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domingo, 20 de março de 2011

The Pervert's Guide to Cinema (2006)

Foto 1 - Cena do documentário que remete ao clássico 'Os Pássaros - 1963'

Essa versão é uma atualização de um texto que já escrevi com o título - Oscilando entre a "ficção" e a realidade – em um outro blog há quase três anos.

O seguinte texto versa sobre o filme, The Pervert's Guide to Cinema (2006), e tenta sistematizar os principais nexos lógicos que norteiam a trama. O autor promove uma discussão sobre grandes obras do cinema mundial, contrapondo-as as teorias da psicanálise. Realiza um debate de um lado enfatizando o que determinados filmes dizem sobre a construção das fantasias (ficção/realidade) humanas e por outro lado, como a psicanálise interpreta tais fenômenos. O meu intuito foi delinear os principais pontos de argumentação e tentar, na medida do possível, incrementar o debate com alguns conceitos sociológicos mesmo que de maneira rudimentar. Enfim, abaixo você encontrará algumas divagações próprias do Zizek e algumas oscilações da realidade minhas.

Slavoj Zizek é um filósofo lacaniano-marxista de Ljubliana, capital da Eslovênia. Tem escrito livros com temáticas com o cinema de Hitchcock, Lênin, a ópera, e os ataques terroristas de 11 de setembro. A meta da obra de Zizek é combinar a crítica marxista do capitalismo com informes psicanalíticos para desmascarar a forma como opera o capitalismo sobre a imaginação pública. Em 1990, Slavoj Zizek foi candidato a presidência da República da Eslovênia nas primeiras eleições democráticas do país.
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O problema a ser considerado aqui, não é responder se nossos desejos são saciados ou não! No entanto, é saber o que desejamos. Não há nada de espontâneo no desejo humano. Os desejos são artificiais (construto social), e devemos, portanto, aprender a desejar. O cinema é assim a arte pervertida por excelência. Ele não te dá aquilo que deseja, mas sim te diz como desejar.

Imagine uma cena onde diante dos seus olhos, uma atriz qualquer, vê vislumbrada os bastidores do que ocorre nos vagões de um trem. Observação, o trem continua em seu percurso, e é como se numa brecha do espaço-tempo, ela (atriz) permanecesse inerte e atenta a todos os movimentos dos vagões. Porém, mesmo diante de seus olhos, ela não pode interferir, pois é apenas um indivíduo passivo no processo construtivo da relação. Fazendo assim uma analogia ao que ocorre na relação direta entre espectador e a arte cinematográfica. Por fim, quando um rapaz que está em um dos vagões, oferece-lhe uma taça de bebida, é como se o filme - o macro - oferecesse a ela algo possível e acessível ao desejo.

Uma visão crítica lembra-nos que a realidade não se restringe aos momentos vividos. A realidade social é bem mais complexa do que nossos momentos particulares. Várias ações pretendidas ou não-pretendidas se reúnem num processo de síntese para a realidade tornar-se completa. A realidade é mostrada frente a frente à ficção. O autor defende que dentro da própria realidade há um quê de ficção. E o essencial está não em descartar a ficção, mas perceber a realidade que há dentro da ficção.
Numa análise psicológica, ele defende que procedimentos traumáticos, violentos ou que possuam gozo em demasia, produzem resultados internos que rompem com as "coordenadas da realidade". E que posteriormente são transformadas em processos intrinsecamente repletos de elementos da ficção.

No filme Os Pássaros (1963), a ação e o ataque dos pássaros nada mais é do que a interferência da estrutura social no âmbito particular. O filme retrata uma relação típica do complexo de Édipo mal resolvido. Tal realidade é interrompida pela chegada de um outrem que rompe com os valores compartilhados anteriormente. Ele analisa o fenômeno como sendo "a explosão do superego materno". Isso seria numa ótica da psicologia. Numa perspectiva sociológica, o fenômeno poderia ser interpretado como um processo de não-internalização das regras sociais ao longo do processo de socialização primária. O que culminaria em termos durkheimianos-parsonianos numa "anomia social". Tendo como conseqüências, os sentimentos de culpa ou como se a sociedade estivesse "esmagando" sua cabeça.

Ao analisar o filme Psicose (1960), Zizek problematiza a distribuição espacial onde se desenrola a trama e discute a caracterização dos sistemas de personalidade. Os níveis da psiquê estariam localizados da seguinte maneira: 1) o térreo seria o ego - o ambiente da normalidade, onde se respeita os padrões de comportamento social; 2) no primeiro andar encontra-se o superego maternal; e 3) no sótão temos o id. A relação entre o superego e o id é direta. O superego é uma entidade "obscena" que nos influencia com ordens impossíveis. Características fundamentais: 1) o superego é hiperativo; 2) o ego é racional, egoísta e calcula suas ações todo o tempo; e 3) o id é misterioso, porém, ao mesmo tempo em que é infantil e inocente, possui também um mal intrínseco.

A voz representaria a dimensão da possibilidade de controle das reações dos outros indivíduos. (Se possível, ler algo sobre o sociólogo canadense, Erving Goffman). Aqui, ele trata dos "objetos parciais" e autônomos. Explica que tais atitudes, em relação aos “objetos parciais” não são exteriores à sua "natureza". Elas, na verdade, fazem parte da sua personalidade. Esqueça o fato de que ao mesmo tempo em que se ouve pode-se ver a cena de um filme. Imagine, então, uma situação onde apenas o sentido da audição é possível, a imaginação decorre daquilo que você mesmo imagina que faria e não o que realmente acontece. Pois o que se passa não é necessariamente aquilo que você imagina, mas você imagina porque gostaria que passasse como você quer.

Por que precisamos do suplemento virtual da fantasia? O inconsciente - os desejos gerados no inconsciente geram culpa. A fantasia é produto do inconsciente, e como tal é um sonho. Quando a fantasia é realizada o que vem em mente é um sentimento de pesadelo. Em relacionamentos desta magnitude, o que vale e o que está em jogo são as circunstancias e o meio físico, não a outra pessoa em si.

Não existem emoções pré-determinadas. Todas elas, com exceção da ansiedade, como dita Freud, são construídas. Poderia então o cinema proporcionar a emoção da ansiedade? Para Zizek, o cinema é a arte das aparências. Ele nos diz algo sobre a realidade. Nos fala como se constitui a realidade. A realidade é constituída de maneira fetichista. Ou seja, determinados objetos encarnam significados que não necessariamente pertencem a eles. Em certas cenas, sabemos o que vai acontecer, no entanto, não ficamos menos surpresos quando os fatos ocorrem. Mesmo assim, o problema não se encontra no fato de não levarmos a sério aquilo que é apenas uma ficção. Mas é o contrário, o engano está em não levar a ficção em consideração. Ele cita o exemplo de indivíduos que escolhem em um jogo personagens para atuar. Dentre varias opções, o ator seleciona aqueles com características sádicas, ou estupradores, ou qualquer outra coisa. Na verdade, esse sujeito supre suas necessidades internas de maneira a minimizar suas carências reais, adotando características no jogo de uma pessoa forte e promiscua que representa uma auto-imagem falsa sua. Esta é a leitura ingênua. A interpretação mais rebuscada mostra que essa imagem falsa adotada representa o próprio "eu" do indivíduo. E que na vida real devido as sanções e normatizações sociais, não se pode deliberadamente liberá-las. Assim, precisamos de uma ficção para mostrar aquilo que realmente somos.
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The Pervert's Guide to Cinema (O Guia Pervertido do Cinema), Reino Unido, Austria, Holanda - 2006. Dirigido por Sophie Fiennes. Com: Slavoj Zizek. 150 minutos. Gênero: Documentário.

Nota: 9.0

sexta-feira, 12 de março de 2010

A Personal Journey with Martin Scorsese Through American Movies (1995)

Uma Viagem Pessoal com Martin Scorsese pelo Cinema Americano, poderia muito bem para mim, ser: Uma Aula sobre o Cinema Americano com Martin Scorsese. Em quase 4 (quatro) horas de duração, ele fala sobre os gêneros que de algum modo o influenciaram enquanto diretor. Seja o faroeste, os musicais, os filmes de gangster ou os noir. No documentário, ele também avalia a técnica e a mudança das ideias no cinema e do fazer cinema. Ou seja, a mudança do filme de 35 mm para o de 70 mm, a transição do cinema mudo para o falado, ou ainda, do preto e branco para o advento do technicolor. Além de discutir os grandes idealizadores clássicos, D.W. Griffith e Cecil B. DeMille.

Divide ainda os diretores em dois grupos, o dos "contrabandistas" e o dos "iconoclastas". No primeiro, cita King Vidor e Howard Hawks, onde ambos trabalhando dentro do esquema imposto pelos grandes estúdios, realizaram projetos altamente pessoais e de estilos incomparáveis. Já no segundo, cita Erick von Stroheim, que foi engolido pela indústria, e outros que tiveram mais sucesso, como Kubrick e Cassavetes. Estes últimos, romperam com o sistema de produção da época, e foram reconhecidos por isso.

Enfim, o documentário está dividido em três capítulos,
subdividos em várias outras partes. É algo indispensável para aqueles que querem entender o Cinema, e em especial, o americano clássico que influenciou os trabalhos de Scorsese. São verdadeiras aulas de cinematografia e dão luz a várias produções desse diretor. Então, incrementando, é fundamental para quem quer conhecer o cinema americano clássico, e é essencial para entender os filmes realizados por esse diretor norte-americano. É claro que essa breve resenha não contem todas as nuances tratadas no documentário, apenas introduzi algumas questões de maior relevo. Por isso, vale a pena dar uma olhada em todo o trabalho.
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A Personal Journey with Martin Scorsese Through American Movies (Uma Viagem Pessoal com Martin Scorsese pelo Cinema Americano), Estados Unidos e Reino Unido - 1995. Dirigido por Martin Scorsese e Michael Henry Wilson. Com: Francis Ford Coppola, Brian De Palma, Frank Capra, Clint Eastwood, George Lucas, Arthur Penn, Billy Wilder. 225 minutos. Gênero: Documentário.
Nota: 10.0

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Lars von Trier + Penélope Cruz = Melancholia

Penélope Cruz, após ser musa de Almodóvar e Woody Allen, deverá protagonizar uma película do Lars von Trier. Ele que já fez filmes com Björk, Nicole Kidman e, recentemente, Charlotte Gainsbourg (Anticristo). Os dois vão trabalhar juntos na nova empreitada do diretor dinamarquês, "Melancholia", que está sendo definido como uma mistura de drama psicológico e filme-catástrofe. A produção do longa foi anunciada, em outubro do ano passado, e von Trier disse apenas que não faria "nada de finais felizes". Como se seus filmes fossem felizes e divertidos. "Melancholia" será um filme sombrio que mostra "um desastre sob um ponto de vista psicológico". O lançamento está previsto para o Festival de Cannes de 2011.

Fontes: 1 e 2.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Dirimindo dúvidas

Enquanto para muitos, a disputa para se decidir o melhor filme do ano de 2009 está entre Guerra ao Terror e Avatar, inclusive no Oscar 2010, para mim, a batalha de titãs acontece entre Bastardos Inglórios e Guerra ao Terror. Ao assistir a película dirigida pela Kathryn Bigelow, surgiu uma dúvida, quem é o melhor, Bastardos Inglórios ou Guerra ao Terror? Inclusive, em postagem publicada em 26 de janeiro de 2010, escrevia:

Nota pessoal:

Desde outubro do ano passado, quando vi Bastardos Inglórios, que para mim, ele era o favorito em qualquer premiação. No entanto, depois de ver Guerra ao Terror, entrei em conflito com as minhas preferências. No momento, eu já não sei quem indicaria como melhor do ano, essa que é uma dúvida saudável, me levará a ver o longa do Tarantino novamente, a fim de sanar esse problema com minha escolha.

Desde já, informo que minha dúvida desapareceu, e que o longa do Tarantino venceu essa guerra de titãs, e dez foram os motivos para isso.

1. Bastardos Inglórios é um filme feito para cinéfilo, para quem gosta do melhor do cinema. A cada momento respira-se cinema, desde o palco do desfecho final do longa, até as citações ao cinema alemão.

2. Tem um elenco incrível, com poucas estrelas, mas que cumprem muito bem os seus papéis.

3. Só nele eu vejo a Shosanna (Mélanie Laurent) se vestindo de vermelho, pronta para matar ao som de Cat People (Putting out Fire) do David Bowie. Sensacional!

4. Só nele, eu também vejo o Coronel Hans Landa (Christoph Waltz) dando uma gargalhada da desculpa da Bridget von Hammersmark (Diane Kruger) para o gesso na perna, e depois, ele retirando meticulosamente a sandália dela. Fora o cinismo, a ironia e o sarcasmo do Coronel da SS. Imperdível!

5. Os diálogos inteligentes e o roteiro original fazem com que a trama flua por mais de duas horas e meia, sem que o espectador se canse.

6. As partes em que o filme é dividido se encaixam perfeitamente, dando a película,
coerência artística, coesão narrativa e beleza estética.

7. Há uma subversão histórica. Tarantino brinca com a história oficial, incluindo a operação Kino, que tem o objetivo de matar todos os comandantes do alto escalão nazista, inclusive, o próprio Hitler. E ele consegue fazer isso...

8. Só em Bastardos Inglórios há uma "Vingança Judia".

9. Percebe-se, claramente, o amadurecimento do diretor. Não há violência gratuita, nem diálogo impensado, há por trás disso, alguém mais experiente e maduro. E ele tem consciência disso, tanto que no final ao marcar a suástica na testa do Hans Landa, o Tenente Aldo Raine (Brad Pitt) diz: "Acho que essa é minha obra prima." E eu concordo!

10. Foi o único que quando sai do cinema, eu disse: acabei de ver um clássico da sétima arte. E isso já é o suficiente!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Filmes que quero assistir em 2010 - parte 2




Os vencedores do Oscar por "Onde os fracos não têm vez", os irmãos Coen, atacam novamente, agora com uma comédia de humor negro ambientada nos anos 1960 (Um homem sério). O lançamento no Brasil está previsto para 19 de fevereiro.




Em um triângulo amoroso que envolve Meryl Streep, Steve Martin e Alec Baldwin, a diretora Nancy Meyers, a mesma de "Alguém tem que ceder", aposta na competição de dois homens pelo amor de uma mulher. É um típico filme de férias, que se não fosse o elenco, estaria fadado ao desastre. O longa possui três indicações ao Globo de Ouro 2010, sendo uma delas, na categoria Melhor Atriz de Musical ou Comédia para Meryl Streep. Simplesmente complicado deve estreiar no Brasil em 26 de fevereiro.



Depois do premiado "Os infiltrados", Martin Scorsese aposta mais uma vez em Leonardo DiCaprio como seu protagonista, desta vez no longa, A ilha do medo. Sobre DiCaprio, quero dizer que olharei das próximas vezes seu trabalho com mais tranquilidade. Parece-me que de fato ele tem evoluido como ator. No mais, também integram o elenco, Mark Ruffalo e Ben Kingsley. Vale ressaltar que dos trailers que vi, esse foi o que mais me chamou atenção, e é nele que aposto com ênfase o maior número de fichas. Está marcado para estreiar no Brasil em 12 de março.




Com projeção em 3D, a superprodução, Alice no país das maravilhas faz uma adaptação do clássico de Lewis Carroll. Com Johnny Depp e Anne Hathaway. O longa será dirigido por Tim Burton, o mesmo de, "Edward Mãos de Tesoura". O lançamento nos cinemas brasileiros está previsto para 02 de abril.



Russell Crowe volta a trabalhar em parceria com o diretor Ridley Scott, o mesmo de "O gladiador", no filme, Robin Hood. O elenco também conta com Cate Blanchett e a estreia brasileira está marcada para 14 de maio.



O ogro mais conhecido do cinema ganha um quarto filme (Shrek para sempre), nele, Shrek se vê nostálgico, com saudades da época em que tinha uma vida mais simples e tranquila. A previsão do seu lançamento no Brasil é 09 de julho.

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Nota do autor:

As estrelas inseridas em cada cartaz dos filmes representam a cotação do longa no chá de poejo. A escala varia de 5 até 1 estrela. Sendo que quanto mais estrelas, mais fichas estão sendo apostadas na película.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Filmes que quero assistir em 2010 - parte 1




Nesse filme de Guy Ritchie, marcado para estreiar dia 08 de janeiro no Brasil, Robert Downey Jr. encarna o conhecido detetive (Sherlock Holmes) numa adaptação com bastante ação da obra de Conan Doyle. Jude Law (Dr. John Watson) também integra o elenco.






O mesmo diretor (Spike Jonze) indicado ao Oscar por "Quero ser John Malkovich" traz uma adaptação do clássico da literatura infantil de Maurice Sendak. No elenco está Paul Dano, Forest Whitaker, Catherine Keener. O longa, Onde vivem os monstros está marcado para estreiar dia 15 de janeiro aqui no Brasil.





Tendo como protagonista George Clooney, a comédia/drama (Amor sem escalas) já inicia o ano como uma das mais esperadas, visto que é líder em indicações ao Globo de Ouro. Sendo elas, Melhor Filme Dramático, Melhor Ator de Drama, duas indicações na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Diretor e Melhor Roteiro. O diretor (Jason Reitman) é o mesmo de "Juno". Lançamento previsto para 22 de janeiro nos cinemas brasileiros.




O musical (Nine), que concorre ao Globo de Ouro em cinco categorias, reúne um mega elenco tanto de beldades, quanto de bons atores/atrizes. Faz parte dessa constelação, Daniel Day-Lewis, Penélope Cruz, Marion Cotillard, Judi Dench, Sophia Loren, Nicole Kidman e Kate Hudson. A direção é de Rob Marshall, o mesmo que comandou as gravações do premiado filme, "Chicago". A data prevista para estreia, no Brasil, é 29 de janeiro, e esse longa eu aguardo com ansiedade.




Invictus é um drama baseado em fatos reais, onde Morgan Freeman, encarna Nelson Mandela. Matt Damon também está no elenco. A direção fica por conta de Clint Eastwood, e dos trailers que assisti, para fazer esse post, o deste longa foi o melhor. A estreia deve ocorrer dia 29 de janeiro, e também a espero com muita ansiedade.

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Nota do autor:

As estrelas inseridas em cada cartaz dos filmes representam a cotação do longa no chá de poejo. A escala varia de 5 até 1 estrela. Sendo que quanto mais estrelas, mais fichas estão sendo apostadas na película.

domingo, 1 de novembro de 2009

Distrito 9 (2009)

Foto 1 - Wikus (o primeiro da esquerda) no distrito 9 desalojando a população alienígena

O protagonista, Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley) é funcionário da MNU - Multi-Nacional United, empresa privada que cuida do acampamento alienígena. Vale salientar, que esta multinacional está mais interessada no comércio de armas detidas do que nos direitos dos aliens. Durante vinte anos, desde sua chegada, os alienígenas estiveram em um espaço separados dos humanos, sem expectativa de voltar para seu planeta. Inclusive, os governantes viam a presença deles como fonte de gerar dinheiro. Pois buscavam lucrar com a venda do arsenal bélico capturado e queriam conhecer a tecnologia desse grupo. Por outro lado, a população comum queria que eles fossem cada vez mais segregados, ou que fossem, uma vez por todas embora. No acampamento chamado Distrito 9, onde eles viviam, se formou um mercado negro comandado pelos nigerianos. Antes de ver o longa, dei uma olhada no trailer, e inicialmente, pensei que se tratasse da questão do apartheid na África do Sul, claro que isso mudou no momento que vi aquela nave gigantesca no meio da cidade de Joanesburgo. Era apartheid, mas em outra perspectiva.

O filme aponta questões de conflito e de tensões relevantes. Quando visto em situação de competição com indivíduos estrangeiros, que não carregam verossimilhanças culturais, grupos tendem a se comportar de forma negativa e hostil. Hoje, um problema relevante tratado por aqueles que estudam migrações internacionais refere-se a essa animosidade, ou melhor, ao fenômeno do xenofobismo. Os extraterrestres foram alocados em um espaço logo abaixo da sua nave, pouco tempo depois, o ambiente tinha se transformado numa favela, com condições deploráveis, além disso, as pessoas comuns pouca informação tinha sobre o local e sobre o que acontecia alí. Sabe o que isso me lembra? A revolta dos jovens nos subúrbios da França em 2005. Eles viviam à margem desta sociedade sofrendo com o racismo, o desemprego e os baixos níveis de desenvolvimento social. Claro que estes indivíduos não eram europeus, muito menos franceses, eram "extraterrestres", que vieram da África, principalmente, das ex-colônias francesas.

Nada melhor do que falar de segregação estando na África do Sul. O filme nos dá algumas lições sobre o tema. Em uma das falas, já que no início o longa se passa como se fosse um documentário, uma mulher diz: "Pelo menos nos mantem separados deles." A abordagem trazida por Distrito 9 é uma nova forma para se falar em discriminação e preconceito. Quando se vê ameaçado, a primeira coisa feita pelos humanos, é tentar se distinguir de alguma forma dos membros do outro grupo. A separação entre o grupo humano e extraterrestre, ou branco e negro, civilizado e bárbaro, todas dicotomias são variações da manifestação da discriminação, ou seja, por pertencer a um grupo diferente do meu, eu dou um tratamento injusto ao outro. Dessa forma, todos os recuros considerados valiosos naquela sociedade são repartidos de forma desproporcional e iniqua. Decorrente desse relacionamento desigual, surge o preconceito, que é a atitude de se julgar uma pessoa com base nas características reais ou imaginárias de seu grupo, que no filme, tais características estão de fato marcadas corporalmente.

Foto 2 - Wikus transformando-se em alienígena

Além disso, parecemos ver aquilo que Thomas Hobbes disse no século XVII, o homem é lobo do próprio homem (Homo homini lupus), ou, há uma guerra de todos contra todos (Bellum omnia omnes). No filme, o homem parece estar no seu mais profundo estado de natureza. Sem nenhuma forma de controle ou coerção, todos buscam otimizar suas vontades. Por um lado, a MNU tenta a todo custo capturar o Wikus Van De Merwe para que ele possa operar o armamento que só é ativado com o DNA alienígena; o Wikus sem pensar em mais nada, tenta reverter a efetividade da mutação que toma conta dele, e que o fez ser caçado por todos os lados e negado pela própria esposa; já Christoper é o alien que tenta ajudar Wikus, entretanto, pensa primeiro nos seus pares.

Wikus como dito inicialmente, antes de ter sido infectado pelo vírus extraterrestre trabalhava para a MNU, e no dia da infecção estava desalojando os alienígenas de um acampamento para mandá-los para um outro, bem pior. Além disso, seguia-se os maltratos, as humilhações, os assassinatos e a morte dos filhotes ainda em estágio de ovos dos aliens. Ao passar para o grupo em desvantagem de poder, passa a perceber, de fato, como viviam e como na verdade, só queriam voltar para o seu planeta.
Nesse momento, após tantas atrocidades, você já está totalmente envergonhado de pertencer ao grupo dos seres humanos. Pior ainda, sabendo que aquilo é ficção, mas poderia muito bem ser real.

Acredito que o longa possui algumas falhas. Quero destacar o despreparo dos agentes frente as situações adversas. A infecção do Wikus foi algo primário, todo mundo sabe que não se deve manusear artefato inimigo ou estranho com as mãos desprotegidas, muito menos, levar ao rosto para cheirar. Outra coisa, as pessoas são extremamente ingênuas, na festa só não via que o cara estava passando mal quem não queria. Além disso, todo mundo já tinha percebido que o protagonista não iria morrer, inclusive, isso quase nunca acontece. O diretor deveria ter achado soluções mais criativas para essas cenas, ou então, sabendo que ele não iria morrer, não criar essas expectativas baratas.

Por fim, apesar das críticas recebidas pelo filme, na Nigéria, em particular, por tratá-los como criminosos, atrasados, feiticeiros e canibais, Distrito 9 cria uma alegoria criativa para se entender o problema das migrações modernas, da segregação, da manipulação de informações e da ausência de coerção imparcial. Não é um filme descartável, mas também, é menos empolgante comparado ao que se fala dele. Aconselho vê-lo, mas dá para esperar ele ser lançado em DVD, recomendo que você não vá ao cinema por conta dele. Resumindo, temática ótima, mas cinematograficamente, elementar. Ahh, e ainda é daqueles filmes que teimam em ter continuação, uma versão só era suficiente...

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District 9, Estados Unidos/Nova Zelândia – 2009. Dirigido por: Neill Blomkamp. Com: Sharlto Copley, Jason Cope, Nathalie Boltt, Sylvaine Strike, John Summer, William Allen Young. 112 min. Gênero: Ação e Ficção Científica.
Nota: 8.0

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Restauração digital de From Here to Eternity (1953)

Você já deve ter visto essa cena clássica em algum lugar por ai. O filme é From Here to Eternity (1953) - A um passo da eternidade - e é ambientado em um campo militar norte-americano no Havaí em momentos antes do ataque a Pearl Harbor. O longa mostra o cotidiano do recruta Prewitt (Montgomery Clift) que é obrigado a lutar boxe pela sua companhia do exército, mesmo contra a sua vontade. Só que Prewitt não luta mais, e acaba sofrendo sanção dos outros soldados por conta disso. Quem tenta ajudá-lo é o sargento Warden (Burt Lancaster), só que este também já tem problemas suficientes ao se envolver com a mulher de seu superior, a linda Karen Holmes (Deborah Kerr), inclusive, são os dois que estão na foto do início do texto, e a cena pode ser vista logo abaixo. Mas, todo esse clima de animosidade e romance é alterado logo após o ataque a Pearl Harbor pelos japoneses.


Falando sobre a nova edição, o filme vem com uma recriação do ataque a Pearl Harbor combinado a uma sequência de documentário. Esta versão digital da Sony Pictures foi feita apenas a partir dos elementos originais ainda existentes apresentando um som original restaurado digitalmente. A película foi vencedora de oito Prêmios da Academia, incluindo, melhor filme e melhor direção (Fred Zinnemann). Além disso, o longa apresenta nada menos do que cinco nomeações para melhor performance, vencendo nas categorias de melhor atriz e ator coadjuvante (Frank Sinatra).

Para quem estiver em Beverly Hills, a exibição do longa será no dia 18 de novembro, às 19:30 hs, no Samuel Goldwyn Theater.

Para mais informações e para acessar a fonte, clique aqui.

Kramer versus Kramer (1979)

Kramer vs. Kramer (1979) é um filme essencial para todos aqueles que já passaram por momentos de separação dos pais. O filme retrata as mudanças sociais ocorridas nas últimas décadas, especificamente, a entrada das mulheres no mercado de trabalho, e os seus anseios de paridade com os homens. Contudo, ainda hoje, haverá quem pense que Joanna Kramer (Meryl Streep) é uma desnaturada por fazer o que fez, mas, em minha opinião, ela fez o que é comum muitos homens fazerem, e que por sua vez, é visto como normal. No entanto, isso ainda não é justificativa para seu ato.
Foto 1 - Joanna Kramer (Meryl Streep) e Billy em um momento de alegria no parque. Vale salientar que o longa possui belos momentos e uma belíssima fotografia.

Joanna tem sérias razões para dar cabo aos seus pensamentos. Em um relacionamento de 8 (oito) anos, vive em um ambiente onde o diálogo não é nem fundamental, nem levado a sério, e onde toda a família vive em pró de um único membro, Ted Kramer (Dustin Hoffman). Hoje em dia, o filme pode até parecer banal, visto que a sua problemática é mais aceita socialmente. Porém, nos final dos anos 70, o assunto ainda era visto como tabu, e daí talvez, advenha sua enorme repercussão no meio cinematográfico. A busca de Joanna Kramer girava em torno do seu desejo pela independência financeira e contra sua falta de vida social. Uma passagem, que pode ser lida logo a seguir, evidencia seu descontentamento com a vida que levava, e que era, e ainda é, similar a realidade de muitas mulheres.

Toda a minha vida me senti mulher de alguém ou mãe de alguém ou filha de alguém. Durante todo o tempo em que estivemos juntos, nunca soube quem eu era.

Joanna Kramer
Mas muitos não aceitam o fato dele ter tido uma grande repercussão (no Oscar de 1980, ele concorreu diretamente com o filme Apocalypse Now do Francis Ford Coppola). Kramer vs. Kramer foi premiando com 5 (cinco) oscars (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Dustin Hoffman), Melhor Atriz Coadjuvante (Meryl Streep) e Melhor Roteiro Adaptado) e 4 (quatro) globos de ouro (Melhor Filme - Drama, Melhor Diretor, Melhor Ator - Drama (Dustin Hoffman) e Melhor Atriz Coadjuvante (Meryl Streep).

Foto 2 - Billy e Ted Kramer (Dustin Hoffman) fazendo rabanadas para o café da manhã. No longa, Ted luta desesperadamente atrás do tempo perdido, tentando se tornar um pai mais presente na vida do filho. Quem já viu o filme sabe do significado dessa cena.

Deixando todas as controvérsias (que na minha opinião não existem), não tenha dúvida que você verá um ótimo filme e um show de interpretação, principalmente nas cenas finais, do Dustin Hoffman, da sensacional Meryl Streep e um show a parte do pequeno Billy Kramer (Justin Henry). Segurem as lágrimas na cena do tribunal, onde tanto Hoffman, quanto Streep estão incríveis. Se me perguntassem o que é o filme em um frase, eu diria que ele mostra que nem tudo na vida é explicado, ou pode ser dito, de maneira dicotômica. Às vezes, um não, ou um sim, não são suficientes para expressar pensamentos ou responder perguntas.

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Kramer vs. Kramer, Estados Unidos - 1979. Dirigido por: Robert Benton. Com: Dustin Hoffman, Meryl Streep, Jane Alexander. 105 minutos. Gênero: Drama.
Nota: 9.0

domingo, 25 de outubro de 2009

O escafandro e a borboleta (2007)

Logo na cena inicial do filme, nós percebemos que ele é dirigido para o telespectador. Por que digo isso? Quem você acha que a enfermeira avisa estar saindo de um sono profundo? O paciente (Jean-Dominique Bauby) ou nós mesmos? Para mim, o recado é para nós. "Mantenha os olhos abertos, abra bem os olhos!" Você tem dúvida de quem é o paciente?

Foto 1 - O Grito (1893) de Edvard Munch e um escafandro

A prisão do personagem, para ele mesmo, é o escafandro. Essa é uma analogia com a angústia moderna de muitas vezes se sentir incapaz de amar, de se expressar ou de conviver. Em O Grito, quadro do pintor norueguês Edvard Munch, percebemos o mesmo sentimento de claustrofobia do filme comentado aqui. Como reverter essa situação? A resposta dada pelo longa é que devemos recorrer a nossa humanidade, combinar nossa memória a nossa imaginação.

Em muitos momentos há uma identificação do que acontece com o ator principal e nossas vidas. Coisa do tipo, acorde, e vá viver! Sentimento do que poderia ter sido, mas que não foi. Algum momento que poderia mudar toda uma vida, mas que a exitação ou o medo do desconhecido acabou com a possibilidade. Isso fica bem evidente em uma das falas transcritas abaixo:
Hoje percebo que toda a minha existência é uma cadeia de pequenos erros. Mulheres que não fui capaz de amar, chances que não pude aproveitar, momentos de felicidade que deixei escapar. Uma carreira cujo resultado me era conhecido de antemão, mas que na qual fui incapaz de apostar e ser um vencedor. Estava cego ou surdo? Ou precisava de uma desgraça para ver meu verdadeiro ser?
A intenção deste post não é contar a história da película, mas apreender aquilo que ela possui de geral. As pessoas tem que aprender a se desprender de casos particulares, tanto no cotidiano, quanto na leitura de filmes. Exemplos às vezes são importantíssimos, mas não são suficientes para se compreender o nível macro de análise. Nesse sentido, para além do fato do Jean-Dominique Bauby, interpretado por Mathieu Amalric ter sofrido um acidente vascular cerebral que o deixou totalmente paralisado com exceção do seu olho esquerdo, há a beleza da superação de alguém que se comunica de uma forma lenta, silenciosa e bastante trabalhosa.

Já li por ai que a película torna-se lenta e desinteressante, na minha visão, essa é uma análise descuidada. Mesmo com um protagonista inerte por questões físicas e um repetição incrível do alfabeto, as técnicas cinematográficas utilizadas pelo diretor fazem o longa torna-se cada vez mais interessante. Por exemplo, o fechar e abrir do diafragma da câmera que proporciona a impressão da abertura e fechamento do olho esquerdo do "Jean-Do". Além disso, todas as intervenções do diretor para explicar acontecimentos do passado e as voz interna do protagonista, que fecha muitas vezes o raciocínio dos diálogos, são trabalhadas de maneira ágil e perspicaz por mais antagônico que isso possa parecer. Sutileza, é a palavra de ordem do longa, daí sua analogia com a borboleta. Assim, O Escafandro e a Borboleta (2007) é uma leitura sobre aprisionamento e liberdade, humanidade e imaginação. É um filme que ensina como se adaptar a um ambiente adverso, não sem tocar nas incertezas e frustrações que isso gera. Mostra que viver significa mais que um corpo em movimento, é imaginação, sonhos e ambições.

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P.S.: U2 nesta madrugada do domingo para a segunda no youtube. Mais informações sobre o show que será transmitido, clique aqui. Vídeo promocional da transmissão do show logo abaixo:

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Nova maratona de cinema

Dessa vez é para os admiradores do cinema de animação. O II Festival Internacional de Cinema de Animação de Pernambuco ocorrerá entre os dias 18 e 22 de novembro, no Cine Teatro Apolo e no Cinema da FUNDAJ - Derby. Na programação está prevista a exibição de curtas metragens, curtas metragens infantis, longas metragens, videoclipes musicais de animação e filmes de animação publicitário. Para inscrições e mais informações, clique aqui. Observação: A programação ainda não foi divulgada no site.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Maratona de Cinema

A 2ª edição do festival Janela Internacional de Cinema do Recife vai levar ao Cinema da Fundação e ao Cine-Teatro Apolo, entre sexta-feira (16) e sábado, 24 de outubro, a exibição de 150 filmes nacionais e internacionais, entre curtas e longas-metragens. Entre os longas está o novo filme do Almodóvar, Los Abrazos Rotos que será mostrado antes mesmo de entrar em cartaz nos cinemas comerciais da cidade. Abaixo, vinheta da mostra recifense.


Para ter acesso a programação do evento e obter maiores informações, clique aqui.

Fonte: Site pe360graus.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

"Abraços Inglórios"

Pedro Almodóvar e Penelópe Cruz estão juntos divulgando o novo filme do diretor espanhol, estrelado pela melhor atriz coadjuvante de 2009, segundo o prêmio Oscar. "Abraços partidos" estreou domingo (11) no Festival de Cinema de Nova York. Na oportunidade, Almodóvar falou do seu projeto para um novo filme. Ele disse que já visitou algumas locações para o novo longa, mas que "ainda é muito cedo para falar sobre isso". "No ano que vem poderei dar mais detalhes", assegurou. Além disso, disse que Los Abrazos Rotos foi bem recebido pela crítica em Cannes e em Toronto. Entretanto, o diretor considera essa película mais complexa e menos acessível que Volver, por ex.. O filme deve estar estreando no final de novembro, aqui pelo Brasil. Abaixo pode-se ver o trailer.


Outra boa pedida, esse já acessível, é o novo longa do Quentin Tarantino. O nome, Bastardos Inglórios, dele, já ouvi duas boas recomendações de dois colegas. Essa semana devo estar indo vê-lo. O trailer já é bastante intrigante, você pode vê-lo logo abaixo. E clicando aqui, você pode ler uma entrevista com o diretor. Ele disse, "Uau! Esse cara é muito lindo!", referindo-se ao Brad Pitt.

domingo, 27 de setembro de 2009

Blade Runner, o caçador de andróides (1982)

Por conta da leitura que fiz no blog Rosebud é o Trenó! no post Top 10 - Os filmes da minha vida, tive o incentivo para ver o filme Blade Runner, o caçador de andróides (1982). E agora, estou aqui para escrever as minhas impressões a respeito dele. Sendo mais claro, quero analisar o seu conteúdo, em especial, quatro aspectos dele. Uma sinopse, pode ser lida aqui.

O primeiro refere-se ao poder do personagem Tyrell. Ele é o criador e idealizador dos andróides, ou seja, o similar ao Deus da sociedade ocidental. Daí, a foto acima. Ela na verdade representa duas coisas. A primeira, a clássica criação de Adão de Michelangelo, mostra o poder de decidir sobre a criação de outro ser. E a segunda, a prestação de contas da criatura perante o seu idealizador, cena do assassinato de Tyrell. Enquanto na primeira imagem, temos uma relação monovalente, na segunda, observamos a possibilidade de responsabilização do criador por suas atitudes. Nesse sentido, a pergunta é: É válido alguém ter o poder de criar e matar, além de privilegiar um dado estrato em detrimento de outro? Blade Runner não é o primeiro a tratar desse tema. Em um filme chamado Admirável Mundo Novo (1998), uma sociedade é organizada em grupos, onde cada um com a sua função, gera a ordem vigente perfeita. Entretanto, separada dela, está um grupo chamado de "selvagem" que possui um status diferente e direitos suprimidos. Até que um representante dos selvagens é levado para a sociedade que é considerada perfeita. A consequência disso é que o selvagem por possuir valores diferentes dos daquela cidade passa a questionar atitudes consideradas normais, e a exigir tratamento igual entre os grupos. Voltando a Blade Runner, a cena onde Roy Batty mata Tyrell é emblemática. É inevitável controlar a furia da criatura quando ela pode exigir direitos que só o criador possui. Vida limitada e a impossibilidade de aumentá-la é o grande estopim para provocar a fúria. O outro ponto é: O que distigue um humano de um replicante? Aqui, o poder de decisão de quem possui essa prerrogativa é imensa, e como evitar que ele se utilize dessa imcubência em benefício próprio? Essas são questões para pensar.

A segunda é a atualização do mito de Antígona. Esse é um dos mitos gregos mais presentes no nosso dia a dia. Em poucas palavras, ele mostra como é difícil fazer algo contra aqueles que temos algum tipo de laço afetivo. E esse é o paradoxo vivido por Deckard. Deckard mesmo sendo o caçador de andróides, apaixona-se por uma, seu nome, Rachael. Ela é uma replicante que pensa ser humana, devido a implantes de memórias desenvolvidos pela Tyrell Corporation. A questão central é: Mais vale seguir as recomendações e as leis de uma dada sociedade, ou infrigí-las, a fim de defender as pessoas próximas? Ou seja, o que é mais importante, os desejos públicos ou os privados? No filme, numa romantização, fica claro o desejo particularista, já que todos os andróides restantes são mortos, com exceção de Rachael que acaba fugindo com Deckard. Isso deixa em evidencia que as ambições particulares interessam mais naquela ocasião porque de fato todos morrerão um dia.

A terceira é o debate sobre a questão fundamental discutida há muito nas sociedades européias durante a Idade Moderna. No filme, o axioma, Penso, logo existo, é colocado em xeque. Em Blade Runner fica claro que não basta apenas pensar para existir. Os andróides em grande medida possuem uma autonomia cognitiva que os possibilitam realizar inúmeras atividade em paridade aos humanos. Entretanto, tudo o que eles pensam ter vivido, ou seja, sua memória, sua história precedente é implanta e não vivenciada. Acredito, então, que o diretor nos revela que a existência está bem mais atrelada à memória individual, do que ao pensamento em si. Assim, nem sempre as imagens mentais ou a razão são suficientes para explicar a existência, visto que ela está mais correlacionada às experiências materiais individuais.

Por fim, quero ressaltar apenas as referências ao jogo Atari e a Coca-Cola. E dizer o quão belo é o letreiro luminoso que aparece no filme. Como também a tomada onde um olho azul reflete as chamas do início do filme.

Enfim, o filme além dessas questões elencadas aqui, possui algumas outras referências que poderíamos discutir. Ou seja, a película é rica em problematizações daquilo que consideramos como elementos dados como normais. Entretanto, muitas vezes os problemas tratados neste post são subaproveitados por Ridley Scott e seus roteiristas. Não há um caminho proposto por eles, o que gera personagens incompletos, sem definições, e isso é bom até um certo ponto. Além disso, não temos boas atuações, dignas de comentários. Nesse sentido, o longa torna-se extremamente mediano. Outro furo na produção é que a intenção é que não identifiquemos o cenário como algo familiar, a intenção é que ele seja tão futurístico que se torne atemporal. Ok, até ai tudo bem, mas como explicar aquelas vastas paisagens/cenários tão sem vida/som, mesmo tendo sempre multidões transitando? Como uma miscelânea de povos emitem praticamente um mesmo som? No mais, tentei aprofundar um pouco as questões que me chamaram atenção, sem dúvida, como salientei, no longa temos uma bela produção de arte, mas isso para mim, não o classifica como um filme digno de entrar no hall da fama do cinema, mas também não o torna um pária entre seus pares, ele é apenas um filme mediano.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Audrey Tautou e o Oscar 2010

O filme Coco antes de Chanel ainda demorará um pouco para estreiar por terras brasileiras, mas em Hollywood, já há um burburinho em torno do nome da Audrey Tautou. E vocês sabem porquê? Por lá o nome dela já é um dos mais cogitados para levar a estatueta mais cobiçada no mundo da sétima arte em 2010. Entretanto, todos nós sabemos que é muito cedo, e que muito, oba, oba, ao invés de ajudar, às vezes tem o efeito reverso. E sobre isso, é claro que a Audrey está ciente. Em reportagem à rádio BBC disse:

"That's so funny. The movie hasn't been released anywhere before except in France. I'm more concerned about the audience and whether they'll like this movie. I think it's very clever and I really like it."

Sobre isso, será que teremos outra atriz francesa a ganhar o Oscar em um intervalo de tempo tão curto? Lembrando que em 2008, a Marion Cotillard levou o prêmio por sua atuação em Piaf - Um hino ao amor. É isso ai, é esperar para ver as outras possíveis indicadas, e a depender disso, torcer pela nossa eterna Amélie Poulain. Que é preciso deixar claro, já provou não ser uma atriz de papel único. Para um breve comentário a respeito das expectativas sobre o que deve ser o filme, clique aqui.

Fontes: 1 e 2.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O jogo detetive é inspirado em Agatha Christie?

Bem, pra dizer a verdade, eu não posso responder com certeza a pergunta acima. Entretanto, há uma série de suposições que apontam para uma resposta afirmativa. Antes de começar as hipóteses, é preciso deixar uma coisa clara. Para começo de conversa, todos sabem a que jogo estou me referindo, não é? Sim, é aquele onde você tem que descobrir o nome do assassino, o local e a arma do assassinato. Tipo, foi o Coronel Mostarda, com a chave inglesa na biblioteca. Esse jogo "Detetive" é um dos meus prediletos e me faz lembrar a minha infância.

Agora o que isso tem a ver com o blog? É o seguinte, assisti a dois filmes que foram inspirados em obras da renomada romancista policial Agatha Christie. E logo de cara, remeti a trama ao jogo. Explicando, é a mesma lógica, em ambos os filmes, que falarei daqui a pouco, o Hercule Poirot, que é o detetive de plantão, figura clássica nos livros da autora, desvenda o(s) assassino(s) e o mistério do assassinato. Os filmes a que estou me referindo são: Assassinato no Expresso do Oriente, de 1974 e Morte Sobre o Nilo, de 1978. Falando a verdade sobre eles: Em minha opinião, não são filmes espetaculares, mas servem para passar o tempo. O paradoxo da história: Ambos filmes possuem um elenco de primeira, inclusive foi isso que chamou minha atenção para vê-los. Por exemplo, o de 1974 tem a Ingrid Bergman, que inclusive recebeu o seu segundo Oscar por sua atuação nesse filme, Jacqueline Bisset, Sean Connery, Anthony Perkins, Vanessa Redgrave, Lauren Bacall, entre outros. Já o que é ambientado no Egito, possui no elenco, Bette Davis (preciso dizer mais algo?), Mia Farrow, Maggie Smith (acredite, ela não fez apenas Harry Potter), Angela Lansbury, dentre outros. Acho que esta constelação no elenco, tanto no primeiro, quanto no segundo é pouco explorada. Claro, como são muitas as personagens, e como cada uma teria um motivo suficientemente válido para ser o assassino, fica difícil em duas horas aproximadamente, acomodar todos eles, mas é para isso que serve uma boa direção, se não gostasse ou soubesse fazer isso, que fosse procurar outra profissão. Isso que estou falando é mais verdadeiro para a película onde Bette Davis atua. Mas, mesmo assim, são filmes bons de se ver, estão longe de serem clássicos, mas como entretenimento são ótimos. Seja no cruzeiro onde uma rica herdeira é morta, seja em um luxuoso trem que parte do Oriente em direção a Londres, temos o mistério de uma morte, e a presença de um detetive, o Hercule Poirot, que é belga e não francês. Tudo isso me faz lembrar o jogo, e me faz sentir um detetive, tentando numa atitude, ou num olhar, desvendar o crime. E esses são motivos plausíveis para aceitar a ideia de que o jogo que é distribuido pela Estrela, aqui no Brasil, possa ter sido inspirado na escritora inglesa mesmo.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Boas cenas, belas músicas

A cena a seguir, pertence a um filme que trata de duas questões principais: 1) discriminação racial e 2) abuso sexual. Tem no elenco, Whoopi Goldberg, Danny Glover e Oprah Winfrey. Sendo todos eles dirigidos por Steven Spielberg. O longa do qual estou falando é A Cor Púrpura de 1985. Celie (Whoopi Goldberg) quando jovem, era vítima de estupros sucessivos proporcionados pelo próprio pai. Logo ela gera duas crianças que rapidamente são separadas dela. Sem poder mais ter filhos, ela é dada a um outro homem que a trata como "esposa", objeto e escrava. Com tudo isso, Celie torna-se cada vez mais, uma mulher introspectiva, que não teve o direito de estudar, muito menos o de falar o que pensa. Tem o seu direito de se comunicar com a filha suprimido já que as cartas que recebe são omitidas dela. É um filme comovente e de superação. Como é dito no trailer, quem ver o filme nunca se esquece da cor púrpura. No Oscar de 1986, o filme recebeu 11 indicações, mas não conseguiu levar nenhum prêmio.

A música da cena a seguir é cantada por Margaret Avery, na película, Shug Avery. A canção é uma homenagem da Shug à Celie. É um dos momentos marcantes do longa, além de ser uma bela composição, mostra o ambiente blues do início do século passado no sul dos Estados Unidos. Por tudo isso, ela merece ser a minha indicação à série Boas cenas, belas músicas da semana. O nome da canção é Miss Celie's Blues, e o vídeo da cena pode ser conferido logo abaixo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Boas cenas, belas músicas

Retomo a nossa série, Boas cenas, belas músicas, mas dessa vez, para homenagear o ator Patrick Swayze. As cenas que vocês verão logo a seguir, já estavam programadas para participar dessa série, mas não agora. Escrevo o post, não muito contente, dessa vez, para prestar homenagem ao ator Patrick Swayze que veio a falecer nesta segunda-feira (14) aos 57 anos. Acredito que todos soubessem da sua luta contra um câncer no pâncreas que o tinha debilitado bastante. No início, pensava sofrer de indigestão crônica, entretanto, após perceber que o mal-estar não retrocedia, procurou seu médico que após uma biopsia, constatou a existencia de um cancêr. Por isso, excepcionalmente desta vez, vou postar dois vídeos, referentes a dois filmes, onde o elemento música e cena se completam.

Mas, vamos falar dos trabalhos dele. Swayze se tornou conhecido em 1987 quando estrelou o musical "Dirty dancing" no cinema. Em 1990, o ator se consagrou como protagonista de "Ghost - Do outro lado da vida". No filme, em que contracenava com Demi Moore, ele interpretava um homem asssassinado que tentava se comunicar com sua noiva através de uma médium (Whoopi Goldberg). Um ano depois, ele foi eleito o homem mais sexy do mundo segundo a revista "People". Os dois filmes rendeream a Swayze indicações ao Globo de Ouro.

A seguir duas cenas que muito provavelmente vocês conhecem. A primeira é do filme de 1987, o estilo é festa, alegria. É a última cena da película de nome Dirty dancing, com a música ((I've Had) The Time of My Life) que rendeu ao filme o Oscar de melhor canção original em 1988. Já a segunda, todos devem estar "cansados" de ver na Sessão da Tarde. O longa é Ghost - Do outro lado da vida, aquele mesmo, que mostra que o amor consegue transpôr até a própria vida e que tem a canção Unchained Melody como tema. Obs.: No vídeo tentem abstrair a tradução chata em italiano, essa música deve ter feito um sucesso tremendo na Itália, porque só encontrei vídeo dublados para o italiano. No mais, revivam estas belas passagens da sétima arte, neste post especial, da sessão Boas cenas, belas músicas.

Cena 1 - Dirty dancing

Clique aqui, para ver o vídeo diretamente no youtube. Não é possível incluí-lo no blog.

Cena 2 - Ghost - Do outro lado da vida

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Top 10 - Inspirações para o dia-a-dia

Nesse mundo louco, mais louco é quem não se comporta como tal. Se fazer de maluco e só ouvir o que quer são duas lições para sobreviver nessa selva de interesses. Já avisei em algum post, que tenho preferência pelos personagens excêntricos do cinema. É por isso que resolvi fazer esse Top 10. Vou elencar os meus prediletos, pelo menos, os que me chamaram atenção com o conhecimento cinematográfico que possuo. Ou seja, se vocês conhecerem outros, por favor avisem-me que vou correndo ver se também concordo.

10 - Visitante nº 1 (Grace Zabriskie) - Império dos Sonhos [2006]

Psique: Ela é perspicaz e um pouco pornográfica. Entra na casa alheia, mas parece estar na sua própria.

Qualidade: Diz a verdade, mas de maneira cifrada. Por conta disso, deixa as pessoas em uma situação desconfortável, gerando temor e repulsa alheia.

9 - Lucía (Julieta Serrano) - Mulheres à beira de um ataque de nervos [1988]

Psique: Essa é completamente louca. Tudo bem, louca de amor, mas não deixa de ser um motivo para cometer insanidades. Ficou assim, por conta das traições do marido, e o ponto alto, veio com a separação. Como ela mesma diz, sua casa é o manicômio de onde conseguiu sair por fingir estar curada.

Qualidade: Anima a trama bem ao estilo Almodóvar. Infernizando a vida de Iván, seu ex-marido, e de Pepa, que ela pensa ainda ser a amante do seu ex.. Nem lecsotan acalma essa!

8 - John Doe (Kevin Spacey) - Seven - Os sete pecados capitais [1995]

Psique: Ao estilo Hannibal Lecter, John Doe é um serial killer que mata aqueles que ele julga serem representantes típicos dos pecados capitais.

Qualidade: Por mais estranho que seja, e por mais condenável que sejam as suas atitudes, tem algo no fim do filme que me chama a atenção. Quando dito que as pessoas assassinadas eram inocentes, ele diz:
Inocente? lsso é pra rir? Um homem obeso e repugnante que mal podia ficar de pé. Você o apontaria aos seus amigos para, juntos, zombarem dele. Se o visse enquanto estivesse comendo, não acabaria a refeição.
Depois, o advogado. Foi um homem que dedicou sua vida a ganhar dinheiro mentindo deslavadamente pra manter assassinos e estupradores nas ruas.
Uma mulher tão feia por dentro que não podia continuar vivendo se não pudesse ser bonita por fora.
Um traficante. Um pederasta, na verdade. Não esqueçamos a puta que espalhava doenças.
Só neste mundo de merda você pode dizer que eles eram inocentes e não rir. Mas aí é que está. Nós vemos um pecado capital em cada esquina, em cada lar e o toleramos. Nós o toleramos porque é comum. É trivial. Nós o toleramos de manhã, de tarde e de noite. Quer dizer, tolerávamos.
7 - O Gato risonho - Alice no País das Maravilhas [1951]

Psique: Gosta de colocar as pessoas em dúvida. Vive no limite entre o real e o ficcional. Que alguém indeciso não atravesse seu caminho, porque ficará mais confuso que tudo.

Qualidade: O gato nos alerta a: 1) Estar com os outros, e discordar minimamente deles; 2) Tentar não irritar as pessoas; 3) Elogiá-los; e 4) Se adequar ao local, ou seja, nunca tente inovar muito em circunstâncias adversas. Seguindo essas quatro regras, você sempre será bem quisto. São bem legais as desconstruções de pensamento que ele faz, além disso, ele transmite a ideia de escolha associada a de responsabilidade individual. Se não se sabe qual caminho tomar, é porque não se sabe para onde ir, uma ótima definição para o que chamamos de “indecisão”. A seguir, uma pequena transcrição da conversa que se refere a esse debate que estamos tendo.
Alice: Eu só queria saber que caminho tomar.
Gato: Isso depende do lugar onde quer ir.
Alice: Realmente não importa.
Gato: Então não importa que caminho tomar.
6 - Palhaço Pennywise (Tim Curry) - It - Uma Obra-prima do Medo [1990]

Psique: É um ser presente no imaginário de um grupo de crianças, que se alimenta do medo delas. Só não gosto quando a maquiagem cai, e ele mostra sua verdadeira aparência. Quando não está matando ninguém, até que ele é bastante legal e sarcástico.

Qualidade: É um verdadeiro gozador, se destaca no filme, que vai se tornando repetitivo e cansativo ao seu transcorrer, com exceção das cenas em que ele aparece. Sempre debochado, conhece os medos e problemas íntimos de cada um, por isso mesmo, sempre alfineta com muito bom humor nas cenas que aparece. Logo abaixo, meu Top 5, que estão entre os meus filmes preferidos.

5 - Blanche DuBois (Vivien Leigh) - Uma Rua Chamada Pecado [1951]

Psique: Uma série de eventos traumáticos rondam a vida dessa sulista norte-americana do épico de Tennessee Williams. Além de amarguras, desilusões e alcoolismo sofre por conta do seu passado na antiga cidade em que morava, onde tinha casos com rapazes mais jovens e vivia na devassidão.

Qualidade: Atormentada por sua história familiar, e pelos seus encontros amorosos, constrói um ambiente adequado para uma personagem cheia de facetas e de possibilidades. Tudo isso é uma colcha de retalhos consturada pela grande
Vivien Leigh. Entre loucura e realidade, aprendemos a relativizar e a se posicionar após entender a história de vida de cada indivíduo. Julgue, mas não sem antes compreender profundamente a história de cada um.

4 - Norman Bates (Anthony Perkins) - Psicose [1960]

Psique: Um novo psicopata pela área. Norman Bates é daqueles que se fazem de mansos a fim de se aproximar da vítima. Entretanto, vive oprimido por um dilema psicológico, onde sua mãe representa o superego que o constrange, mesmo já estando morta.

Qualidade: Teve a sorte de protagonizar uma das cenas mais lembradas de todos os tempos. É.. aquela mesma.. a do assassinato da mocinha que tomava banho.. com aquela trilha musical do Bernard Herrmann. O meu Top 3 será seguido por cenas extraídas do youtube, aproveitem para conhecer melhor nossos personagens!

3 - Norma Desmond (Gloria Swanson) - Crepúsculo dos Deuses [1950]

Psique: Após uma carreira espetacular como atriz da época do cinema mudo, Norma Desmond vê-se cair no anonimato. Todo esse ambiente a pertuba bastante, até que então, aparece um escritor de scripts hollywoodianos na sua vida. É uma figura decadente em relação à carreira, vivendo de um passado impossível de ser retomado.

Qualidade: É um dos melhores filme que já vi. O longa é m
arcado por passagens célebres, por ex.:

1. Quando é dito que ela foi uma grande atriz do cinema mudo:
Joe: "I know you. You're Norma Desmond! You used to be in silent pictures. You used to be big!"
Norma: "I am big! It's the pictures that got small!"
2. Sobre os filmes falados:
Norma: "We didn't need dialogue. We had faces!"
3. Cena final, onde pensa estar atuando:
Norma (to newsreel cameras): "And I promise you I'll never desert you again because after 'Salome' we'll make another picture and another picture. You see, this is my life! It always will be! Nothing else! Just us, the cameras, and those wonderful people out there in the dark!... All right, Mr. DeMille, I'm ready for my close-up."

Não precisava a Gloria Swanson ter feito mais nenhum filme. Bastava esse! Sua interpretação foi espetacular, nem excessos, nem falta, tudo no seus devidos lugares. Por que não se faz mais filmes assim? Por que não temos mais atrizes como essas? Eu até acho que tenho respostas para isso, mas deixa para uma outra ocasião. O que importa, é que a Norma Desmond nos mostra como é triste o anonimato, para os que já foram estrelas algum dia. E como pessoas em qualquer ambiente, nesse caso, o cinema, são tratados como objetos descartáveis. Úteis apenas quando é conveniente. Não à toa, o nome do filme em português é, Crepúsculo dos Deuses. Título apropriado, coisa rara de ser vista.

2 - Jack Torrance (Jack Nicholson) - O Iluminado [1980]

Psique: Mais um psicopata para o nosso Top 10. Torrance é um cara que aceita trabalhar em um hotel no período de baixa estação, quando ele fica totalmente deserto, aliás, não só o hotel, como toda a região. Devido à baixa temporada e ao isolamento, Jack começa a ter visões e coisas estranhas passam a acontecer no local.

Qualidade: Nicholson está brilhante no filme. Sem grandes sustos, mas com jogo de tortura psicológica este grande ator dá uma aula de interpretação. Principalmente, quando comparado a chata da atriz que faz o papel da sua esposa. Pena que o Torrance não a matou, porque pense numa mulher chata, e numa atriz fraca. Mas deixando isso de lado, temos Jack Nicholson, e uma das melhores cenas da película quando ele está tentando entrar no banheiro, e diz: "Here's Johnny!"

1 - Baby Jane Hudson (Bette Davis) - O que terá acontecido a Baby Jane? [1962]

Psique: Uma ex-estrela do show business quando criança, e extremamente mimada, cresce pensando ser o centro do universo. O resultado, é uma senhora com vários complexos, inclusive, o de pensar ainda ser jovem, e admirada por todos. Seu quadro é piorado, após um misterioso acidente ocorrido a sua irmã, onde a culpa é colocada nela.

Qualidade: Num ambiente de mágoas, ressentimentos e inveja, eu não sei o que de bom eu posso extrair. A não ser a maravilhosa performance da Bette Davis, e a não menos brilhante, da Joan Crawford. Apesar de preferir 1000 vezes a Bette Davis. Não contarei a história, mas digo que Baby Jane é a verdadeira vítima da trama. O que um fato mal contado pode causar na vida de uma pessoa? No vídeo abaixo, pode-se ver as pertubações mentais enfrentadas por Baby Jane, pioradas pelo consumo que faz do álcool. Seus problemas psicológicos são causados porque todas as suas referências positivas estão no passado, quando era criança, e fazia sucesso. Entretanto, o resultado da velhice e do anonimato é esse: