeu e a processou. A disputa com o estúdio foi bastante cansativa e o julgamento pífio. Com um advogado não muito bom, e com poucos recursos financeiros, os advogados britânicos de Bette deveriam ter a aconselhado a voltar imediatamente para Hollywood e esquecer o assunto, visto que o seu contrato era estanque e não podia ser violado ou alterado. A única virtude para todo esse conflito é que ele chamou atenção para os métodos espoliativos e atitudes machistas reinantes na terra da indústria cinematográfica. Sob todos os aspectos foi uma ocasião desastrosa e não precisa nem dizer que ela perdeu. Entretanto, o seu futuro não era muito desanimador.
A Warner a reintegrou pagando os seus danos financeiros e a presenteou com um bom roteiro, um diretor esperto e um bom elenco. O filme, Marked Woman (1937). Jack Warner adorou Marked Woman, durante anos, foi um de seus filmes prediletos.
Em 1939, Bette chegou definitivamente ao topo da carreira. Fez cinco filmes em um ano, e todos foram um sucesso. Em Dark Victory (1939), contracenou com Ronald Reagan, além de encontrar uma amiga, Geraldine Fitzgerald. Sobre sua carreira fala: “Acho que nunca estive realmente satisfeita com meu trabalho.” Vitória amarga foi a interpretação mais convincente de seus filmes para ela. O filme e a atuação eram boas. Com o longa, obteve as melhores críticas da carreira e sua quarta indicação ao Oscar. Entretanto, na sua vida particular, acabava de se divorciar do seu primeiro marido.
Foto 3 - Miss Davis em Dark Victory como Judith Traherne
Bette era totalmente diferente das mulheres afetadas e artificiais que reinavam em Hollywood. Era “humana”, abrasivamente franca e exaustivamente incansável. Apreciava o talento e sabia identificar ou denunciar prontamente a estupidez e mediocridade dos outros. Se uma jovem coadjuvante encontrava dificuldades em suas falas, Bette a auxiliava. Contudo, se percebesse incompetência por parte de um colega, demonstrava antipatia e má vontade. Era grande admiradora de sua amiga Jean Harlow, adorava Gable e Katharine Hepburn e idolatrava Garbo. Era fã incondicional do cinema e lamentava não ter o luxo dos astros da MGM, cujos filmes eram produzidos sob medida e com um cuidado fanático.
Antes mesmo de Dark Victory, Bette Davis já havia conhecido o diretor William Wyler, e em 1938, já havia gravado Jezebel. Mas por escolha minha, quero deixar a fase Wyler na carreira de Bette para a próxima seção. Amanhã, veremos a opinião dela em relação a Wyler, o seu segundo Oscar e sua saída da Warner Bros..
Nessa semana, nenhum outro assunto, fora aqueles relacionados à atriz norte-americana Bette Davis terá espaço neste blog. Há bastante tempo, queria fazer esse especial em sua homenagem, mas esperei até uma data representativa para fazê-lo. A atriz que nasceu em 05 de abril de 1908, veio a falecer em 06 de outubro de 1989. Ou seja, nessa semana, comemora-se 20 anos da morte da grande estrela do cinema americano. E por isso, a data é mais do que significativa para realizar este tributo.
Inicialmente, vou contar como a conheci. Foi em um filme do Pedro Almodóvar, em português, Tudo sobre minha mãe de 1999. A cena é a que Bette Davis diz que os fãs são verdadeiros coiotes, caçadores de autógrafos, passagem retirada do filme All About Eve (1950). Foi nessa passagem que eu disse comigo mesmo, tenho que saber que atriz é essa, e que filme é esse. Esse foi o ponto de partida para conhecê-la, e para assistir a minha primeira película onde ela atuava, desde então, “devoro” tudo o ela já fez, inclusive, suas entrevistas para a tv. Por isso mesmo, Almodovár nunca vai saber, mas ele foi a pessoa que me inspirou a gostar de cinema, subentenda-se, Bette Davis.
Foto 1 - Cena do filme All About Eve (1950), justamente, a primeira que vi da atriz e onde tive o prazer de conhecê-la
E é por causa do meu primeiro filme ter sido o All About Eve que os textos da série serão chamados de All About Bette Davis. Além de que, o nome do longa cai como uma luva para o que vou escrever.
IMPORTANTE: Grande parte das imagens que constam nesse especial foram coletadas do google imagens. Por favor, se alguém achar que a imagem foi tirada do seu blog, entre em contato que eu dou os créditos, ou ponho até o logo do tal blog na foto. Obrigado!
A FAMÍLIA E O INÍCIO DA CARREIRA NO TEATRO E NO CINEMA
Ruth Elizabeth Davis, mais tarde, Bette Davis, nasceu em 05 de abril de 1908 em uma cidade chamada Lowell em Massachusetts. Seu pai, um intelectual, tinha personalidade incompatível a da sua mãe. Separaram-se quando Bette tinha sete anos. A memória dela em relação a ele é que não era muito bom para sua mãe, e que ela ficou feliz com a separação, tanto por si própria quanto por sua mãe.
Foto 2 - Três gerações da família de Bette. A avó Favor, Ruthie sua mãe, e a pequena Bette
A partir desse dia, Ruthie Davis (mãe de Bette) lutou pela educação das suas duas filhas. E desde então, Bette teve consciência dos sacrifícios da mãe, em especial, no dia em que (sua mãe) se formou no curso de fotografia na Cushing Academy. Ela pagou a última mensalidade do curso tirando fotos dos formandos. Sobre isso, Bette pensou: “Um dia ela irá parar de trabalhar”. Além disso, a mãe dela foi um grande incentivo para Bette continuar buscando seu espaço no meio cinematográfico. Antes da sua empreitada no cinema, seu maior objetivo e paixão foi o teatro. Sua primeira tentativa de profissionalização foi em Nova Iorque na academia de Eva Le Gallienne uma das mais conceituadas da época. Mas a resposta da atriz após o teste foi: - Srta. Davis, percebo que sua atitude em relação ao teatro não é suficientemente séria para justificar que eu a aceite como aluna. Não passa de uma garotinha frívola. Tenha um bom dia.
Todo empecilho encontrado, a fazia mais forte. Não tendo espaço na escola de Eva Le Gallienne, correu para a segunda melhor opção, a Escola Dramática John Murray Anderson-Robert Milton, onde conheceria George Arliss, futuro propulsor da sua carreira. Três anos de elogios e aplausos nos teatros do Leste nada significavam em Hollywood. Na terra da indústria cinematográfica, a pessoa era considerada culpada desde o início, até conseguir provar o quanto valia. E Bette não gostava do cinema da mesma forma que adorava o teatro. No início, ficou calada odiando tudo aquilo, e para reverter o quadro, sua mãe teve que reavivar-lhe o animo.
Sua carreira cinematográfica iniciou-se em 1930 e de forma desastrosa. A primeira tentativa foi frustrante visto que não era o seu talento que os executivos do cinema procuravam. Tanto é, que no seu primeiro teste, o diretor pede para que ela mostre suas pernas, e inquieta com a situação, ela indaga: “O que tem a ver as minhas pernas com meu talento?” Não gostando do que viu, o produtor de filmes Sam Goldwyn rejeitou a hipótese dela trabalhar em seus filmes.
Em 08 de dezembro de 1930, junto com a sua mãe Ruthie Davis, se mudam para Los Angeles, pois a Universal Studios tinha lhe oferecido um contrato de três meses. O tempo que permaneceu nesse estúdio foi terrível, um ano bastante ruim para a jovem atriz. Batizaram-lhe de “a pequena ratinha” e lhe deram papéis inexpressíveis. Após nove meses na Universal, seus filmes eram dignos de serem esquecidos, e Bette Davis não renovou o seu contrato. Aos 22 anos, sua carreira como atriz de cinema parecia ter chegado ao fim, mesmo antes de ter começado.
Em setembro de 1931, pronta para retornar a Nova Iorque, é surpreendida por um telefonema. Bette diz: “- E uma voz elegante de sotaque inglês falou: ... A Srta. Davis? Quem fala é o Sr. George Arliss.” Bette não acreditou e pensou ser uma piada. E ele falou: “-Não, querida. Sou George Arliss. Poderia vir a Warner Brothers imediatamente para uma entrevista?” No mesmo dia, ela foi ao estúdio e ganhou o papel. Isso era 1932, e o filme que participou junto ao seu antigo professor de dicção era The man who played God. Ser a protagonista de Arliss, um respeitado ator da época, foi de suma importância para Jack Warner contratá-la, e para que seus futuros admiradores a conhecessem.
Foto 3 - Cena do filme The man who played God de 1932. No centro, Bette Davis e George Arliss
Bette Davis em um documentário sobre ela - Bette Davis: Um Vulcão Benevolente (1983) – se auto define como tendo um entusiasmo inesgotável e uma vitalidade impressionante herdada da sua mãe. Oriunda de uma família puritana, respeito e honra eram palavras usadas pelos Davis com mais freqüência que afeição e amor. É fácil compreender o caráter de Bette Davis quando tomamos conhecimento que nasceu de um pai que não desejava sua concepção. Sabendo que nascera contra obstáculos, ela encarou o resto da vida como uma corrida de barreiras.
Na próxima seção, trataremos dos anos iniciais na Warner Brothers, e do primeiro Oscar recebido pela Miss Davis. A saga e a ambição de Bette são dignas de inveja. É uma história fascinante, por isso mesmo, impossível de ser perdida.
Apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, torcedor do Sport Club do Recife (o qual julgo ser o maior e mais apaixonante de todos), Cientista Social, Mestre em Ciência Política e, atualmente, doutorando em Ciência Política.
Apreciador da sétima arte, e admirador, em particular, da Bette Davis, da Elizabeth Taylor, da Meryl Streep e da Greta Garbo, não necessariamente nesta ordem. Para mim, a Baby Jane Hudson é uma injustiçada, a Elizabeth Taylor sempre será uma "Gata em teto de zinco quente", ficaria a sós com a Greta Garbo o tempo que ela quisesse e tudo o que a Meryl Streep faz é sensacional. Inclusive, Mamma Mia!
I wish my life was a non-stop Hollywood movie show, A fantasy world of celluloid villains and heroes, Because celluloid heroes never feel any pain, And celluloid heroes never really die.