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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Midnight in Paris (2011)

Foto 1 - Marion Cotillard e Owen Wilson em 'Meia-noite em Paris'

Nas informações sobre ‘Meia-noite em Paris’ tem-se que o gênero do filme é: ‘comédia-romântica’, talvez isso explique, pelo menos em parte, o público presente na minha sessão. A película está longe de ser romântica ou engraçada – no sentido puro e simples de provocar risos banais – mas possui uma carga de cinismo e sarcasmo. O que se ver é uma ode à beleza de Paris, à arte e à vida.

Gil (Owen Wilson) é um apaixonado pela noite e beleza de Paris, sua chuva, suas luzes, suas ruas. Para ele, a cidade transpira e respira o ar do que melhor se produziu em termos de cultura no início do século passado. Em certo momento, não interessa necessariamente como, ele começa a ter contato com a intelectualidade boêmia que habitava a cidade nos anos de 1920. A viagem ao tempo do protagonista é repleta de encontros com pessoas interessantes e cheia de conversas instigantes, tudo o que ele não tinha no ‘mundo real’ – onde convive com dois tipos de esnobes e pedantes, o intelectual e o econômico.

O culto ao passado (onde se diz que o tempo atual é menos interessante comparado ao que já passou) que é um sentimento bem comum a muitas pessoas é um dos grandes motes do longa. Contudo, com o passar do filme, percebe-se que o argumento defendido é que é preciso conhecer o que foi produzido no passado, mas é um desperdício viver nele, pois o presente é o único tempo que se tem. Assim, você pode aproveitá-lo não o perdendo com os tipos caricatos – para não dizer patéticos dos esnobes e pedantes – que se ver no próprio filme, e ainda, tentando ressignificar aquilo que se acha fenomenal e que foi feito anteriormente, e procurando companhias que possam acrescentar algo. O jogo é: ter o passado como baliza, não como fim em si mesmo. O que é importante notar é que quem idealiza isso, é um homem com mais de 70 anos, que vê nessas pessoas clássicas o ponto de partida para a sua produção cinematográfica.

Devo ainda falar sobre as atuações. O Owen Wilson, realmente, me surpreendeu. Ele que sempre interpreta papeis onde ele e o resto da produção do filme nunca o leva a sério, encontra-se bem. Para dizer a verdade, fez-me lembrar em vários gestos o próprio Woody Allen e o ‘time’ cômico do mesmo, e essa memória fica mais viva, depois de ter visto recentemente ‘Dirigindo no Escuro’. Para dizer a verdade, o Allen escreveu o papel para ele mesmo atuar, só que, ele não tem mais a idade que o papel parece exigir. E todo o resto do elenco está perfeito, a Rachel McAdams como a noivinha irritante, a Marion Cotillard irradiando seu talento e beleza, a Kathy Bates como a aglutinadora de vários artistas e o Adrien Brody como o Dalí aparentemente louco, mas genial.

‘Meia-noite em Paris’ é uma crítica a apatia e falta de criatividade dos tempos atuais, mostrando o diretor e roteirista que a busca do passado que pode ser o ponto de partida, também não pode ser encarado como o intangível e sacro. Da mesma forma que de forma causal se diz que há uma relação direta entre nível de educação e renda, também posso dizer que quanto maior o conhecimento do espectador, em termos de arte e literatura, maior será a sua estima pela película. Digo isso, pois, há várias nuances no filme, que só consegue perceber quem conhece alguns aspectos das obras dos citados, ou os seus trejeitos. Nesse sentido, vê-se o Gil sugerindo ao Buñuel o enredo de ‘O Anjo Exterminador’, a rispidez do Ernest Hemingway que viveu e cobriu a Guerra Civil Espanhola, o relacionamento entre os Fitzgeralds, e a genialidade dos pais do cubismo e do surrealismo, respectivamente, Picasso e Dalí. E cabe aqui, o que já escrevi em um post sobre ‘Os dez mandamentos’ do Cecil B. DeMille. Para toda discussão sobre saudosismo, e o legado dos antecessores, vale as palavras do Calvino (1993, p. 15), "É clássico aquilo que persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível." E todos esses nomes citados continuam sendo ‘rumores’, mesmo estando mortos há muitos anos.

Referência Bibliográfica:
CALVINO, I. (1993). Por que ler os clássicos. (trad) Nilson Moulin, Companhia das Letras, SP.
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Midnight in Paris (Meia-noite em Paris), Espanha/Estados Unidos - 2011. Dirigido por Woody Allen. Com: Owen Wilson, Marion Cotillard, Rachel McAdams, Carla Bruni, Kathy Bates, Adrien Brody. 100 minutos. Gênero: Fantasia.

Nota: 8.5

quarta-feira, 10 de março de 2010

A Lady Rouge Marion Cotillard

Veja abaixo o segundo vídeo da campanha das bolsas "Lady Dior" da marca Dior (é óbvio). A atuação é da Marion Cotillard, nele ela canta a música "The Eyes of Mars", especialmente composta pelo pessoal do Franz Ferdinand. No vídeo, a atriz atua como "Lady Rouge", e a francesa está com um look vermelho de impressionar qualquer marmanjo.


A seguir, é possível ver o primeiro vídeo, onde ela interpretou a "Lady Noir". Nesse, a inspiração surgiu de Hitchcock. Ela me fez lembrar as atrizes clássicas do cinema americano. Não à toa é tida como uma das grandes atrizes da atualidade.


Deverá haver ainda um terceiro vídeo, onde ela viverá a "Lady Blue".

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Nine (2009)

Nine narra a história de Guido Contini (Daniel Day-Lewis), um cineasta em busca de inspiração e em crise criativa. Uma clara referência ao filme 8 1/2 de Fellini, onde um outro Guido, só que Anselmi, não consegue ter novas ideias para sua nova película, e vê nesse processo, uma luta íntima consigo mesmo. Seus traumas, seu passado, questões mal resolvidas, as mulheres que fizeram parte da sua vida, tudo vem à tona, e o tormento é devastador. Resumindo, em ambos os casos, a crise de consciência está presente, como também, a iminente falta de originalidade. O que há de diferente entre os longas citados, é que o dirigido pelo Rob Marshall, nem de longe se assemelha a genialidade com que é conduzido o filmado por Fellini, mesmo um sendo baseado no outro.

Sabe quando se tem a impressão de que um constelação de artistas foram reunidas, mas faltou a mão firme ou um maetro que os conduzissem? Pois bem, foi essa a leitura que eu tive. Quem leu meu comentário sobre Sangue Negro, por exemplo, sabe o quanto eu respeito e admiro o Daniel Day-Lewis, mas em Nine, ele está caricato até o último instante, e isso, quando ele consegue impressionar. Sem falar na Judi Dench (Lili), uma excelente atriz que tem uma participação diminuta, e uma cena musical terrível. É terrível tanto a execução da cena, quanto a canção que ela interpreta. Aliás, falando em canção, para um musical, foi feita uma péssima seleção de composições, com duas exceções que falo a seguir.

Os momentos que chamam um pouco a atenção são quando se canta Be Italian e Cinema Italiano. A primeira interpretada de forma bem sensual pela Stacy Ferguson (Saraghina), e a segunda, pela Kate Hudson (Stephanie Necrophuros). Entretanto, boas interpretações só vejo duas. A primeira, e indiscutível, é a da Marion Cotillard (Luisa Contini), ela está emotiva, simples e convincente no papel da "boa esposa" que depois dá um chute na bunda do marido. É incrível como seus olhos dizem tudo o que precisamos saber sobre suas emoções. E a segunda, é a Penélope Cruz (Carla Albanese) que é uma amante sensual e possessiva. Vale uma indicação ao Oscar, mas não vale vencer, entretanto, preferiria ver a Cotillard indicada.

Ahh, sobre a Sophia Loren e a Nicole Kidman prefiro não comentar. A primeira por respeito aos serviços já prestados à sétima arte, e a segunda, porque seu papel é tão morno que não incita nenhum tipo de sentimento. Antes de ver Nine me perguntava sobre a razão do seu fracasso. Não entendia como um filme desses tinha sido fadado ao esquecimento nas premiações, e parece que a resposta é Rob Marshall. Não há paixão no filme ou pelo filme, é uma sucessão de acontecimentos desconectados e piorados pelas músicas. A sensação que se tem é que estamos na platéia do teatro, e não no cinema. Marshall, volta para a Broadway!

Nine é a prova de que uma boa direção é essencial.
Desde que vi uma entrevista com a grande Bette Davis, percebi o quão uma boa direção pode interferir no trabalho das atrizes e atores. Na oportunidade, ela dizia que até seu trabalho com William Wyler em 1938, não tinha sido dirigida por ninguém, e definia a sua situação assim: “Roteiros ruins, diretores ruins". No entanto, depois de trabalhar com Wyler, ela chegou a dizer que sem ele, a sua carreira não teria sido tão fantástica. E isso vindo de Bette Davis importa muito, ela não era chegada a elogiar quem não merecesse. Assim, pode-se ter uma constelação de atores, mas sem uma boa direção, não há roteiro que se sustente, e esse, é o caso de Nine. E agora eu sei, o filme e a direção são ruins mesmo!
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Nine, Estados Unidos - 2009. Dirigido por Rob Marshall. Com: Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Judi Dench, Stacy Ferguson, Kate Hudson, Sophia Loren. 112 minutos. Gênero: Drama, Musical.
Nota: 3.0