quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Top 10 - Inspirações para o dia-a-dia

Nesse mundo louco, mais louco é quem não se comporta como tal. Se fazer de maluco e só ouvir o que quer são duas lições para sobreviver nessa selva de interesses. Já avisei em algum post, que tenho preferência pelos personagens excêntricos do cinema. É por isso que resolvi fazer esse Top 10. Vou elencar os meus prediletos, pelo menos, os que me chamaram atenção com o conhecimento cinematográfico que possuo. Ou seja, se vocês conhecerem outros, por favor avisem-me que vou correndo ver se também concordo.

10 - Visitante nº 1 (Grace Zabriskie) - Império dos Sonhos [2006]

Psique: Ela é perspicaz e um pouco pornográfica. Entra na casa alheia, mas parece estar na sua própria.

Qualidade: Diz a verdade, mas de maneira cifrada. Por conta disso, deixa as pessoas em uma situação desconfortável, gerando temor e repulsa alheia.

9 - Lucía (Julieta Serrano) - Mulheres à beira de um ataque de nervos [1988]

Psique: Essa é completamente louca. Tudo bem, louca de amor, mas não deixa de ser um motivo para cometer insanidades. Ficou assim, por conta das traições do marido, e o ponto alto, veio com a separação. Como ela mesma diz, sua casa é o manicômio de onde conseguiu sair por fingir estar curada.

Qualidade: Anima a trama bem ao estilo Almodóvar. Infernizando a vida de Iván, seu ex-marido, e de Pepa, que ela pensa ainda ser a amante do seu ex.. Nem lecsotan acalma essa!

8 - John Doe (Kevin Spacey) - Seven - Os sete pecados capitais [1995]

Psique: Ao estilo Hannibal Lecter, John Doe é um serial killer que mata aqueles que ele julga serem representantes típicos dos pecados capitais.

Qualidade: Por mais estranho que seja, e por mais condenável que sejam as suas atitudes, tem algo no fim do filme que me chama a atenção. Quando dito que as pessoas assassinadas eram inocentes, ele diz:
Inocente? lsso é pra rir? Um homem obeso e repugnante que mal podia ficar de pé. Você o apontaria aos seus amigos para, juntos, zombarem dele. Se o visse enquanto estivesse comendo, não acabaria a refeição.
Depois, o advogado. Foi um homem que dedicou sua vida a ganhar dinheiro mentindo deslavadamente pra manter assassinos e estupradores nas ruas.
Uma mulher tão feia por dentro que não podia continuar vivendo se não pudesse ser bonita por fora.
Um traficante. Um pederasta, na verdade. Não esqueçamos a puta que espalhava doenças.
Só neste mundo de merda você pode dizer que eles eram inocentes e não rir. Mas aí é que está. Nós vemos um pecado capital em cada esquina, em cada lar e o toleramos. Nós o toleramos porque é comum. É trivial. Nós o toleramos de manhã, de tarde e de noite. Quer dizer, tolerávamos.
7 - O Gato risonho - Alice no País das Maravilhas [1951]

Psique: Gosta de colocar as pessoas em dúvida. Vive no limite entre o real e o ficcional. Que alguém indeciso não atravesse seu caminho, porque ficará mais confuso que tudo.

Qualidade: O gato nos alerta a: 1) Estar com os outros, e discordar minimamente deles; 2) Tentar não irritar as pessoas; 3) Elogiá-los; e 4) Se adequar ao local, ou seja, nunca tente inovar muito em circunstâncias adversas. Seguindo essas quatro regras, você sempre será bem quisto. São bem legais as desconstruções de pensamento que ele faz, além disso, ele transmite a ideia de escolha associada a de responsabilidade individual. Se não se sabe qual caminho tomar, é porque não se sabe para onde ir, uma ótima definição para o que chamamos de “indecisão”. A seguir, uma pequena transcrição da conversa que se refere a esse debate que estamos tendo.
Alice: Eu só queria saber que caminho tomar.
Gato: Isso depende do lugar onde quer ir.
Alice: Realmente não importa.
Gato: Então não importa que caminho tomar.
6 - Palhaço Pennywise (Tim Curry) - It - Uma Obra-prima do Medo [1990]

Psique: É um ser presente no imaginário de um grupo de crianças, que se alimenta do medo delas. Só não gosto quando a maquiagem cai, e ele mostra sua verdadeira aparência. Quando não está matando ninguém, até que ele é bastante legal e sarcástico.

Qualidade: É um verdadeiro gozador, se destaca no filme, que vai se tornando repetitivo e cansativo ao seu transcorrer, com exceção das cenas em que ele aparece. Sempre debochado, conhece os medos e problemas íntimos de cada um, por isso mesmo, sempre alfineta com muito bom humor nas cenas que aparece. Logo abaixo, meu Top 5, que estão entre os meus filmes preferidos.

5 - Blanche DuBois (Vivien Leigh) - Uma Rua Chamada Pecado [1951]

Psique: Uma série de eventos traumáticos rondam a vida dessa sulista norte-americana do épico de Tennessee Williams. Além de amarguras, desilusões e alcoolismo sofre por conta do seu passado na antiga cidade em que morava, onde tinha casos com rapazes mais jovens e vivia na devassidão.

Qualidade: Atormentada por sua história familiar, e pelos seus encontros amorosos, constrói um ambiente adequado para uma personagem cheia de facetas e de possibilidades. Tudo isso é uma colcha de retalhos consturada pela grande
Vivien Leigh. Entre loucura e realidade, aprendemos a relativizar e a se posicionar após entender a história de vida de cada indivíduo. Julgue, mas não sem antes compreender profundamente a história de cada um.

4 - Norman Bates (Anthony Perkins) - Psicose [1960]

Psique: Um novo psicopata pela área. Norman Bates é daqueles que se fazem de mansos a fim de se aproximar da vítima. Entretanto, vive oprimido por um dilema psicológico, onde sua mãe representa o superego que o constrange, mesmo já estando morta.

Qualidade: Teve a sorte de protagonizar uma das cenas mais lembradas de todos os tempos. É.. aquela mesma.. a do assassinato da mocinha que tomava banho.. com aquela trilha musical do Bernard Herrmann. O meu Top 3 será seguido por cenas extraídas do youtube, aproveitem para conhecer melhor nossos personagens!

3 - Norma Desmond (Gloria Swanson) - Crepúsculo dos Deuses [1950]

Psique: Após uma carreira espetacular como atriz da época do cinema mudo, Norma Desmond vê-se cair no anonimato. Todo esse ambiente a pertuba bastante, até que então, aparece um escritor de scripts hollywoodianos na sua vida. É uma figura decadente em relação à carreira, vivendo de um passado impossível de ser retomado.

Qualidade: É um dos melhores filme que já vi. O longa é m
arcado por passagens célebres, por ex.:

1. Quando é dito que ela foi uma grande atriz do cinema mudo:
Joe: "I know you. You're Norma Desmond! You used to be in silent pictures. You used to be big!"
Norma: "I am big! It's the pictures that got small!"
2. Sobre os filmes falados:
Norma: "We didn't need dialogue. We had faces!"
3. Cena final, onde pensa estar atuando:
Norma (to newsreel cameras): "And I promise you I'll never desert you again because after 'Salome' we'll make another picture and another picture. You see, this is my life! It always will be! Nothing else! Just us, the cameras, and those wonderful people out there in the dark!... All right, Mr. DeMille, I'm ready for my close-up."

Não precisava a Gloria Swanson ter feito mais nenhum filme. Bastava esse! Sua interpretação foi espetacular, nem excessos, nem falta, tudo no seus devidos lugares. Por que não se faz mais filmes assim? Por que não temos mais atrizes como essas? Eu até acho que tenho respostas para isso, mas deixa para uma outra ocasião. O que importa, é que a Norma Desmond nos mostra como é triste o anonimato, para os que já foram estrelas algum dia. E como pessoas em qualquer ambiente, nesse caso, o cinema, são tratados como objetos descartáveis. Úteis apenas quando é conveniente. Não à toa, o nome do filme em português é, Crepúsculo dos Deuses. Título apropriado, coisa rara de ser vista.

2 - Jack Torrance (Jack Nicholson) - O Iluminado [1980]

Psique: Mais um psicopata para o nosso Top 10. Torrance é um cara que aceita trabalhar em um hotel no período de baixa estação, quando ele fica totalmente deserto, aliás, não só o hotel, como toda a região. Devido à baixa temporada e ao isolamento, Jack começa a ter visões e coisas estranhas passam a acontecer no local.

Qualidade: Nicholson está brilhante no filme. Sem grandes sustos, mas com jogo de tortura psicológica este grande ator dá uma aula de interpretação. Principalmente, quando comparado a chata da atriz que faz o papel da sua esposa. Pena que o Torrance não a matou, porque pense numa mulher chata, e numa atriz fraca. Mas deixando isso de lado, temos Jack Nicholson, e uma das melhores cenas da película quando ele está tentando entrar no banheiro, e diz: "Here's Johnny!"

1 - Baby Jane Hudson (Bette Davis) - O que terá acontecido a Baby Jane? [1962]

Psique: Uma ex-estrela do show business quando criança, e extremamente mimada, cresce pensando ser o centro do universo. O resultado, é uma senhora com vários complexos, inclusive, o de pensar ainda ser jovem, e admirada por todos. Seu quadro é piorado, após um misterioso acidente ocorrido a sua irmã, onde a culpa é colocada nela.

Qualidade: Num ambiente de mágoas, ressentimentos e inveja, eu não sei o que de bom eu posso extrair. A não ser a maravilhosa performance da Bette Davis, e a não menos brilhante, da Joan Crawford. Apesar de preferir 1000 vezes a Bette Davis. Não contarei a história, mas digo que Baby Jane é a verdadeira vítima da trama. O que um fato mal contado pode causar na vida de uma pessoa? No vídeo abaixo, pode-se ver as pertubações mentais enfrentadas por Baby Jane, pioradas pelo consumo que faz do álcool. Seus problemas psicológicos são causados porque todas as suas referências positivas estão no passado, quando era criança, e fazia sucesso. Entretanto, o resultado da velhice e do anonimato é esse:

4 comentários:

Girabela disse...

Adorei este post e fiquei curiosa para ver os filmes. Personagens realmente problemáticos!

Santiago. disse...

O filme do palhaço Pennywise é o que eu ia levar se tivesse ido para Serrambi. O filme seria um tédio se não fosse ele.

Vê mesmo Gabi, principalmente, o top 5. Tenho certeza que você não vai se arrepender. Eles são inesquecíveis.

Abraço.

Girabela disse...

Lembrei, tu comentou do palhaço. Haha. Não é Serrambi, é Maracaípe. Vamos pensar numa ida para lá depois?
Olha, eu super pretendo ver esses filmes, se tiveres algum, me empresta. Ok?


Abraços,
Gabriela

Santiago. disse...

É mesmo, é Maracaípe.. Vamos pensar sim, dessa vez mais estruturada, e menos em cima da hora. =)

Oxe, te empresto numa boa, me diz quando te vejo na Universidade que eu levo!

Abraço.

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