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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

August: Osage County (2013)

Foto 1 - Meryl Streep e Julia Roberts em Álbum de Família

Uma família percebe o seu grau de desunião depois da morte do seu patriarca. Aparentemente, uma história banal, pois não é o primeiro filme a se utilizar desse enredo, depois, porque poderia ser a casa de qualquer um. A não ser pelo fato dela ser habitada por Meryl Streep (Violet Weston/Vi) e Julia Roberts (Barbara Weston). Streep interpreta uma mãe complexa, ao mesmo tempo, irônica e dominadora, cômica e autoritária, frágil e controladora. Carrega consigo uma infância problemática, segredos e aquilo que há de mais sujo e vulgar no relacionamento com seu marido, irmã e filhas. Por outro lado, Roberts passa por uma situação familiar complicada. Enfrenta uma separação simbólica e uma filha adolescente que não possui bons exemplos caseiros.

Em suma, é um lar habitado por “mulheres à beira de um ataque de nervos”, e isso, porque nem mencionei as histórias de vida dos outros personagens que acabam de dar o tempero nesse molho emocional. O longa é repleto de diálogos tensos, desafiadores e de indiretas. Apenas em uma única tomada – a da refeição pós-enterro, por exemplo, Vi(bora), consegue perturbar mentalmente todos à mesa. Com sua aguçada percepção, ela capta as entrelinhas das falas dos seus interlocutores e consegue se munir de fatos que, com certeza, logo em seguida serão utilizados contra quem quer que seja. À primeira vista, é um filme bem pesado, pois conta os dramas e esmiúça os podres de uma típica família – norte-americana –, entretanto, é possível dar muitas e boas gargalhas durante seu desenrolar. A propósito, não achei que a Meryl passou do ponto, tom ou seja lá o que for. Você já discutiu com a sua mãe por razões bem mais banais que aquelas tratadas no filme e sabe como ela reagiu, não sabe? Então você concorda comigo.

Sou suspeito para falar, visto que sempre acho de bom grado ver a Streep, ainda mais, quando ela é acompanhada várias vezes pelo som do Eric Clapton. Não sei se vale um Oscar, mas com certeza, mais uma indicação, a sua décima oitava. Também não sei como, pois achei que nunca escreveria isso, mas a Julia Roberts cumpre muito bem com o papel de primogênita. É a típica filha preferida dos pais, aquela que tem o poder de tomar as rédeas nos momentos difíceis, que será ouvida, sendo as outras irmãs apenas meras observadoras. No Brasil, a película recebeu o nome de “Álbum de Família”, mas “Casos de Família” – programa produzido e exibido pelo SBT – também lhe cairia muito bem. Atire a primeira pedra aquele que não conseguir se colocar em alguma situação do longa, ou identificar algum parente que se assemelhe aos personagens. Este foi o melhor programa que eu poderia ter feito nesse penúltimo dia do ano.
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August: Osage County (Álbum de Família), Estados Unidos, 2013. Dirigido por John Wells. Com: Meryl Streep, Julia Roberts, Chris Cooper, Margo Martindale, Ewan McGregor, Abigail Breslin, Juliette Lewis, Sam Shepard. 121 minutos. Gênero: Comédia, Drama.
Nota: 8.5

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

The Bridges of Madison County (1995)

Foto 1 - Meryl Streep e Clint Eastwood em As Pontes de Madison

“Os velhos sonhos eram bons sonhos. Não se realizaram, mas estou feliz por tê-los tido.” Essas duas frases – retiradas do filme – podem resumir a história contada em As Pontes de Madison. Durante quatro dias, Francesca, uma italiana, interpretada por Meryl Streep, tem um romance com um fotógrafo – Robert Kincaid (Clint Eastwood). Francesca é uma típica dona de casa. Ela vive em função dos seus dois filhos e marido, razão pela qual também largou o seu trabalho. Enquanto faz tudo por estas pessoas, como aprendeu que deveria, pouco recebe em troca. Ela é uma mulher sonhadora e apaixonada pela vida, mas ficou confinada a ter um dia-a-dia pacato e se doou em prol da família. Ela era feliz? Possivelmente, não. Na verdade, a vida que levava não era aquela com a qual sonhou. Então, por que não largar tudo e começar uma nova? Essa é uma pergunta fácil de ser formulada e difícil de ser respondida. De fato, para o contexto social em que vivia, esse não era um caminho simples para ser tomado.

Inesperadamente, nestes quatro dias, Francesca se envolve com este homem que traz à tona todos os desejos que ela guardou por mais de vinte anos. Ela viu em Robert a chance de realizar tudo aquilo que sempre almejou. Conhecer pessoas, ter novas vivências, viajar e descobrir um mundo que só conhecia através de relatos e de leituras. Para os olhares moralistas, esta é uma história de traição. No entanto, para os menos hipócritas, é um relato sobre descobrimento e auto-estima. Contra toda a história de amor vivida, em menos de uma semana, uma mulher resolve abrir mão de sua suposta felicidade para continuar na sua vida de detalhes. Com filhos que mal falam com ela e que não respeitam seu espaço (vide a cena que a filha tira o rádio da sintonia colocada pela mãe). Este é um bom filme para pensarmos sobre nossas próprias vidas e nosso relacionamento com nossos pais.

Além disso, há uma estupenda atuação do casal Streep e Eastwood. No entanto, não é possível dizer o mesmo do casal que representa os filhos da Francesca. Os dois atores principais estão em total sintonia e dão uma performance daquelas inesquecíveis. Estão, com certeza, na lista dos melhores casais já vistos na história do cinema. Meryl Streep com toda ternura e vivacidade, mostrando ao mesmo tempo uma mulher sonhadora e fiel à sua família. Por outro lado, o Clint Eastwood, que também dirige a película, mostra um homem viajado e conhecedor de outras culturas, que descobre a mulher com quem gostaria de passar o resto dos seus dias. Sendo um pouco menos utópico, de fato, não se sabe até quando esse romance se sustentaria. A mudança é algo muito difícil, ainda mais, quando envolve várias outras pessoas, como seria neste caso. Todavia, como mostrar coisas belas e nos fazer imaginar é um dos objetivos da sétima arte, o desfecho do longa é satisfatório e o mais provável de acontecer. Lembro de ter visto, pela primeira vez o longa, num final de semana, à noite, quando tinha por volta dos 12 anos, desde então me emociono cada vez que o vejo. Na época, nem sabia da grandeza dos seus atores, porém, aquelas atuações e história ficaram gravadas na minha memória.
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The Bridges of Madison County (As Pontes de Madison), Estados Unidos, 1995. Dirigido por Clint Eastwood. Com: Clint Eastwood, Meryl Streep. 135 minutos. Gênero: Drama, Romance.

Nota: 8.5

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Apenas Meryl Streep...

Foto 1 - Streep no Oscar de 2012

O mundo cinéfilo acordará mais feliz nesta segunda-feira. Após 29 anos e 12 tentativas, Meryl Streep conseguiu a sua terceira estatueta do Oscar. Não sei se coincidência, mas ao vencer na mesma categoria pela Escolha de Sofia, a atriz também vestia dourado. Misticismo a parte, o importante foi presenciar esse momento histórico, e que nem uma criança, não se conter de emoção.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

The Iron Lady (2011)

Foto 1 - Meryl Streep como Margaret Thatcher

Acho que as pessoas que andam falando mal de ‘A dama de ferro’ estavam na verdade querendo um documentário. Um daqueles que tratasse detalhadamente sobre a deflagração da Guerra das Malvinas e do modelo neoliberal implementado pelo governo Thatcher. Mesmo esses sendo temas importantíssimos da agenda política dos anos de 1980, tal como a queda do muro de Berlin, eles não são o foco da película. Da mesma maneira, que quem não conhece um pouco sobre sistemas de governo e sistemas eleitorais, também não conseguirá entender como foi que ela chegou ao poder sendo a líder do partido conservador. E por isso o roteiro deveria incluir uma aula de ciência política para suprir essa falta de informação? Não! Na verdade, o filme é maior do que essas coisas. Há um aspecto mais relevante para mim. É a ênfase constante, mesmo que não de maneira enfática, na ambição e no desejo dela de fazer algo em um mundo dominado apenas por homens. Pode-se discordar dos seus feitos, legado e maneira de agir, mas não há como negar a relevância que teve uma mulher ocupar o cargo de primeiro-ministro e, ainda mais, pelo partido conservador britânico. Nesse aspecto, ela foi tão ou mais progressista do que uma Simone de Beauvoir.

Talvez tenha faltado um pouco ao filme, não propriamente uma contextualização histórica, a que foi feita me deixou satisfeito. Quem sabe uma melhor abordagem dos bastidores do poder. Isso foi feito, mas de maneira superficial. Ela que sofria de um duplo preconceito, primeiro por ser mulher e, segundo, por ter se originado de uma família não muito abastada. Assim, o seu enfrentamento diário e sistemático para firmar posição nesse ambiente fosse mais instigante e rendesse uma película mais interessante. Tratar mais desses aspectos e menos do seu relacionamento com o marido morto, nas suas crises de ‘loucura’, renderia um trabalho de melhor nível. Afinal de contas, todos nós estamos sujeitos a envelhecer e, quiçá, passar pelos mesmos devaneios, no entanto, fincar o nome na história é para poucos e, isso sim é admirável e merece discussão!

Outro argumento que anda circulando nas críticas é que se a Streep não estivesse no filme, ele seria pior do que já é, como também, o fato de que alguns atores estão subaproveitados. Ora, o longa é sobre a Thatcher, queria-se o quê? Que o seu marido se sobressaísse na trama? Palmas para a diretora e os produtores que escolheram a Meryl Streep e deram a ela, se não o melhor papel em termos próprios, mas o melhor que ela interpretou nos últimos dez anos. Precisa, convincente, humana e incisiva (quando necessário), impecável. Sou um dos que advoga pela repercussão da Viola Davis, mas a Streep em termos de papel e atuação de atriz principal leva bastante vantagem. Parece que o filme foi feito sob encomenda para ela brilhar, e ela o faz. Dentre todas as oportunidades que a Streep teve de levar o Oscar nesses últimos dez anos, se ela não o levar esse ano, será o caso de maior injustiça já feito na história da premiação contra ela. Tirando o lado de fã (aliás, a análise feita é bastante racional), em todos os aspectos ela está surpreendente, seja com a ajuda da boa maquiagem para interpretar a ex-primeira-ministra no avançar da idade, seja ela na sua batalha diária no Parlamento. Que mulher, que atriz, que atuação!
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The Iron Lady (A Dama de Ferro), Reino Unido, 2011. Dirigido por Phyllida Lloyd. Com: Meryl Streep, Jim Broadbent. 105 minutos. Gênero: Biográfico, Drama.

Nota: 7.5

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

"To dream big and dream fierce"

Foto 1 - Viola Davis com o seu The Actor

Muitos esperavam por um resultado diferente, ontem, durante a entrega do The Actor na categoria de melhor atriz/cinema - inclusive, eu. No entanto, como previa na postagem sobre o filme Histórias Cruzadas (The Help), que a disputa nas premiações de 2012, estaria entre a Viola Davis e a Meryl Streep, e não entre a Streep e a Glenn Close. Difícil é imaginar, agora, como será o Oscar. Das 17 edições do SAG Awards, apenas em 5 situações, a vencedora do sindicato dos atores não levou a estatueta do Oscar. Parece que a Streep terá que esperar por uma nova oportunidade. Digo isso baseado no fato de que: se ela não levou o Oscar quando concorria com a Sandra Bullock, como ela conseguirá arrancar de uma candidata bem mais forte e qualificada, que atuou em um filme amplamente aceito pelos americanos? Lembrando que a Bullock levou ambos os prêmios. Contudo, voltando para a Viola Davis, não se pode negar que foi merecido. E digo mais, foi um dos melhores momentos da noite (pena que no vídeo, não é mostrado o momento em que ela ouve o seu nome sendo anunciado), juntamente, com a vitória da Octavia Spencer, e do filme "The Help" em melhor elenco. E como a Viola Davis disse em seu discurso (que pode ser visto abaixo) devemos: “[...] to dream big and dream fierce.”


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Trailer do filme 'The Iron Lady'

Vendo o trailer, deu uma vontade imensa de ver o filme imediatamente!


sexta-feira, 5 de março de 2010

Bons ventos de Hollywood...

Foto 1 - Meryl Streep no 55º Academy Awards, recebendo o prêmio por sua atuação em A Escolha de Sofia

Nos bolões e comentários que ando fazendo sobre as expectativas pré Oscar 2010, tenho dito que a Sandra Bullock será a próxima a levantar a estatueta mais cobiçada do Cinema. É claro, que isso não me anima nada, apenas cheguei a essa conclusão pelos resultados que a Bullock tem obtido nas premiações que antecedem ao Academy Awards. Minha vontade, é ver a Meryl Streep, depois de 28 anos, recebendo o há bastante tempo merecido terceiro Oscar. No entanto, no blog da Ana Maria Bahiana, li um post que me deixou bastante animado. O trecho ao qual me refiro, ponho logo abaixo, o grifo é meu:

E por que Sandra Bullock, por que agora? Já perdi a conta das conversas igualmente intrigadas, para não dizer pasmas, das quais participei, todas com esse tema. Objetivamente, Bullock é a melhor coisa de um filme medíocre que não faria feio na TV (mas não nos canais de ponta, como HBO..), está na batalha há anos e, como Bridges, é gente fina. Numa interessante matéria da Entertainment Weekly desta semana (que infelizmente não está online), 3 entre 4 acadêmicos entrevistados garantiram que votaram em Meryl Streep na categoria…. O que isso pode indicar? Que o furor em torno de Sandra Bullock esmoreceu depois do prêmio da SAG, com Meryl Streep disparando. Seria seu primeiro Oscar desde A Escolha de Sofia, em 1982. Interessante…


sábado, 6 de fevereiro de 2010

Alguns dos mais badalados do ano

Sem muito tempo, nem juízo, afinal de contas, há muito já é carnaval aqui em Recife. Mas para não perder o ritmo, vou colocar um ensaio legal que vi na Vanity Fair. Ponho algumas fotos a seguir, no link pode-se ver todo o ensaio, e os créditos das imagens.

Foto 1 - Kathryn Bigelow com Jeremy Renner. Um filme juntos: The Hurt Locker (2008).

Foto 2 - Lee Daniels com Mo’Nique e Gabourey Sidibe. Um filme juntos: Precious: Based on the Novel Push by Sapphire (2009).

Foto 3 - Pedro Almodóvar com Penelópe Cruz. Quatro filme juntos: Carne Trémula (1997), Tudo sobre minha mãe (1999), Volver (2006), e Los Abrazos Partidos (2009).

Foto 4 - Nora Ephron com Meryl Streep. Três filmes juntas: Silkwood (1983) e Heartburn (1986) com Ephron como escritora, e Julie & Julia (2009) com Ephron como escritora-diretora.

Foto 5 - Tom Ford com Colin Firth e Julianne Moore. Um filme juntos: A Single Man (2009).

Foto 6 - Quentin Tarantino com Christoph Waltz. Um filme juntos: Bastardos Inglórios (2009). A melhor foto de todas!

Você pode ver o making-off das fotos no vídeo a seguir:


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

and the Golden Globe goes to...

E ai se foi mais um Globo de Ouro, agora, é a hora de falar sobre os palpites que acertamos e erramos, dos vencedores, dos ganhadores inesperados, enfim, é o momento do balanço de mais uma noite de premiação na história da sétima arte. Antes de tudo, vou fazer uma observação sobre as entregas. Foram três horas que se passaram como se fossem três minutos. As entregas tem uma velocidade incrível, elas vão logo ao ponto.

O meu balanço de erros e acertos foi positivo, das 11 categorias que dei palpite, errei 3, 3 bateram na trave, ou seja, não eram a minha primeira opção, e acertei 5. Assim, de 11 pontos possíveis, consegui 6.5, ou quase 3/5. Lembrando que cada acerto vale 1, e cada "bola na trave" vale 0.5. Os erros, "bolas na trave" e acertos estão sinalizados nas fotos que se seguem por círculos coloridos. Os verdes significam uma aposta correta, os amarelos "bola na trave" e os vermelhos, erro. Assim foi a noite e as minhas apostas:

Melhor filme/drama, e Melhor direção: Pois é, a noite foi de AVATAR. Mesmo tendo anunciado isso em um outro post, vê-lo aqui, eu continuei acreditando em Bastardos Inglórios. Mais uma vez as bilheterias falaram mais alto no Golden Globe Awards. Avatar é um ótimo entretenimento, não há como negar, mas daí ser considerado o melhor filme do ano é demais para mim. E pelo visto, o ano será mesmo de JAMES CAMERON, que não só levou pelo melhor filme, como também pela melhor direção. Nessas duas categorias, minhas apostas bateram na trave, é isso mesmo, não era o vestido da Sigourney Weaver que tinha duas bolinhas amarelas, é o código sobre meus palpites que falei lá em cima, lembra? No mais, não sobrou nada para o Tarantino esse ano, agora, é esperar o prêmio da Associação de Diretores Americanos que normalmente não erra o vencedor do Oscar, e torcer para que o Cameron não leve novamente. Mas parece que isso está difícil de acontecer!

Melhor filme/comédia ou musical: Para mim essa foi uma zebra das grandes, quem é que esperava pela vitória de SE BEBER, NÃO CASE? Pelo menos os eleitores da enquete promovida por este blog, e eu mesmo, não dava a mínima relevância ao longa. Os meus candidatos eram, 500 Dias com Ela e Nine, falando em Nine, o que foi a noite para o Rob Marshall, hein? Nem o filme, nem o diretor, nem ninguém do seu elenco levou nada. No mais, as vezes o vencedor é zebra, mas até que merece receber o prêmio, nesse caso, eu acho que a entrega foi injusta, havia melhores opções, mas novamente os resultados de bilheteria falaram mais alto. Afinal de contas, fazer cinema custa dinheiro, e se não houver quem pague (boas bilheterias) não existe a indústria cinematográfica, é triste, mas é isso!


Melhor ator
/drama: Outra surpresa! Só que dessa vez, uma grata surpresa. Confesso que ainda não vi Crazy Heart, mas li opiniões no momento da entrega de pessoas confiáveis que o JEFF BRIDGES leva com maestria o longa, tendo excelente performance. Então, só tenho uma coisa a dizer, parabéns! Agora, quem não deve ter gostado nadinha disso foi o George Clooney, que vale salientar, era a minha aposta nessa categoria. Depois dessa, será que o Clooney leva o Oscar? Fica a dúvida no ar, se é que você me entende!

Melhor atriz/drama: É senhores e senhoras, deu SANDRA BULLOCK como eu tinha previsto. Ela foi uma das minhas apostas corretas, mas que na qual jamais votaria se esse poder eu tivesse. Essa é a prova clara de que um lobby bem feito resulta em prêmios. Como ela mesma disse ao receber o Globo de Ouro, que tinha sido um ano maravilhoso para ela, e que mesmo não possuindo o maior dos talentos, tinha tido boas oportunidades na carreira. Haha, me engana que eu gosto, fiquem tranquilos, se ela chegou lá, significa que todas podem, é apenas uma questão de tempo. Lembrando que ela venceu da Gabourey Sidibbe, Helen Mirren e Carey Mulligan. É ou não é incrível?!


Melhor ator/ comédia ou musical:
Para mim foi outra surpresa, só que boa. O ROBERT DOWNEY JR., no momento mais lembrado por aquele que fez Sherlock Holmes, foi o vencedor da categoria. Ainda não vi a sua atuação, mas ele tem crédito, parece que o cara tem talento de fato.

Melhor atriz/ comédia ou musical: Os cinéfilos devem estar em festa, particularmente, era um dos momentos que mais queria ver, MERYL STREEP subindo ao palco e recebendo o seu sétimo Globo de Ouro. Era um aposta previsível, a dúvida talvez, era se ela receberia por sua atuação em Julie & Julia ou Simplesmente Complicado. O meu voto era em Streep por Julie & Julia, e foi isso que deu mesmo. Devo agradecer pela Bullock não ganhar esse prêmio, nem ter outro empate patético, vide o exemplo do Critics' Choice Award. Não sei se vocês tiveram a mesma impressão, mas senti um clima favorável a ela, será que isso é um presságio para o que está por acontecer no Oscar 2010? No mais, sempre com excelentes discursos, ela agradeceu ao elenco e à equipe do longa, e homenageou a mãe. "Nesse filme, fiz o papel de uma das mulheres mais queridas dos Estados Unidos, Julia Child. Mas secretamente homenageei minha heroína pessoal, minha mãe, que fez parte da geração de Julia. Era uma alegria conviver com minha mãe, e ela não tinha paciência para tristeza e baixo astral." E ainda comentou que: "Na minha longa carreira, fiz o papel de tantas mulheres extraordinárias. Estão achando que sou uma delas. Sou apenas um meio para desempenhar esses papeis". Ela é ou não é incrível?!


Melhor atriz coadjuvante:
Essa também estava fácil, não é?! Ela já chegou ao International Ballroom do Beverly Hilton ovacionada pelo público, e foi uma das primeiras a receber seu prêmio. Prêmio mais que merecido! Que venha o Oscar, não é mesmo MONIQUE?!

Melhor ator coadjuvante: CHRISTOPH WALTZ, esse é o nome dele. Pedra cantada há muito tempo, e por mim, desde os idos de outubro do ano passado quando tive a oportunidade de ver Bastardos Inglórios. O que disse para a Monique também vale para ele, que venha o Oscar, não é mesmo, coronel Hans Landa?!

Melhor animação: Advinhe quem ganhou mais uma vez... é isso mesmo, a Pixar. O nome dessa vez, UP - ALTAS AVENTURAS, quem recebeu o prêmio foi Pete Docter, o diretor da animação. Só tenho mais uma coisa a dizer, vida longa a Pixar!

Melhor roteiro: Eu realmente tinha a esperança de que Tarantino levasse pelo menos um prêmio, seja, em roteiro, direção ou filme/drama. Isso não aconteceu, mas acertei, AMOR SEM ESCALAS como a segunda opção dessa categoria, contabilizando outra "bola na trave". Na foto, Jason Reitman (esquerda) e Sheldon Turner (direita), os dois roteiristas da película. Não achei a escolha injusta, antes ele do que Avatar. Sabendo claro, que a minha primeira opção continua sendo Bastardos Inglórios.

Os outros vencedores, ainda na categoria cinema:

Lembrando que nestas categorias eu tinha abdicado de votar.

1. Melhor filme estrangeiro: A Fita Branca de Michael Haneke.
2. Melhor canção:
The Weary Kind de Crazy Heart.
3. Melhor trilha sonora:
Michael Giacchino por "Up - Altas Aventuras".

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Observação: Mais tarde ainda tem os últimos comentários sobre o Globo de Ouro 2010, dentre eles, a entrega do prêmio Cecil B. DeMille ao Scorsese, que entre mortos e feridos, muitos sairam salvos.

Os momentos que valeram um Globo de Ouro

Para mim, dois momentos da noite de entrega dos Globos de Ouro de 2010, valeram a pena. O primeiro foi ver mais uma vez, a MERYL STREEP recebendo o prêmio. Vale salientar, que esse é o seu sétimo Globo de Ouro, já tendo na carreira vinte e cinco indicações à honraria. E o segundo, foi a entrega do prêmio Cecil B. DeMille a MARTIN SCORSESE, e com isso, poder relembrar várias de suas películas, inclusive, ver cenas da sua mais nova empreitada, A Ilha do Medo. Além disso, o prêmio foi entregue pelas mãos de dois atores que são sinônimo de seus filmes, Robert De Niro e Leonardo DiCaprio. Pelo menos nessa noite, um grande diretor foi reconhecido e premiado. Os vídeos desses momentos marcantes podem ser re-vistos logo em seguida.



Observação: Mais tarde escrevo um post sobre outras impressões que tive, além do velho balanço entre palpites acertados e errados, e outros comentários sobre a premiação.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Julie & Julia (2009)

É bom estar de volta ao chá de poejo, e melhor ainda, é retornar comentando um filme estrelado pela Meryl Streep.

Foto 1 - Meryl Streep como Julia Child

O longa da vez é Julie & Julia (2009), onde Streep interpreta Julia Child, e Amy Adams a Julie Powell. Julia Child, uma ex-secretária de uma entidade governamental norte-americana, muda-se com o marido para Paris. Cansada de não fazer nada, deculpem-me o oxímoro, tenta ocupar seu tempo, mas não sabe com o que. É nessa busca que ela percebe que o que mais gosta de fazer é comer, e então, decide entrar numa escola de culinária. Com um talento sensacional para a atividade, tornou-se um nome reconhecido mundialmente. Julie (Amy Adams) entra na trama em um momento de baixa autoestima profissional, e decide então, fazer algo que de fato, lhe dê prazer. Tal como a Julia Child, a Julie Powell também gosta da arte de cozinhar, e decide fazer um blog, onde ela possa comentar, depois de ter feito os pratos sugeridos no livro Mastering the Art of French Cooking de autoria da Julia.

Sobre as atuações. Não gostei da Amy Adams, muito sem graça, parece até uma criança. É uma interpretação com pouca expressividade, mesmo sendo o seu papel tão importante quanto o de Meryl Streep e havendo enormes possibilidades para enriquecê-lo. Por outro lado, você percebe a delicadeza da Streep, que interpreta uma mulher gigante para a média feminina, e com um sotaque daqueles carregados que ela adora compor. Ela consegue nos divertir, nesse papel de uma comilona que é obcecada por manteiga. Uma das marcas dela é a tranquilidade ao dizer suas falas, nunca há exitação, não se percebe uma busca por palavras, é tudo muito natural. Ela está leve como uma pluma, um colírio para os olhos.

O filme. Com certeza, não é o melhor do ano, nem um dos melhores. Sem a atuação da Meryl Streep seria mais um, dentre tantos outros. É impagável vê-la se divertindo literalmente em cena, fazendo de uma chefe da cozinha francesa aparentemente rude e meio desengonçada por causa do seu tamanho, muito mais agradável e divertida, que a "sem graça" e boazinha Amy Adams. Falando em ser meio desengonçada, é admirável o trabalho corporal (ver link com a verdadeira Julia) da mesma Streep. Ela, filme a filme, vem mostrando que é a atriz mais completa da atualidade. Em última análise, Julie & Julia é um longa para descontrair e relaxar, sem muitas pretensões, entretanto, uma coisa é bem verdadeira, ele re-valoriza o hábito pela boa gastronomia e o prazer em comer tão fora de moda com esses padrões de modelos esqueléticas e que só comem saladas. Eu recomendo assistir, esse é um bom exemplo de película para arejar a mente cansada, por isso, bon appétit!

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Julie & Julia, EUA - 2009. Dirigido por Nora Ephron. Com: Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci. 123 minutos. Gênero: Biografia, Comédia.

Nota: 8.0

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Kramer versus Kramer (1979)

Kramer vs. Kramer (1979) é um filme essencial para todos aqueles que já passaram por momentos de separação dos pais. O filme retrata as mudanças sociais ocorridas nas últimas décadas, especificamente, a entrada das mulheres no mercado de trabalho, e os seus anseios de paridade com os homens. Contudo, ainda hoje, haverá quem pense que Joanna Kramer (Meryl Streep) é uma desnaturada por fazer o que fez, mas, em minha opinião, ela fez o que é comum muitos homens fazerem, e que por sua vez, é visto como normal. No entanto, isso ainda não é justificativa para seu ato.
Foto 1 - Joanna Kramer (Meryl Streep) e Billy em um momento de alegria no parque. Vale salientar que o longa possui belos momentos e uma belíssima fotografia.

Joanna tem sérias razões para dar cabo aos seus pensamentos. Em um relacionamento de 8 (oito) anos, vive em um ambiente onde o diálogo não é nem fundamental, nem levado a sério, e onde toda a família vive em pró de um único membro, Ted Kramer (Dustin Hoffman). Hoje em dia, o filme pode até parecer banal, visto que a sua problemática é mais aceita socialmente. Porém, nos final dos anos 70, o assunto ainda era visto como tabu, e daí talvez, advenha sua enorme repercussão no meio cinematográfico. A busca de Joanna Kramer girava em torno do seu desejo pela independência financeira e contra sua falta de vida social. Uma passagem, que pode ser lida logo a seguir, evidencia seu descontentamento com a vida que levava, e que era, e ainda é, similar a realidade de muitas mulheres.

Toda a minha vida me senti mulher de alguém ou mãe de alguém ou filha de alguém. Durante todo o tempo em que estivemos juntos, nunca soube quem eu era.

Joanna Kramer
Mas muitos não aceitam o fato dele ter tido uma grande repercussão (no Oscar de 1980, ele concorreu diretamente com o filme Apocalypse Now do Francis Ford Coppola). Kramer vs. Kramer foi premiando com 5 (cinco) oscars (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Dustin Hoffman), Melhor Atriz Coadjuvante (Meryl Streep) e Melhor Roteiro Adaptado) e 4 (quatro) globos de ouro (Melhor Filme - Drama, Melhor Diretor, Melhor Ator - Drama (Dustin Hoffman) e Melhor Atriz Coadjuvante (Meryl Streep).

Foto 2 - Billy e Ted Kramer (Dustin Hoffman) fazendo rabanadas para o café da manhã. No longa, Ted luta desesperadamente atrás do tempo perdido, tentando se tornar um pai mais presente na vida do filho. Quem já viu o filme sabe do significado dessa cena.

Deixando todas as controvérsias (que na minha opinião não existem), não tenha dúvida que você verá um ótimo filme e um show de interpretação, principalmente nas cenas finais, do Dustin Hoffman, da sensacional Meryl Streep e um show a parte do pequeno Billy Kramer (Justin Henry). Segurem as lágrimas na cena do tribunal, onde tanto Hoffman, quanto Streep estão incríveis. Se me perguntassem o que é o filme em um frase, eu diria que ele mostra que nem tudo na vida é explicado, ou pode ser dito, de maneira dicotômica. Às vezes, um não, ou um sim, não são suficientes para expressar pensamentos ou responder perguntas.

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Kramer vs. Kramer, Estados Unidos - 1979. Dirigido por: Robert Benton. Com: Dustin Hoffman, Meryl Streep, Jane Alexander. 105 minutos. Gênero: Drama.
Nota: 9.0

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Filmes que quero assistir

Como é bom ver a Meryl Streep nas telonas do cinema. Ela que é uma sessentona, e que sessentona! Está mais ativa do que nunca. O filme da vez é “Julie & Julia”, e é esperado para estrear no Brasil em outubro desse ano. O longa conta a história de vida de duas mulheres que se cruzam porque aprendem a amar a arte de cozinhar. Julie Powell é uma nova-iorquina que perde o emprego e decide cozinhar diariamente as receitas da renomada culinarista Julia Child (Meryl Streep) e narrar suas experiências em um blog. No caso da Meryl Streep, ela já transitou por essa área, em “A Difícil Arte de Amar”, ela já foi uma escritora de matérias culinárias em Nova Iorque. Nesse filme, contracenava com Jack Nicholson. Enfim, como tudo que a nossa recordista em indicação de Oscars faz, vale a pena conferir mais esse. Para quem assistiu “Mamma Mia!” e gostou da atuação dela, esse deve ser fichinha. Está na lista! Abaixo é possível ver o trailer do filme. Agora, vou ver se o meu time se reabilita no brasileirão.